O Torto fechou? | Plural
31 mar 2020 - 19h03

O Torto fechou?

Proprietário do bar diz que Curitiba “o perdeu”; advogada nega que o estabelecimento tenha fechado e afirma que manifestantes podem ser multados

Na última semana, circularam na internet imagens de um dos estabelecimentos mais conhecidos de Curitiba, O Torto Bar, supostamente fechando. As fotos mostram as paredes, que costumava estar lotadas de quadros, vazias. Na segunda (30), a reportagem do Plural entrou em contato com o proprietário, Arlindo Ventura, em busca de um posicionamento oficial. Ele pontuou: “Vocês não precisam confirmar, já está nas redes sociais”.

O empresário criticou a cobertura midiática do episódio em que agrediu uma cliente, no começo de fevereiro, e depois disse: “Neste momento vocês querem a minha voz, a voz da minha desgraça, do meu fechamento que estão propagando”. Também enviou um texto aos jornalistas relatando sua trajetória pessoal, mas pediu que esse conteúdo não fosse publicado. Finalizou relembrando a Quadra Cultural, evento de rua que promoveu até 2013 no São Francisco, e sentenciou: “A cidade me perdeu – e eu muito mais”.

No dia seguinte à conversa, contatamos a advogada do dono do bar, que negou a informação de que o espaço estaria fechando as portas. “O Arlindo não nos comunicou qualquer decisão sobre o fechamento, ao contrário, afirmou que estava fazendo melhorias no local para melhor atender futuramente. O Torto Bar é um estabelecimento forte, reconhecido e assim deve permanecer”, escreveu Luciana Vaz.

A profissional ainda acrescentou: “É importante ressaltar que temos uma liminar fixando a multa de R$ 1.000,00 (mil reais) por ato de vandalismo ou ilegalidades praticadas contra o bar”. 

Que liminar é essa?

A advogada referia-se à decisão do interdito proibitório com pedido liminar que levou à justiça ainda em fevereiro. 

O documento ao qual o Plural teve acesso argumenta que O Torto é “frequentado por pessoas das mais diversas atuações profissionais, inclusive políticos e personalidades públicas” e afirma que “o proprietário já foi homenageado pela Câmara Municipal de Curitiba e possui bom relacionamento com seus vizinhos, clientes, conhecidos, sendo pessoa benquista pela comunidade”, no entanto vem “sofrendo com as atitudes excessivas de manifestantes que, além de invadir a propriedade privada (turbação da posse), apresentam conduta ilícita ao incitar a violência, ameaçar a vida do proprietário, funcionários e clientes”.

Por fim, pede que o “movimento boicote ao Torto”, seus líderes e aderentes, “se abstenham de realizar manifestação nas dependências do estabelecimento, fixando multa a cada um dos manifestantes identificados no valor de R$ 1.000,00 (mil reais) por ato”. Também pede a “autorização de acompanhamento e REFORÇO POLICIAL em caso de descumprimento da ordem”.

O pedido foi deferido, ou seja, acatado pela magistrada Thalita Bizerril Duleba Mendes. A decisão observa: “Não se restringe a liberdade de expressão e livre manifestação, no entanto, tal não pode ocorrer indistintamente em qualquer espaço, em especial dentro de estabelecimento comercial privado, turbando a posse do imóvel e impedindo o exercício regular da atividade. Eventuais manifestações podem ocorrer em via pública, dentro dos limites legais (diga-se, pacíficas)”. 

Repercussão

A produtora cultural Ana Rivelles, 36 anos, é testemunha ocular da agressão e ajudou a mobilizar uma manifestação no bar no dia 5 de fevereiro. Ao saber do pedido liminar, mostrou-se surpresa. “Não teve nenhum momento em que qualquer ato tenha sido violento ou criminoso. O evento de boicote foi criado por mim, junto com um amigo. Então, o acompanhei desde o início, desde antes de os manifestantes chegarem, desde antes de a imprensa chegar, até a última pessoa ir embora”, disse.

Ana relembra apenas um ato que, na visão dela, pode ter sido interpretado de forma negativa: “A única coisa que teve foi um ato artístico. As pessoas colocaram lixo lá dentro, mas a gente repreendeu esses manifestantes e tiramos todo o lixo de lá, não sobrou um papel de bala”.

Para ela, não há justificativa para o pedido: “Me parece que a situação está sendo totalmente manipulada para ficar a favor dele, quando ele é a única pessoa criminosa e errada em toda a situação. Eu nunca tinha visto essa menina (a vítima) na minha vida, nunca troquei uma palavra sequer com ela, mas ela foi agredida enquanto era segurada pelo namorado. Não vejo nenhuma brecha pra ele se defender e nem motivos pra esse interdito proibitório. Não faz nenhum sentido, é um absurdo”.

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