O suplente de Sergio Moro (PL) no Senado, o advogado Luiz Felipe Cunha, é o maior doador pessoal da campanha do ex-juiz da Lava Jato ao governo do Paraná. Até agora ele já doou R$ 500 mil, segundo dados da Justiça Eleitoral. Se Moro for eleito governador, Cunha será senador pelos próximos quatro anos – mesmo sendo um completo desconhecido entre a população.
O detalhe é que o escritório de Luís Felipe Cunha recebeu R$ 1 milhão do União Brasil em 2022, quando Sergio Moro era filiado ao partido, pela prestação de serviços de consultoria jurídica. O escritório Vosgerau & Cunha Advogados Associados recebeu quatro pagamentos no valor de R$ 250 mil cada, nos dias 30 de abril, 3 de junho, 20 de julho e 27 de julho. As notas e demais documentos estão disponíveis no Sistema de Divulgação de Contas Anuais dos Partidos, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Naquele ano, o União Brasil declarou ter recebido mais de R$ 1,3 bilhão entre recursos públicos e doações. Deste total, R$ 924,6 bilhões eram recursos públicos – R$ 757.970.221,27 do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (que só pode ser usado em campanhas) e R$ 166.717.526,00 do Fundo Partidário (verba destinada à manutenção dos partidos, mas que também pode ser usada em campanhas eleitorais).
Além de ter interesse direto na vitória de Sergio Moro nas eleições deste ano, Luís Felipe Cunha é amigo pessoal do candidato do PL e defendeu o ex-juiz em ações cíveis. Cunha teria articulado a filiação de Moro ao Podemos, em 2021, e foi escolhido como coordenador da pré-campanha ex-juiz da Lava Jato à Presidência em 2022.
Moro deixou o Podemos em março de 2022 para se filiar ao União Brasil e ensaiou candidaturas ao Senado ou a deputado federal por São Paulo, mas a Justiça Eleitoral barrou a mudança de seu domicílio eleitoral – o que não ocorreu com a mulher dele, Rosângela Moro, eleita deputada por São Paulo.

Recursos de partidos diferentes motivou pedido de cassação
A utilização de recursos de diferentes partidos levou o PL (o partido atual de Moro) e a Federação Brasil Esperança (PT, PCdoB e PV) a pedir a cassação da candidatura do ex-juiz ao Senado em 2022, por abuso de poder econômico e desequilíbrio financeiro nas eleições, já que ele utilizou recursos de partidos diferentes para promover seu nome. O pedido foi negado pela Justiça Eleitoral em maio de 2024.
Na época, a defesa de Moro informou ao Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) que foram gastos R$ 1.891.349,73 na pré-campanha à Presidência do ex-juiz pelo Podemos, entre novembro de 2021 e março de 2022. Já no União Brasil, entre abril de 2022 e junho de 2022, Moro gastou R$ 1.829.187,69 na pré-campanha a senador ou deputado federal por São Paulo.
Na campanha ao Senado em 2022, Moro declarou gastos totais de R$ 4.447.201,54. A campanha recebeu R$ 5.266.811,26 – R$ 2,2 milhões do Fundo Especial de Financiamento de Campanha e R$ 1,8 milhão do Fundo Partidário.
Neste ano, o maior doador de campanha de Moro é o próprio PL, com 10.800.000 do Fundo Partidário. A arrecadação total da campanha declarada à Justiça Eleitoral é de R$ 11.921.010,00.
