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Regularização de território quilombolas pode avançar no Paraná

Reunião ocorrida neta semana entre representantes quilombolas, o deputado estadual Goura (PDT) e o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), Alexandre Curi (Republicanos) pode avançar regularização de territórios

Regularização de território quilombolas pode avançar no Paraná
Projeto pode entrar na pauta de votação, segundo Curi, presidente da Alep | Foto: Rafael Bertelli

Desde 2023 tramita na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) projeto de lei que pretende regularizar as comunidades quilombolas do Estado e nesta semana houve reunião entre representantes quilombolas, o presidente da Alep, Alexandre Curi (Republicanos) e o deputado estadual Goura (PDT), que articulou o encontro. A promessa de Curi é de que o projeto vá para a votação em plenário.

O texto, de autoria de Goura e dos deputados estaduais Arilson Chiorato (PT), Dr. Antenor (PT), Renato Freitas (PT), Ana Júlia (PT) e Luciana Rafagnin (PT), determina que o Estado do Paraná “conceda títulos definitivos de propriedade às comunidades remanescentes de quilombos que ocupam terras públicas estaduais, cumprindo o artigo 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal”.

Para ampliar a discussão está prevista uma nova reunião, convocada por Curi, que deve reunir representantes do Instituto Nacional de Colonização Agrária (INCRA), Secretária de Agricultura e Abastecimento (SEAB), Secretaria de Administração e Previdência (SEAP), Instituto Água e Terra (IAT), Superintendência Geral de Diálogo e Interação Social (SUDIS) e Procuradoria Geral do Estado.

Dívida

Para o deputado Goura, o Brasil tem dívida com as comunidades remanescentes quilombolas. “O Estado Brasileiro e o Estado do Paraná têm uma dívida histórica com as comunidades quilombolas e a gente precisa avançar urgentemente na regularização fundiária dos territórios das comunidades. Apenas uma comunidade atualmente é parcialmente titulada, que é a comunidade do Paiol de Telha, no município de Reserva do Iguaçu”, disse.

Nesse sentido, Curi disse que pretende regularizar a situação dos quilombos no Estado. "Eu quero resolver os problemas do Paraná e, se para isso for preciso regularizar as terras quilombolas, pautarei o projeto na Assembleia", declarou.

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A primeira reuniu contou com a representatividade dos quilombolas. Dona Ivone da Costa Rosa, membro da Federação das Comunidades Quilombolas (Fecoqui), o Movimento de Mulheres Quilombolas do Paraná e a Comunidade São João falou que é necessário ter um grupo de trabalho para agilizar a regularização.

“Nossa expectativa é que a aprovação da lei permita a criação de um grupo de trabalho com participação da Fecoqui e das comunidades quilombolas para construir sua regulamentação. Essa é uma pauta que vai muito além da regularização fundiária. Trata-se de justiça histórica, segurança jurídica, fortalecimento dos territórios, preservação da cultura quilombola e da garantia de um futuro digno para as próximas gerações”, afirmou.

Presidente da Associação da Comunidade Quilombola João Surá, que fica no município de Adrianópolis, Joaquim Andrade Pereira, destacou a importância da reunião e falou da luta por regularização na região do Vale do Ribeira.

“Aqui em João Surá, são 57 famílias que vivem aqui na comunidade. E os quilombos que estão hoje reconhecidos aqui em Adrianópolis são 11 comunidades”.

Também acompanharam a reunião membros da Terra de Direitos e outras lideranças quilombolas. A data para o novo encontro ainda não foi definida, mas a ideia é que os pontos previstos no projeto de lei sejam discutidos e que haja articulação para aprovação.

O texto prevê titulação coletiva e pró-indiviso (sem divisão entre os integrantes); regularização de terras devolutas; participação das comunidades e recuperação de áreas ocupadas por grileiros.

“Vale ressaltar que a regularização das terras devolutas em favor das comunidades quilombolas vem ao encontro de uma demanda crescente apontada nos últimos dados populacionais publicados pelo IBGE no Estado do Paraná, onde observou-se que os municípios menores vêm sendo esvaziados. Isso se dá, em parte, pelo êxodo da população jovem, oriunda da área rural, que avança forçadamente em busca de trabalho e melhor renda nas grandes cidades - o que exige a médio e longo prazo, custeio do Estado para compensar perdas e melhorar a qualidade de vida da população diante da exigência de novos equipamentos urbanos, como creches, unidades de saúde e serviços, e os pequenos municípios, quando esvaziados, tendem a ter mais dificuldades financeiras. Visto que as áreas para desenvolvimento socioeconômico nas comunidades quilombolas pelo interior têm sido prejudicadas pela falta de titularidade das terras, o presente projeto de lei visa ainda fortalecer e contribuir para a permanência dessa população no campo, e no desenvolvimento de ações que fortaleçam a economia local”, diz Goura na justificativa do projeto de lei.

Aline Reis

Aline Reis

Jornalista e especialista em Gestão da Comunicação, Assessoria e Marketing pela Universidade Positivo (UP). Mestra em Estudos de Linguagens pela UTFPR. Presidenta do Sindicato de Jornalistas Profissionais do Paraná.

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