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Após três anos de silêncio sobre a venda da Copel, Moro cobra Ratinho Jr. por reajuste de 20% na tarifa

Candidato do PL e seus apoiadores são a favor de privatizações, mas dizem ser contrários a seus efeitos

Após três anos de silêncio sobre a venda da Copel, Moro cobra Ratinho Jr. por reajuste de 20% na tarifa
O senador Sergio Moro: a favor da privatização, mas contra os efeitos / Foto: Podemos/Divulgação
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O senador e candidato ao governo do Paraná Sergio Moro (PL) resolveu tocar em um dos assuntos que mais vem incomodando os eleitores paranaenses: o reajuste de 20,51% nas tarifas de energia elétrica, anunciado em junho pela Copel. O problema é que Moro manteve silêncio sobre a privatização da companhia por mais de três anos – as ações que davam ao governo o controle da Copel foram vendidas em agosto de 2023, sem nenhuma manifestação por parte do senador.

Em pronunciamento no Senado nesta segunda-feira (10), Moro disse que a Copel deveria ter solicitado um reajuste menor ou até mesmo a manutenção das tarifas. “É urgente que a Copel faça os investimentos necessários para evitar essas quedas constantes de luz, para a gente ter energia estável, mas igualmente que reveja esse aumento absurdo de 20% num momento de endividamento”.

Ao mesmo tempo em que cobra "eficiência" e "responsabilidade" da Copel, Moro diz ser favorável às privatizações – processo que levou ao aumento nas tarifas e às constantes quedas de energia registradas no Estado, já que a companhia passou a priorizar o pagamento de dividendos para acionistas desde que foi transformada em corporação.

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Já em pré-campanha, em maio deste ano Moro realizou uma audiência pública no Senado sobre quedas de energia. Ele disse que a Copel, mesmo privatizada, "continua com a obrigação de prestar um serviço de qualidade para o paranaense".

Resta saber como garantir isso, já que o governo de Ratinho Jr. abriu mão do controle acionário e a companhia hoje é comandada por acionistas como GQG Partners LLC e LSV Asset Management, empresas norte-americanas de gestão de investimentos – que não devem ter entre suas prioridades os produtores de tilápia do Paraná que amargaram prejuízos milionários devido às quedas no fornecimento de energia.

Moro também precisa afinar o discurso com seus apoiadores: quatro deputados do PL votaram a favor da privatização em novembro de 2022: Delegado Jacovós, Gilberto Ribeiro, Gilson de Souza e Ricardo Arruda. Mauro Moraes, que era filiado ao União, também votou a favor e se filiou ao PL e abril deste ano.

Tito Barichello, Denian Couto, Flávia Francischini, Matheus Vermelho, Paulo Gomes e Samuel Dantas não eram deputados e novembro de 2022, mas integraram a base de apoio a Ratinho Jr. na Assembleia nos últimos três anos e migraram em abril para o PL – quando o partido tentou se colocar como "oposição" a Ratinho e chegou a virar motivo de piadas entre governistas e oposicionistas.

O discurso de Sandro Alex

No debate entre candidatos ao Governo do último domingo (9), na Band Paraná, Sandro Alex (PSD) foi questionado por Requião Filho (PDT) sobre o reajuste nas tarifas de energia no Estado. Apoiado por Ratinho Jr., Sandro Alex tentou jogar a responsabilidade nas costas da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Moro não discutiu o assunto porque não apareceu no debate.

O discurso governista, inclusive na Assembleia Legislativa, é que o índice foi definido pela Aneel. Não é verdade: as concessionárias de energia elétrica solicitam o reajuste à Aneel, com o envio de todos os custos e investimentos, e à agência reguladora cabe apenas homologar o índice. Se ainda detivesse o controle acionário da Copel, o Governo de Ratinho Jr. poderia ter solicitado um reajuste menor.

Sandro Alex disse ainda que o "povo do Paraná' ainda é controlador da Copel. Não é verdade: o Governo do Paraná detém apenas 15,9% das Ações Ordinárias (com direito a voto), 63,7% estão sob custódia da bolsa de valores e 19,8% pertencem ao BNDESPar (BNDES Participações), segundo a própria Copel.

Venda da Copel vai virar prejuízo

O Governo do Paraná já abriu mão de R$ 717 milhões em dividendos e Juros Sobre Capital Próprio (JSCP) desde a privatização da Copel, o que equivale a 23% dos R$ 3,1 bilhões obtidos com a venda das ações da companhia e 27% dos R$ 2,6 bilhões que entraram no caixa do Governo logo após a venda das ações.

Isso significa que, em oito anos, a venda poderá virar prejuízo: se o ritmo atual de pagamentos de dividendos for mantido, até 2034 o Governo terá deixado de arrecadar um valor superior aos R$ 3,1 bilhões que entraram no caixa com a venda das ações.

Quando isso acontecer, o Governo terá perdido uma fonte de recursos – além de já ter perdido o controle sobre a empresa, o que permite à diretoria da Copel (comandada por Daniel Pimentel Slaviero, pelo irmão do prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel) solicitar um reajuste de 20,51% nas tarifas.

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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