O Ministério Público do Paraná (MPPR) arquivou um pedido de investigação contra o vereador de Curitiba Rodrigo Marcial (Novo), que utilizou a estrutura de seu gabinete para imprimir parte de um "dossiê" sobre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). As faltas do vereador, que esteve ausente de duas sessões, foram abonadas pela Câmara.
Marcial usou o equipamento público para imprimir 78 páginas do "Dossiê Moraes", entregue a deputados federais, como mostrou o Plural em 16 de dezembro de 2025. Uma semana antes, em 8 de dezembro, ele havia negado a utilização da impressora. O vereador faltou às sessões dos dias 2 e 3 de dezembro de para levar o documento até Brasília e protocolar um pedido de impeachment de Moraes – e não participou da votação do projeto de reajuste do IPTU.
O promotor de Justiça Carlos Alberto Hohmann Choinski concluiu que a impressão de 78 páginas, a um custo de R$ 3,90 por página, "não configura perda patrimonial efetiva nem lesão relevante à probidade administrativa. Ademais, o próprio contexto (utilização do equipamento colocado à disposição do gabinete, com registro no sistema de controle e dedução da cota regulamentar) é incompatível com a intenção de lesar o erário ou de obter proveito indevido, afastando o dolo exigido pela lei".
A denúncia dizia ainda que Marçal prestou informação inverídica ao justificar as faltas como “atividades inerentes ao mandato”. A própria Câmara, no entanto, considerou como um assunto "de interesse político-parlamentar" um vereador se ausentar para protocolar mais um pedido de impeachment de Moraes – sem nenhum resultado prático. Marçal informou que a viagem foi paga por ele e a Câmara confirmou que não foram solicitadas diárias.
Contra o aumento de custos – para as empresas
Em novembro do ano passado, Rodrigo Marcial apresentou uma emenda para alterar o projeto do vereador Olímpio Araújo Júnior (PL) que tratava, entre outros assuntos, da poda de árvores em Curitiba.
O artigo mais importante cortado exigia que empresas concessionárias e terceirizadas fizessem os serviços de poda orientados por engenheiros florestais, agrônomos, biólogos ou engenheiros agrícolas, com Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) para cada contrato.

O projeto já havia sido aprovado em primeira votação, mas às 9h06 do dia 24 de novembro, cinco minutos antes do início da sessão, recebeu a emenda supressiva apresentada por Marcial, aprovada pela base de apoio ao prefeito Eduardo Pimentel (PSD). Marcial temia que houvesse um aumento de custos para as concessionárias. O próprio Olímpio de Araújo aceitou a mudança.
Em junho deste ano, uma jovem de 22 anos ficou gravemente ferida após ser atingida por um galho de árvore na Praça Osório, no Centro da cidade.
