Anne Hathaway estrela adaptação de um livro de Joan Didion | Jornal Plural
26 fev 2020 - 22h27

Anne Hathaway estrela adaptação de um livro de Joan Didion

“A última coisa que ele queria”, em cartaz na Netflix, tem as duas piores características que um suspense politico pode ter: ele é entediante e atabalhoado

“A última coisa que ele queria” é frustrante. O filme adapta um romance de mesmo nome escrito por Joan Didion, uma das escritoras mais importantes dos Estados Unidos. Como foi produzido pela Netflix, é razoável supor que dinheiro não foi um problema para os envolvidos nesse trabalho. O fato de o filme ser ruim deve ter outra explicação.

A história mostra como a jornalista Elena McMahon se envolve em um esquema de venda de armas militares para grupos revolucionários na América Central. Um esquema que envolve também o pai de Elena. Anne Hathway interpreta a jornalista e merece crédito pelo fiapo de interesse que o filme pode inspirar em quem quiser se aventurar. (Ênfase em “fiapo”.) O elenco, de maneira geral, é maltratado pelo roteiro, enquanto a direção lembra a de um telefilme tosco.

Elena ganhou experiência cobrindo a guerra civil em El Salvador e aceita fazer um último favor para seu pai. Dick, o pai, é um personagem desconjuntado e chega a ser doloroso ver Willem Dafoe passando por um constrangimento desses.

Dick está tentando vender um carregamento de armas para um pessoal barra-pesada na Nicarágua (os Contras, que combatem o governo sandinista no país – uma história longa que é levianamente ignorada pelo filme).

Quando consegue montar o esquema, Dick sofre um piripaque – parece estar com algum tipo de doença neurodegenerativa, – e pede a ajuda da filha. Elena viaja no lugar do pai para encontrar os compradores em algum ponto da América Central (Costa Rica?), mas, chegando lá, eles oferecem drogas e não dólares para pagar pelas armas. A jornalista desconfia do esquema todo e tenta extrair uma reportagem em meio à confusão. Logo, surgem pontos de contato entre os Contras e o governo dos Estados Unidos.

O filme é um thriller político, mas é tão atabalhoado que não consegue narrar direito a história que se propôs a contar. Ele é entediante e malfeito, e a culpa parece ser da diretora Dee Rees, que escreveu um roteiro pavoroso com Marco Villalobos.

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