O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) determinou nesta segunda-feira (21) que a Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) preserve todos os documentos relativos à organização dos Fóruns Regionais promovidos pela entidade em 2025 que tiveram a presença do então pré-candidato ao governo Sergio Moro (PL). O vice de Moro, Edson Vasconcelos, era presidente da Fiep quando o ex-juiz participou dos eventos.
Na semana passada, a campanha de Sandro Alex (PSD) ao governo denunciou a chapa de Moro por suposto abuso de poder econômico. No mérito, a ação pede a cassação dos registros de candidatura de Sergio Moro e Edson Vasconcelos e que eles sejam declarados inelegíveis por oito anos.
Segundo a representação protocolada no TRE-PR, a Fiep gastou R$ 11,2 milhões com a organização de fóruns em Guarapuava, Pato Branco, Cambé, Cascavel, Maringá, Ponta Grossa, Irati e Curitiba. Moro teria participado como convidado de honra, quando já havia lançado sua pré-candidatura ao governo – o que poderia caracterizar campanha antecipada e abuso de poder econômico, já que outros pré-candidatos não foram convidados.

O relator da ação no TRE-PR, corregedor eleitoral Fernando Prazeres, determinou "a imediata preservação, sem alteração, descarte ou reorganização, da integralidade dos documentos fiscais, contratos, notas de empenho, ordens de serviço, comprovantes de pagamento e registros" relativos aos Fóruns da Indústria. A Fiep deverá informar em cinco dias os documentos que serão preservados.
Fernando Prazeres negou o pedido da campanha de Sandro Alex para que os gastos fossem imediatamente discriminados, mas destacou o entendimento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a respeito de abuso de poder econômico, que pode ser caracterizado por ações realizadas anteriores ao período de campanha, "inclusive no ano anterior ao pleito".
"Com relação aos Fóruns Regionais da Indústria de 2025, tem-se que os eventos foram presididos pelo segundo investigado EDSON JOSÉ DE VASCONCELOS e contaram com a presença do primeiro investigado SÉRGIO FERNANDO MORO como convidado de honra", afirmou o relator. "No tocante ao possível abuso de poder econômico, a Corte Superior entende que ó 'ilícito se caracteriza por condutas realizadas fora do período eleitoral, inclusive no ano anterior ao pleito, desde que presente a gravidade das circunstâncias em detrimento da legitimidade do processo eleitoral".
O relator da ação ordenou ainda que a entidade preserve a documentação relativa à organização da Assembleia Geral Extraordinária realizada no dia 26 de agosto de 2025, durante o evento Expo+Indústria, no Expotrade Convention Center, em Pinhais. Na Assembleia, a Fiep alterou seu estatuto e eliminou a quarentena de cinco anos prevista caso o presidente acumule suas funções com as de agente político. Com a mudança, Vasconcelos poderá voltar à diretoria da entidade após as eleições.
Fiep nega irregularidades
Em nota enviada na semana passada, a Fiep disse lamentar que o teor da denúncia "tenha sido antecipado à imprensa antes mesmo de a entidade ser cientificada pelos canais próprios, circunstância que reforça a leitura de que se trata de mais uma tentativa, do mesmo proponente, de utilizar órgãos de controle e a exposição midiática como instrumento de desgaste reputacional em pleno período eleitoral".
A entidade negou irregularidades e afirmou que "as deliberações estatutárias de agosto de 2026 observaram rigorosamente o rito regimental da Federação, com ampla discussão entre os delegados representantes de todo o Estado, e foram aprovadas pelo colegiado estatutariamente competente para tanto".
A assessoria de Sergio Moro informou na semana passada que o candidato não se pronunciaria sobre o assunto.
