O corregedor da Câmara Municipal de Curitiba, vereador Sidnei Toaldo (PRD), arquivou a denúncia contra João Bettega (União Brasil), acusado de prevaricação ao omitir a informação de que o ex-presidente do Instituto Municipal de Curitiba, José Luiz Velloso, possui uma condenação por improbidade administrativa.
Apesar de Bettega admitir em áudio que sabia da condenação e que guardaria a informação como "carta na manga" para usar contra a prefeitura de Curitiba, Sidnei Toaldo concluiu que não há “elementos suficientes que indiquem a prática de infração ético-disciplinar”.
A denúncia foi feita por integrantes do MBL (Movimento Brasil Livre) que tinham cargos no gabinete de João Bettega. Todos pediram exoneração no dia 7 de maio. Bettega foi expulso do MBL no mesmo dia, acusado de traição, de usar seu mandato para publicar “vídeos idiotas” nas redes sociais e de apoiar o ex-presidente e réu Jair Bolsonaro (o movimento de direita rompeu com o Bolsonaro).
Ouça o áudio em Bettega admitiu que sabia do caso, mas que preferia ter uma "carta na manga" contra a prefeitura de Curitiba:
A omissão de Bettega em relação à condenação de Velloso teria sido o estopim da crise. O MBL acusou o vereador de não fiscalizar a prefeitura e de fazer um movimento para integrar a base de apoio ao prefeito Eduardo Pimentel (PSD) – o que tem se confirmado, já que Bettega vota a favor dos projetos do Executivo.
José Luiz Velloso é filiado ao PL e ligado ao presidente do partido no Paraná, o deputado federal Giacobo. Em 2019, Velloso foi condenado por enriquecimento ilícito em ação movida pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR) depois de exercer um cargo público em Antonina. Ele foi exonerado em maio, quando o Plural questionou sua nomeação – um dos compromissos de campanha de Eduardo Pimentel foi não nomear pessoas com condenações criminais.

Na semana passada, o Conselho de Ética da Câmara arquivou representação contra o bolsonarista Eder Borges (PL), acusado de nomear a própria enteada como chefe de seu gabinete, com um salário de R$ 17 mil.
O próprio Eder Borges disse que a mãe de sua assessora, Andreia Goes Maciel, era sua mulher, em sessão da Câmara em novembro de 2023. Mas os vereadores Bruno Secco (PMB), Guilherme Kilter (Novo), Rafaela Lupion (PSD) e Toninho da Farmácia (PSD) não viram nenhum problema nisso. Andrea Gois Maciel tinha um cargo no Instituto Municipal de Turismo, mas se apresentava com assessora do vereador. Ela também foi exonerada em maio.
O Plural entrou em contato com Sidnei Toaldo e fica à disposição caso ele queira se manifestar
Nota do MBL
O MBL criticou a decisão de arquivar a denúncia contra João Bettega. Para o movimento, a Câmara de Curitiba é um "reduto de corporativismo e autoproteção". O MBL afirmou ainda que a decisão de Sidnei Toaldo é "lamentável" e que sua atuação como corregedor é "pífia". Segue a nota do MBL:
NOTA DE REPÚDIO – MAIS UMA VEZ, A CÂMARA MUNICIPAL DE CURITIBA PROTEGE OS SEUS
A decisão publicada no Diário Oficial Eletrônico de Curitiba, por meio da Portaria n.º 0024/2025, assinada pelo vereador corregedor Sidnei Toaldo, é mais uma afronta à ética, à transparência e ao respeito que os curitibanos merecem de seus representantes.
O arquivamento do Processo Administrativo n.º 00878/2025, que investigava o vereador João Bettega por possível infração ético-disciplinar, comprova o que já é evidente há muito tempo: a Câmara Municipal de Curitiba é um reduto de corporativismo e autoproteção. Uma instituição que se acovarda diante da necessidade de depuração interna e que age sistematicamente para blindar seus membros, mesmo diante de indícios graves.
Não é a primeira vez. Essa mesma Câmara já livrou vereadores que hoje estão presos, ignorou flagrantes de nepotismo, engavetou denúncias robustas e, agora, protege João Bettega, conhecido por prevaricar e utilizar a máquina pública em benefício próprio.
O papel do corregedor Sidnei Toaldo é lamentável. Seu trabalho à frente da Corregedoria pode ser resumido como pífio. A cada decisão como essa, ele se mostra não como um defensor da ética na política, mas como um agente da impunidade institucionalizada. Toaldo não serve à cidade de Curitiba — serve apenas a interesses obscuros e ao projeto de poder que domina a Casa Legislativa.
É urgente que a população de Curitiba reaja a esse estado de complacência e cobrança seletiva. A cidade merece representantes comprometidos com o bem público, e não com a autopreservação de privilégios.