Paraná é o estado que mais precisa acelerar ritmo de vacinação, diz estudo | Jornal Plural
18 jun 2021 - 19h52

Paraná é o estado que mais precisa acelerar ritmo de vacinação, diz estudo

Da quantidade mínima de pessoas com duas doses necessárias para conter a pandemia, apenas 17% estão imunizadas

Um estudo publicado pelo grupo de pesquisa interdisciplinar Ação Covid, formado por diferentes universidades, aponta que o Paraná é o estado que tem maior necessidade de aumentar o plano de vacinação para conter a pandemia de Covid-19. De acordo com os dados apresentados, para que os números da doença comecem a retroceder, é necessário que 56,24% da população esteja completamente imunizada, até o fim de abril, data de corte do estudo, apenas 9,72% das pessoas tomaram as duas doses da vacina no estado.

A pesquisa foi feita por pesquisadores de diversas áreas do conhecimento, membros de 13 instituições, dentre eles a professora do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Maria Carolina Maziviero. As estimativas foram realizadas no mês de abril de 2021, comparando os índices da época com dezembro de 2020, janeiro e fevereiro de 2021. Baseando-se no número de casos de Covid-19 confirmados e na cobertura vacinal, abrangendo primeira e segunda dose de imunizantes. 

A pesquisadora Maria Carolina esclarece que o controle da pandemia, ou seja, a diminuição no alastramento do vírus ocorre quando a taxa de transmissão sinaliza que cada pessoa infectada transmite para menos de uma outra pessoa, indicando uma redução do número de infectados, o que eles consideram como R0< 1.  Se a taxa é menor do que um, menos pessoas são infectadas e o número de casos retrocede. Atualmente, nenhum estado brasileiro apresenta R0< 1.

Taxa de transmissão (R) por estado calculada pelo Grupo Ação Covid-19 com base em dados de até 19/05/21.

Ao comparar o mês de abril com os demais momentos avaliados, os pesquisadores concluíram que ainda é alto o número de estados em situação crítica que precisam acelerar o processo de imunização. Muitos teriam que vacinar, pelo menos, mais 25% da população com as duas doses para conter a proliferação do vírus. Os estados que mais se destacaram negativamente nesse aspecto foram Mato Grosso e Tocantins, sinalizando uma piora na situação local. 

Já o Maranhão se mostrou como destaque positivo e, desde dezembro de 2020, apresentou as menores necessidades de imunização entre todos os estados do Brasil. Mesmo que posteriormente tenha tido obrigação de aumentar a vacinação por reflexo da piora no país. A região se mantém abaixo das demais e deverá conseguir conter a pandemia mais rapidamente.

Paraná

O estudo referente a 19 de abril a 19 de maio indica a urgência na necessidade de vacinação no estado do Paraná. O estado vive uma montanha russa de avanço e recuo das taxas de transmissão. No início de março, o estado registrava ocupação de leitos de UTI acima de 95%; o isolamento estava em queda (46% em média); e o número de casos só aumentava. Os pesquisadores mostraram que na metade do mês, o panorama se agravou ainda mais com a taxa de ocupação da UTI chegando a 100%, a falta de oxigênio e vacinas, e a contínua queda no isolamento, que atingiu 35%.

Os especialistas notaram que, após a entrega de novos lotes de vacina e do decreto que definiu mais medidas que restringiam a circulação de pessoas, a situação apresentou sinais de melhoras. O isolamento subiu para uma média de 45% e, no fim do mês de abril, o estado apresentou queda na taxa de contaminação e o menor número de casos da doença desde novembro de 2020.

Porém, após flexibilização das restrições de circulação o número de casos e óbitos aumentaram, o que refletiu na emergência das vacinações, se tornando a maior prioridade de vacinação entre todos os estados brasileiros segundo relatório.

O Paraná precisa vacinar, com as duas doses, 56,2% da sua população para o número de casos começar a retroceder. Até o momento, 9,72% foram imunizados.

Metodologia

O estudo calcula o número de reprodução básico, denominado R0, que corresponde ao número de infecções secundárias causadas por uma pessoa infectada em uma população suscetível ao vírus. O valor do R0 indica uma expansão (R0 >1) ou um recuo na transmissão do coronavírus (R0,<1). O R0  menor do que 1 não representa um controle total da pandemia, mas sim que o número de novos casos está em tendência de redução.

Para calcular o R0, os pesquisadores ajustaram um modelo clássico na epidemiologia, o modelo SIR, que considera três compartimentos para a divisão da população em relação à doença estudada: Suscetíveis (S), Infectados (I) e Recuperados (R). Adicionalmente, eles usaram equações para encontrar os valores ótimos de dois parâmetros do modelo SIR.

Por meio desse método, é possível determinar, aproximadamente, a proporção da população que deve ser imunizada em um período, a fim de resultar em um R0 abaixo do limiar de 1.

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