O empresário e ex-deputado federal Wilson Picler é o maior doador individual da campanha ao Senado de Deltan Dallagnol (Novo), com R$ 430 mil, segundo declaração feitas pela campanha à Justiça Eleitoral. Picler será o primeiro suplente de Dallagnol se o ex-procurador for eleito e assumir – caso ele possa concorrer nas eleições, o que ainda não julgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Não há ilegalidade na doação, mas Picler tem interesse direto na vitória de Dallagnol: se depois de eleito o ex-procurador for cassado, renunciar ou morrer, o primeiro suplente assumirá o mandato. A situação é semelhante à do suplente de Sergio Moro no Senado, o advogado Luís Felipe Cunha, que doou R$ 500 mil para a campanha do ex-juiz ao governo.

Wilson Picler é fundador do centro universitário Uninter. Em 2009, filiado ao PDT, assumiu o mandato de deputado federal no lugar de Homero Barbosa Neto, eleito prefeito de Londrina. Tentou a reeleição em 2010, mas não conseguiu se manter na Câmara dos Deputados. Depois disso, se filiou ao Patriotas, ao PSD, ao MDB e ao PL, em 2023.
Deltan Dallagnol não precisa "vender geladinho"
Em agosto, Deltan Dallagnol publicou um vídeo em suas redes sociais informando quem seriam seus suplentes no Senado. O outro é o empresário Markenson Marques dos Santos, fundador da empresa de logística Cargolift.
No vídeo, o candidato ao Senado destacou que Picler "vendia geladinho na rua aos 12 anos". Não consta que Dallagnol tenha vendido geladinho: foi procurador da República e sua família tem extensas propriedades rurais no Mato Grosso e no Amazonas, tema acompanhado pelo site "De Olho nos Ruralistas". Entre as propriedades está uma área de 400 mil hectares que seria pública e passou para o controle da família em 1978, durante a ditadura militar, segundo estudo da Unicamp sobre a situação fundiária no Mato Grosso.
Em outubro de 2023, depois de se filiar ao Novo, Dallagnol virou "embaixador" do partido com um salário "compatível com o que recebia como deputado federal" antes de ser cassado (hoje o salário de um deputado é de R$ 46,3 mil). Os recursos podem ter origem pública, pois desde fevereiro de 2024 o Novo passou a utilizar o Fundo Partidário, contrariando o discurso de sua fundação.
Até outubro do ano passado, Deltan Dallangol já havia recebido R$ 795 mil do partido Novo – quantia que certamente o desobriga de vender geladinhos para pagar as contas.
