24 maio 2021 - 14h05

Remédio acaba e pacientes são amarrados para intubação em UPAs de Curitiba

Escassez de remédios força profissionais a conter pacientes Covid-19 desacordados e com respiração mecânica invasiva

O estoque de neurobloqueadores utilizados no processo de intubação de pacientes acabou em algumas UPAs de Curitiba neste fim de semana. A situação exigiu que médicos e enfermeiras amarrassem pacientes nas macas para impedir que eles se movimentassem intubados. O Plural apurou que os medicamentos em falta são atracúrio, cisatracúrio e rocurônio usados após a intubação para manter o paciente imóvel.

A reportagem conversou com profissionais das UPAs Campo Comprido e Boa Vista que estiveram presentes no atendimento a pacientes nesta situação. Todos eram pacientes Covid-19 graves com ventilação mecânica invasiva e foram intubados na UPA. Um dos pacientes atendidos chegou a se sentar na cama após a intubação, uma situação de risco enquanto intubado.

Fotos e vídeos da situação dos pacientes foram encaminhadas a reportagem, mas não serão publicadas para preservar a identidade das fontes e dos pacientes (confira abaixo o detalhe de uma imagem, mostrando a amarração de um paciente a maca). No entanto, as imagens mostram pessoas desacordadas, intubadas e amarradas ao leito. Um dos pacientes, um homem jovem aparece no vídeo claramente se movimentando.

Paciente amarrado em maca em uma UPA de Curitiba.

Os neurobloqueadores são usados em pacientes intubados para promover o relaxamento da musculatura, reduzindo o risco de danos as cordas vocais e demais estruturas das vias aéreas. Quando o paciente se movimenta há também o risco de redução da eficácia da ventilação, resultando na redução de seu índice de oxigenação em pacientes Covid-19.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), “desde de 2020 há uma escassez no mercado dos medicamentos neurobloqueadores (usados para evitar movimentos involuntários do paciente intubado), como o fármaco de uso hospitalar Rocurônio. Portanto, há necessidade de uso racional por todos os serviços de saúde, inclusive UTIs hospitalares”.

A secretaria afirma que “não há falta de sedativos usados nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Curitiba para procedimento de intubação”. De fato, os profissionais ouvidos pelo Plural afirmaram terem usado sedativos nos pacientes atendidos, uma vez que a intubação exige que o paciente esteja desacordado, mas os neurobloqueadores, que são outra classe de medicamente, servem a outro propósito: o de impedir movimentos involuntários.

A SMS também afirmou que a contenção mecânica de pacientes “conduta clínica usada em hospitais para evitar a extubação pelo próprio paciente quando está em processo de recuperação da consciência” e que “não há inconsistência clínica na técnica usada”. Informados sobre a resposta, os profissionais que conversaram com o Plural reafirmaram que os pacientes atendidos sem neurobloqueadores não estavam em processo de recuperação de consciência e sim haviam sido intubados durante o domingo e deveriam permanecer em coma induzido.

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9 comentários sobre “Remédio acaba e pacientes são amarrados para intubação em UPAs de Curitiba

  1. Enquanto isso os políticos corruptos embolsam às verbas que foram destinadas a saúde, verbas para combater o covid no Brasil, verbas que poderia salvar milhares de vidas! Vendo isto desejamos que sejam punidos e que seja feita a justiça. Injustiça !!!

      1. qual vc acha? acho que aquele que fala cuestão. kkkk. que usa helicptero da fab pra transportar parentes pro casamento do filho. ou será que a culpa é do PT? que “roubava”? kkk pelo menos o pt “roubava” e o dolar era baixo, salarios maiores, gasolina e gás mais barato, tinha emprego pra mais gente. #voltapt!!

        1. Que ridículo seu comentário!
          Famoso rouba, mas faz semelhante ao Maluf.
          Quem meteu a mão na grana é quem recebeu do Governo Federal e não fez o que tinha que ter feito, ter dado remédio para matar parasitas , vermes etc., nos quais, quem tomou está vivo e quem fala que não serve para nada e negam ficam entubados. Pois é, a língua é o chicote da bunda.

          1. Diga aí dr. gerson, aonde estão os estudos comprobatórios da cura pelos remédios que você fala. Eu conheço pelo menos 10 imbecis que tomaram e acreditaram nos
            “remédios ” e foram entubados. No teu grupelho do zap zap eles não falam isto, né?

  2. Se a informação que o jornal tem é essa, e veio do hospital, seria melhor averiguar por outras fontes. Não acredito que os doentes estejam inconscientes. Sinceramente, duvido!

  3. Diga aí dr. gerson, aonde estão os estudos comprobatórios da cura pelos remédios que você fala. Eu conheço pelo menos 10 imbecis que tomaram e acreditaram nos
    “remédios ” e foram entubados. No teu grupelho do zap zap eles não falam isto, né?

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