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Alunas descobrem câmera em banheiro feminino de Colégio Cívico-Militar em Cambé

Segundo alunas, direção da escola disse que aparelho era um detector de fumaça. Estudantes registraram boletim de ocorrência

Alunas descobrem câmera em banheiro feminino de Colégio Cívico-Militar em Cambé
Modelo questionado deve ter continuidade no governo de Sergio Moro. Foto: Lucas Fermin/SEED

Alunos, pais e responsáveis por estudantes do Colégio Cívico-Militar Erico Veríssimo, em Cambé, no Norte do Paraná, fizeram um protesto na manhã desta quarta-feira (20) contra a instalação de câmeras de vigilância dentro do banheiro feminino do estabelecimento. Segundo reportagem da RPC TV, uma aluna encontrou uma câmera atrás de um aparelho instalado na parede do banheiro.

Os alunos registraram boletim de ocorrência e disseram que a direção do estabelecimento omitiu a presença do equipamento – quando perguntados sobre uma luz que piscava no banheiro feminino, os responsáveis pelo colégio teriam dito que se tratava de um detector de fumaça.

No boletim de ocorrência, de acordo com a RPC e o portal G1 Paraná, as alunas informaram que trocavam de roupa na área comum do banheiro, que era monitorada pela câmera, "o que significa que seus corpos e sua nudez foram indevidamente expostos e registrados sem qualquer consentimento". Segundo as alunas, não havia autorização para captação de imagens.

Câmeras também foram descobertas no Colégio Cívico-Militar Etelvina Cordeiro Ribas, no bairro Pinheirinho, em Curitiba, o que levou o Ministério Público do Paraná (MPPR) a abrir um inquérito para apurar a responsabilidade do diretor do estabelecimento e questionar o local de armazenamento das imagens captadas.

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As câmeras de monitoramento em banheiros são só mais um problema registrado no programa de escolas cívico-militares adotado pelo governo de Ratinho Jr (PSD) – e que deverá ter continuidade na gestão de Sergio Moro (PL). Os estabelecimentos também têm denúncias de violência, assédio moral, assédio sexual e apologia à violência.

Em nota, a Secretaria de Estado da Educação (Seed) afirmou que o Núcleo Regional de Educação (NRE) de Londrina orientou a direção sobre as providências, com atenção à privacidade e à segurança dos estudantes.

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"A escola informou que os equipamentos já foram retirados e que não há imagens armazenadas relacionadas a eles. Uma equipe do NRE realizará visita in loco para verificar a situação e orientar os próximos encaminhamentos". A Secretaria informou ainda que acompanha o caso e reforçou que "o monitoramento nas unidades escolares deve respeitar integralmente a privacidade, a dignidade e a segurança dos estudantes e de toda a comunidade escolar, assegurando a adoção das medidas cabíveis após a apuração dos fatos".

Exclusão e Ideb

O Ideb dos colégios cívico-militares do Paraná passou de 3,7 para 4,8 no Ensino Médio e de 4,8 para 5,4 nos Anos Finais do Fundamental entre 2017 e 2023. Em julho, porém o Plural mostrou que cerca de 12,4 mil estudantes que estavam fora da idade ideal para o ano que cursavam — em geral, os que já acumulavam reprovações — deixaram de ser contabilizados nessas escolas no período. O levantamento foi feito com dados do INEP e da Seed-PR.

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José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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