Covid e chuva atrasam barragem do Miringuava | Jornal Plural
21 jan 2021 - 18h19

Covid e chuva atrasam barragem do Miringuava

Obra que reforçará o abastecimento de água para Curitiba está apenas 40% concluída e deve ficar pronta só no fim de 2021

As obras para a construção da barragem do rio Miringuava, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), vão atrasar. Parte da construção prevista para estar pronta em dezembro de 2020 foi paralisada pela chuva e pela contaminação por Covid-19 de parte dos operários. A obra da Sanepar, que irá compor o Sistema de Abastecimento Integrado de Curitiba (Saic), deve ficar pronta “até o fim de 2021”.

“A previsão do cronograma oficial da obra para dezembro era de que estivesse concluído 61,39%. A Sanepar havia acelerado o processo numa tentativa de antecipar as obras. Os motivos para a demora foram o registro de um surto de covid-19 entre os operários que trabalham na construção. Também por causa da pandemia, houve atraso no fornecimento de material. Além disso, as chuvas no último bimestre de 2020 interferiram no trabalho de aterramento, uma vez que por questões de segurança essa parte da obra requer teor de umidade muito baixo (até 2%)”, diz a Sanepar, em nota.

Sobre o novo prazo de entrega, a empresa afirma que “até o fim de 2021, a barragem (maciço) estará em condições de operação, e o reservatório em regime de enchimento”, o que era para acontecer neste primeiro semestre de 2021.

Maciço

Por enquanto, foram concluídos 40% do projeto. O que está em execução no momento é a construção do maciço, a estrutura da barragem responsável por reter a água. Ela tem 29 metros de altura (como um prédio de nove andares) e 309 metros de comprimento, “incluindo todas as estruturas auxiliares necessárias para a sua operação e diques norte e sul”.

Segundo a Sanepar, foram construídas as estruturas de concreto armado da galeria de desvio do Rio Miringuava, do vertedor, além da bacia de dissipação.

Meio Ambiente

Sobre a fauna e a flora atingidas pela construção da barragem, a Sanepar acrescenta que vai recuperar 979 hectares de mata (a área do lago corresponde a 257 hectares). “O processo de resgate da fauna e retirada da flora encontra-se em processo licitatório e possui prazo de execução de 1.080 dias após a contratação de empresa especializada”, conclui.

No entanto, ambientalistas contestam que o alagamento dos 4,3 milhões de metros quadrados de área pode afetar drasticamente animais e plantas da região, rica em biodiversidade.

A barragem

Formado pelas barragens Iraí, Passaúna, Piraquara I e Piraquara II, o Sistema de Abastecimento Integrado de Curitiba (Saic) receberá 38,2 bilhões de litros de água do rio Miringuava, que aumentará sua capacidade de produção dos atuais 1 mil litros para 2 mil litros por segundo, abastecendo cerca de 650 mil habitantes da RMC. Ele será capaz de extravasar 178 mil litros de água por segundo.

A construção da barragem teve início em 2017 e já custou aos cofres do Governo do Paraná R$ 160 milhões. O atraso nas obras, porém, não foi o primeiro e já teve até a interferência do Ministério Público do Paraná (MPPR), que multou agentes da Sanepar por permitir que questões burocráticas atrapalhassem o andamento do projeto, que já poderia estar finalizado, segundo o órgão.

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