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Justiça do Trabalho concede liminar contra a RPC TV por assédio eleitoral

Afiliada na Globo no Paraná não poderá reunir funcionários e ameaçar cortes salariais em função do resultado das eleições

Justiça do Trabalho concede liminar contra a RPC TV por assédio eleitoral
Sede da RPC em Curitiba. Foto: Divulgação
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A 23ª Vara do Trabalho de Curitiba concedeu nesta quinta-feira (22) liminar para determinar que a RPC TV, afiliada da Rede Globo no Paraná, interrompa qualquer prática de pressão política sobre seus empregados e assegure a liberdade de voto. Em caso de descumprimento, será aplicada multa de R$ 50 mil por infração, acrescida de R$ 10 mil por trabalhador atingido.

A ação foi movida pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), com base em denúncias reunidas pelo Sindicatos dos Jornalistas dos Paraná (SindijorPR). Para o juiz do Trabalho Otavio Augusto Constantino, há indícios suficientes de assédio eleitoral para justificar a adoção de medidas urgentes.

A liminar proíbe pressões políticas e retaliações contra trabalhadores e determina que empresa esclareça que salários e empregos não dependem do resultado das eleições. A empresa não poderá associar salários, benefícios, jornadas e empregos ao resultado da eleição do próximo domingo (25) e deverá divulgar comunicado oficial até as 12 horas de sábado (24) para esclarecer que nenhuma condição de trabalho depende da escolha do novo presidente.

O juiz do Trabalho Otavio Augusto Constantino determinou que a RPC TV preserve as gravações das câmeras de segurança das redações e dos espaços de reunião feitas os dia 14 e 22 de outubro. Também deverão ser preservados e-mails, mensagens em aplicativos e sistemas corporativos, convites e agendas de reuniões, inclusive em plataformas de videoconferência, e materiais apresentados nas reuniões e na reunião de orientação de gestores do dia 19.

Jornalistas denunciam assédio eleitoral dentro da RPC, afiliada da Globo no Paraná
Funcionários, segundo documento obtido pelo Plural, foram informados que manutenção de empregos depende do resultado da eleição presidencial

Na semana passada, o Plural informou que jornalistas da RPC TV redigiram um documento para denunciar atos de assédio eleitoral dentro da redação e que funcionários estariam sendo convocados em pequenos grupos para reuniões com a chefia. Desde fevereiro deste ano, as tevês e rádios do grupo são comandadas majoritariamente pela família Lemanski, que comprou parte significativa das ações da família Cunha Pereira.

Ambas as famílias têm perfil conservador e mostram preferência pela candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições. Guilherme Cunha Pereira, dono do jornal Gazeta do Povo, gravou um vídeo em apoio a Bolsonaro.

"Nessas reuniões, gestores afirmam que, com o fim da escala 6x1, os profissionais de redação poderão perder 30% dos salários, enquanto repórteres de rua e cinegrafistas teriam perdas de até 60%. E mais: disseram que tudo dependerá também do resultado das eleições, porque o cenário pode mudar", afirma o documento entregue ao Ministério Público do Trabalho.

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José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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