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Condenação de Bolsonaro pode encerrar sonho presidencial de Ratinho Jr.

Já está claro que lacuna deixada por Bolsonaro será ocupada por Tarcísio de Freitas, o que deixa a Ratinho a possibilidade de uma eleição fácil para o Senado

Condenação de Bolsonaro pode encerrar sonho presidencial de Ratinho Jr.
Ratinho Jr.. Foto: Tami Taketani/Plural
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A condenação de Jair Bolsonaro (PL) pelo Supremo Tribunal Federal (STF) pode significar também o fim do sonho presidencial de Ratinho Jr. (PSD). O governador paranaense nos últimos meses vem fazendo intensa pré-campanha, apostando que poderia preencher o vazio deixado à direita depois que Bolsonaro se tornou inelegível. Porém, tudo leva a crer que essa lacuna já está devidamente preenchida.

Nas últimas semanas, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo, que vinha sempre negando ser pré-candidato à Presidência, deixou mais claro que nunca os seus planos. Passou dias em Brasília como articulador maior da tentativa de anistia para Bolsonaro e seus cúmplices. Sabe que dificilmente conseguirá grande coisa, que a anistia total é causa perdida, mas usa esse esforço como meio para convencer a família Bolsonaro a apoiá-lo.

O empenho de Tarcísio só faz sentido porque ele é, de fato, candidatíssimo a Presidente. E só estaria esperando Bolsonaro estar de vez fora de jogo, com a condenação a décadas de cadeia, para anunciar suas pretensões. Antes disso, poderia pegar mal, poderia parecer que ele estava queimando a largada e jogando seu padrinho às hienas. Agora, porém, estará livre para fazer campanha.

O próprio Gilberto Kassab (PSD), presidente nacional do partido de Ratinho, já disse que com Tarcísio na jogada não tem pra mais ninguém. Ou seja: que Ratinho só seria presidenciável caso o PSD não tivesse a oportunidade de apoiar alguém com chances maiores de vitória. E esse nome, Kassab não esconde, seria o de Tarcísio.

Pode parecer estranho, afinal Ratinho aparece com números mais ou menos equivalentes aos de Tarcísio nas pesquisas. E, convenhamos, tem alguns ativos importantes - o maior deles sendo o próprio pai, sujeito cheio de dinheiro e que lhe cedeu o direito de usar um dos nomes mais populares do país. Mas o Paraná não é São Paulo, e isso é o que deve decidir tudo.

Tarcísio tem o apoio do capital (a famosa Faria Lima). Tem um estado com mais de 40 milhões de pessoas. Tem o empresariado, a Fiesp. Tem a maior economia do país a seu lado. E não é só. Já ficou claro que ele tem o PL de Valdemar da Costa Neto, além de seu Republicanos. E, pelas falas de Kassab (aliás, seu secretário), tem também o próprio PSD de Ratinho.

Com toda a pré-campanha que fez e ainda fará, Ratinho, porém, ganhou algum renome nacional e sai ainda mais forte (diria, imbatível) para o Senado. E, claro, sempre pode acontecer o famoso fato novo e imprevisível que o devolva à corrida presidencial. Mas, no momento, parece que o mais provável é que ele chegue a Brasília na discreta posição de senador e ex-governante.

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Rogerio Galindo

Rogerio Galindo

Jornalista, um dos fundadores do Plural.

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