O Hospital Municipal Padre Germano Lauck, em Foz do Iguaçu, acusou o ex-vereador Ramiro Leite, de 77 anos, de exigir privilégios no Sistema Único de Saúde (SUS) e hostilizar profissionais durante atendimento na unidade. Em nota divulgada nesta terça-feira (20), a direção afirmou que o paciente recebeu assistência médica desde a chegada, na segunda-feira (19), mas deixou o hospital antes de concluir o tratamento de uma fratura no joelho esquerdo.
Ramiro foi vereador de Foz do Iguaçu pelo PDT entre 1997 e 2000 e também ocupou o cargo de secretário municipal de Meio Ambiente. Empresário, disputou outras eleições, incluindo uma candidatura a deputado federal pelo PTB em 2022.
O ex-vereador foi encaminhado ao hospital pelo Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência (Siate). Segundo a direção, deu entrada às 17h16 e foi acomodado em um leito provisório no corredor, devido à alta ocupação da unidade.
Às 17h30, 14 minutos após a chegada, passou pela primeira avaliação da equipe de trauma, teve analgésicos administrados e curativos realizados, além de exames solicitados. Uma nova avaliação ocorreu às 18h20. Os resultados da tomografia e do raio-X foram liberados às 18h41, e a equipe de cirurgia bucomaxilofacial indicou, às 19h51, tratamento conservador, sem necessidade de cirurgia na face.
A direção informou que Ramiro apresentava uma fratura na patela, a rótula do joelho esquerdo, e precisava de imobilização gessada. O procedimento, entretanto, não foi concluído.
De acordo com a nota, o ex-vereador demonstrou insatisfação com a acomodação no corredor e exigiu mudanças no fluxo de atendimento. Durante a madrugada de terça-feira (20), teria desrespeitado verbalmente a equipe de enfermagem e gritado com a profissional responsável pela imobilização.
O hospital também acusa Ramiro de realizar filmagens nas dependências da unidade para pressionar a gestão e figuras políticas externas. Segundo a direção, o ex-vereador recusou-se a aguardar a liberação das equipes de trauma e ortopedia para concluir o atendimento, levantou-se da maca e deixou o hospital acompanhado do filho. A saída foi registrada como alta por evasão.
A direção afirma que todos os protocolos de atendimento foram cumpridos e que a prioridade dos pacientes no SUS é definida pela gravidade clínica, não por cargos públicos ou influência política. Também repudiou as supostas tentativas de intimidação contra os profissionais e reafirmou o compromisso com um atendimento humanizado e igualitário.
Ramiro Leite não foi localizado pela reportagem para comentar as acusações feitas pela direção do Hospital Municipal. O espaço permanece aberto para manifestação.