O advogado João Alberto Graça, preso duas vezes em 2018 suspeito de participação em um esquema de fraudes no Ministério do Trabalho, doou R$ 50 mil para o candidato ao governo Sergio Moro (PL). Ele também doou R$ 10 mil para a campanha o ex-deputado federal André Vargas (PT), primeiro político preso no âmbito da operação Lava Jato, e R$ 10 mil para o candidato a deputado estadual Ogier Buchi (Podemos).
João Alberto Graça teria tido ligações na década passada com o doleiro Alberto Youssef, cujas delações são consideradas o ponto de partida da Operação Lava Jato. Matérias da época indicavam que Graça frequentava o escritório de Youssef – os dois tinham escritórios em Londrina.
Sergio Moro mandou prender Youssef em novembro de 2003 (durante o Caso Banestado), mas o doleiro foi solto após assinar delação premiada. Em 2014, quando era titular da 13ª Vara Federal de Curitiba, Moro voltou a prender o doleiro, na primeira fase da Operação Lava Jato.
Graça foi preso duas vezes em 2018, em maio e dezembro. Ele era assessor do Ministério do Trabalho e foi alvo da operação Registro Espúrio, da Polícia Federal (PF), que apurava fraudes em registros sindicais e ocultação de bens. A segunda prisão foi no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, quando tentava embarcar para os Estados Unidos. Ele era suspeito de tentar destruir provas.
De acordo com as investigações da PF, o advogado integrava o grupo de intermediários que contatavam sindicatos para cobrar propina em troca de benefícios da pasta. Não houve condenação.
A campanha de Sergio Moro informou que os R$ 50 mil doados por João Alberto Graça foram devolvidos.
André Vargas foi outro personagem da Lava Jato
André Vargas foi o primeiro político preso em decorrência de investigações da Lava Jato, em 2015. Ele teve o mandato de deputado federal cassado em 2014 por quebra de decoro, suspeito de atuar junto ao Ministério da Saúde para beneficiar o laboratório Labogen, que pertencia a Alberto Youssef.
Em setembro de 2015, foi condenado por Sergio Moro a 14 anos e quatro meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, acusado de receber propinas de contratos de publicidade da Caixa Econômica Federal (CEF) e do Ministério da Saúde. Moro também o condenou a seis anos de prisão por lavagem de dinheiro. As duas condenações foram anuladas pelo STF em 2022 e 2023. Vargas é candidato a deputado federal pelo PT.