Grupo mapeia pontos de risco em Curitiba | Plural
22 mar 2020 - 14h10

Grupo mapeia pontos de risco em Curitiba

Dados mostram, com base no fluxo de pessoas e densidade, pontos de risco de contato interpessoal

Quais locais tem maior potencial de contaminação por coronavírus em Curitiba? Um coletivo de profissionais de arquitetura e urbanismo reuniu dados de diversas fontes para mapear esses locais. A análise leva em consideração tráfego passado de pessoas em terminais do transporte coletivo, parques e shoppings.

No transporte coletivo, por exemplo, o estudo mostra que os terminais do eixo Norte/Sul, com exceção do Boa Vista, tem alta propensão de circulação intermunicipal e alta probabilidade de contato interpessoal. Esta última é calculada levando em consideração a relação entre a dimensão do espaço e a quantidade de pessoas.

O transporte coletivo, explica o arquiteto, urbanista e professor da Universidade Positivo, Andrei Mikhail Zaiatz Crestani – idealizador do urbideias – é a maior preocupação no momento, visto que uma parte significativa da população não tem veículo próprio nem consegue migrar para um serviço de transporte individual como o Uber.

Já nos shoppings centers, as informações usadas são de 2019 e, no momento, servem mais como curiosidade e referência para quem precisou estar num desses ambientes, uma vez que o funcionamento desses locais está suspenso por decisão do governo do Estado e da prefeitura de Curitiba. Para o urbideias, os centros com maior potencial são o Jockey Club, no Tarumã, Muller, no Centro Cívico e Palladium, no Portão.

“O que a lógica dos shoppings mostra no mapa, poderia/deveria ajudar ao curitibano pensar sobre os supermercados. Porque estes continuam abertos e atendendo necessidades básicas e certamente com alta procura. Então no mínimo evitar horário de pico (como 12h e 18h, 19h) e dias óbvios de grande fluxo, como fins de semana”, indica.

Por fim, nos parques Andrei acredita que o fluxo de pessoas “não tem a tendência de crescer, mas sim de continuar porque muita gente pode imaginar que estar ao “ar livre” diminui os riscos, o que não é verdade necessariamente já que o vírus tem uma alta resistência em diversas superfícies como asfalto, bancos”.

Junto com outros três arquitetos e um estudante de arquitetura, Andrei mantém um canal no Instagram que veicula informações importantes sobre a cidade e a vida coletiva, especialmente agora com a pandemia de Covid-19. Neste fim de semana o grupo produziu um vídeo explicando a gravidade da situação e nossa relação com ela.

Fazem parte do urbideias os arquitetos urbanistas Frank de Lucca Pineda Lopes, João Ricardo Mac Knight Lemberg e Richard Viana e o estudante de graduação, Lucas Fillipe Massoquetto.

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