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Prefeituras da RMC falham em transparência sobre adaptação climática

Prefeituras da RMC avançam em transparência climática, mas maioria ainda está nas faixas “Ruim” e “Péssimo”

Prefeituras da RMC falham em transparência sobre adaptação climática
Prefeituras da Região Metropolitana de Curitiba alcançaram nota média de 40,1 pontos em transparência e governança sobre adaptação climática. | Foto: Tami Taketani / Plural

Nesta terça-feira (25) foi divulgado o Índice de Transparência e Governança Pública (ITGP-M 2026), que avalia os níveis de transparência ativa, integridade e governança nos poderes executivos municipais. A análise feita pela Rede Curitiba Climática (RECC) mostrou que as prefeituras da Região Metropolitana de Curitiba alcançaram nota média de 40,1 pontos, numa escala de 0 a 100, em transparência e governança sobre adaptação climática. De acordo com os dados, a região avançou 10,5 pontos em um ano, mas 57% dos municípios seguem nas faixas “Ruim” e “Péssimo”, o que coloca a RMC no limite mínimo da faixa “Regular”.

A melhor avaliação foi da capital, Curitiba, com 86,0 pontos, que recebeu o índice “Ótimo”. Entre as cidades que aparecem com avaliação regular estão Contenda (53,4), Quatro Barras (49,1), Campo Largo (48,2), São José dos Pinhais (45,6) e Rio Branco do Sul (42,6). Já entre as cidades com nível considerado ruim estão Almirante Tamandaré (39,4), Campina Grande do Sul (34,4), Balsa Nova (33,9), Piraquara (31,9), Araucária (31,4) e Bocaiúva do Sul (27,9). As cidades com índice péssimo são Mandirituba (19,8) e Colombo (17,6).

Mas o índice não revela na prática se os municípios da RMC estão preparados para lidar com a crise climática. O ITGP segue uma metodologia desenvolvida pela Transparência Internacional – Brasil e considera exclusivamente informações públicas disponíveis nos portais oficiais das prefeituras e dos órgãos municipais de meio ambiente e defesa civil.

Ele mede se a informação sobre adaptação climática e gestão de riscos está pública, organizada e acessível. “Esses índices indicam aspectos como participação popular, se o município tem mecanismos de transparência voltados ao clima, se tem conselhos municipais voltados ao tema ou se desenvolvem audiências públicas para discutir a questão climática. Esses indicadores podem inclusive olhar para a comunicação das prefeituras e ver se ela discute até mesmo em suas redes sociais o tema e nesse sentido alguns municípios saem na frente de outros”, explica Carolina Efing, membro da Rede Curitiba Climática.

A Rede Curitiba Climática avalia a transparência climática dos municípios da RMC desde 2025, o que permite comparar os resultados ao longo do tempo. Nesta edição, a nota média subiu de 29,6 em 2025 para 40,1 pontos em 2026 — uma variação positiva de 10,5 pontos.

O avanço foi puxado por cidades como Contenda, que saltou de 21,1 pontos em 2025 para 53,4 em 2026. Já municípios como Almirante Tamandaré (de 42,7 em 2025 para 39,4 em 2026) e Mandirituba (de 25,9 em 2025 para 19,8 em 2026) registraram quedas significativas em suas notas. “No comparativo o índice também serve como um alerta para os gestores, municípios menores registraram avanços, o que deixa claro que as prefeituras da RMC têm espaço para melhorarem suas ações e transparência na questão climática. Esses índices podem muito bem servir como norteadores para criação de políticas públicas sobre o tema”, diz Efing.

Entre as ações que a RECC recomenda que as prefeituras da região estão elaborar e publicar um plano municipal de adaptação às mudanças climáticas, com metas e prazos; divulgar o mapeamento das áreas de risco em linguagem e formato acessíveis a quem mora nelas; manter canal permanente de comunicação de risco e alerta, com informação atualizada da defesa civil; divulgar com antecedência o calendário de audiências e consultas públicas sobre clima e gestão de riscos, e publicar os resultados; garantir o funcionamento efetivo do conselho municipal de meio ambiente, com atas, composição e pauta públicas; e publicar em formato aberto os dados sobre gestão de riscos e desastres.

Julia Sobkowiak

Julia Sobkowiak

Formada em jornalismo pela PUCPR.

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