Na manhã desta quinta-feira (20), o vereador Lórens Nogueira (PP) teve seu mandato cassado pela Câmara Municipal de Curitiba. A decisão foi tomada com 29 votos favoráveis, um contrário, duas abstenções e cinco ausências. O parlamentar era acusado da prática de rachadinha em seu gabinete.
Durante a sessão, a defesa de Nogueira argumentou que o vídeo que circulava nas redes sociais mostrava apenas um empréstimo entre amigos e que não havia provas de infração. Já os vereadores que votaram pela cassação sustentaram que a conduta do parlamentar era incompatível com a postura exigida pela Câmara.
Foram analisadas cinco infrações contra o vereador, incluindo desvio de funções, uso do mandato para benefício próprio e uso das prerrogativas do cargo para coagir funcionários ou outros parlamentares.
Houve também a votação de uma proposta alternativa para substituir a cassação por suspensão de 120 dias, mas foi rejeitada por 30 votos contrários e apenas um favorável — o do próprio vereador.
Processo
O processo contra Nogueira teve início em junho, após a divulgação de um vídeo em que ele aparece recebendo dinheiro de uma mulher. A investigação conduzida pelo Gaeco apontou que o vereador estaria cobrando a devolução de parte do salário dos funcionários de seu gabinete.
Em 13 de agosto, a Comissão Processante 1/2026 aprovou o parecer final do Processo Ético-Disciplinar 2/2026 (PED 2/2026), que apurava quebra de decoro parlamentar. O relator, vereador Da Costa (Pode), concluiu pela procedência da denúncia e recomendou a cassação, decisão que foi confirmada pelo plenário nesta quinta-feira.



Na manhã desta quinta-feira (20), o vereador Lórens Nogueira (PP) teve seu mandato cassado pela Câmara Municipal de Curitiba. | Fotos: Tami Taketani / Plural
Votação e ausências
Para que a cassação fosse aprovada, eram necessários pelo menos 26 votos favoráveis, o equivalente a dois terços do plenário. A votação superou esse número. Estavam ausentes os vereadores Andressa Bianchessi (União), Beto Moraes (PSD), Carlise Kwiatkowski (PL), Dalton Borba (SD), Lorens Nogueira (PP), Píer Pietruzielo (PP), Rodrigo Marcial (NOVO) e Zezinho do Sabará (PSD).
Os vereadores da bancada do Partido Novo, responsáveis pela denúncia: Guilherme Kilter, Indiara Barbosa, Amália Tortato, Éder Borges e Bruno Secco, estavam impedidos de votarem e foram substitutos por seus suplentes.
Consequências
Com a cassação, Lorens Nogueira perde o mandato e os direitos políticos previstos, ficando inelegível por oito anos. A decisão ainda cabe recurso na Justiça. O primeiro suplente do partido, Luciano Carvalho (PP), será convocado para assumir a vaga na Câmara Municipal.