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Vereadora propõe barrar devedores de pensão de arenas e eventos esportivos em Curitiba

Proposta apresentada na Câmara Municipal cria selo de reconhecimento para arenas esportivas que cruzarem dados de acesso com cadastros de restrição judicial

Vereadora propõe barrar devedores de pensão de arenas e eventos esportivos em Curitiba

Pais que não pagam a pensão dos filhos podem ter as catracas bloqueadas nos estádios da capital paranaense. A restrição é o foco do Projeto de Lei Ordinária nº 005.00244.2026, apresentado pela vereadora Professora Angela (PSOL) na Câmara Municipal de Curitiba, que cria diretrizes para impedir o acesso de devedores de alimentos a eventos esportivos na cidade. 

Segundo dados nacionais da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), entre 2012 e 2021 houve crescimento de 65,7% no número de famílias chefiadas por mulheres. De acordo com a justificativa do projeto, a inadimplência transfere quase integralmente às mães o peso do sustento e do cuidado com os filhos, agravando cenários de vulnerabilidade social e desigualdade de gênero. 

Para o texto da proposição, o crédito alimentar tem prioridade máxima no ordenamento jurídico e natureza existencial. O projeto argumenta que não é aceitável que pais inadimplentes frequentem estádios e arenas de futebol enquanto mães solo assumem sozinhas a sobrevivência de suas crianças. 

Honraria para ações 

A estratégia da vereadora foca na cooperação voluntária e no incentivo reputacional do setor privado. Para isso, o projeto de lei prevê a criação do "Selo Empresa Cidadã do Esporte”, honraria destinada a clubes, entidades e arenas curitibanas que, por conta própria, adotarem práticas como a implementação de sistemas de identificação eletrônica ou biometria para cruzar os dados do público pagante com os cadastros de restrição judicial. Além da restrição, a proposta também estipula a realização de campanhas educativas permanentes nos locais de jogos, focadas no amparo afetivo e financeiro. 

A movimentação na Câmara de Curitiba não é um caso isolado e, caso a proposta seja aprovada pelos vereadores e sancionada, a lei entrará em vigor 90 dias após a sua publicação no Diário Oficial. O projeto dialoga com uma pauta que já tramita em âmbito federal. Na Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei nº 2581/2026, de autoria da deputada Sâmia Bonfim (PSOL-SP), lidera uma mobilização nacional no mesmo sentido. 

Texto de Marya Marcondes, aluna de Jornalismo da UFPR
Sob orientação de Rogerio Galindo

Marya Marcondes

Marya Marcondes

Estagiária do Jornal Plural. Estudante de Jornalismo da UFPR. Palmeirense e colecionadora de hobbies.

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