O anúncio do deputado estadual Michele Caputo como vice na chapa de Requião Filho nesta terça-feira (4) confirma uma realidade que se repete em quase toda eleição no Paraná: todas as chapas com verdadeira chance de vitória são compostas exclusivamente por homens brancos.
Na esquerda, Requião e Caputo. No Centrão, Sandro Alex com Rafael Greca. E na extrema direita, Sergio Moro deve confirmar o presidente da FIEP como seu vice. Nenhuma mulher, nenhum negro, nenhuma diversidade. E, nesse sentido, o resultado da eleição para o Governo do Paraná já está decidido antes mesmo do primeiro voto.
Em mais de 170 anos de Paraná, apenas uma mulher chegou a assumir o governo em definitivo - Cida Borghetti, eleita vice de Beto Richa em 2014. Antes dela, Emilia Belinati chegou a assumir como interina durante o governo de Jaime Lerner. Duas mulheres em quase dois séculos. Negros? Nenhum.
É claro que muita gente acha que diversidade é algo pouco relevante. Que o que importa é a eficiência do governante. Mas esse discurso, embora continue forte, cada vez soa mais ultrapassado - mera defesa de privilégios de grupo.
As mulheres foram excluídas da cidadania durante a maior parte da História. No Brasil, só passaram a votar em 1932. E, desde lá, seguem como uma espécie de cidadãs de segunda classe, que apesar de representaram mais de 50% da população veem-se perpetuamente reduzidas a uma fração do Parlamento - e quase nunca chegam ao comando do Executivo ou do Legislativo.
Os negros, mantidos desde sempre em situação de exclusão, têm ainda menos acesso aos cargos de decisão. Há um único presidente negro em nossa História, e que aparentemente não se sentia representante de nenhum grupo minoritário. E há mais de 100 anos.
Além de desperdiçar um contingente imenso de potenciais talentos, que poderiam ajudar a melhorar as cidades, os estados, o país, isso priva as pessoas dos grupos excluídos de se verem representados. De verem em cargos de liderança pessoas que se parecem com elas, algo que daria a perspectiva de que, com esforço e sorte, seria possível chegar lá.
No Brasil, é preciso mais do que sorte ou esforço. Para um negro ou uma mulher ultrapassarem as barreiras e, por exemplo, serem levados a sério como candidatos a governantes, é preciso um terremoto, um milagre, uma brecha na lei das probabilidades. Dessa vez, como quase sempre, não aconteceu.