Pular para o conteúdo

Prefeitura cria comitê para gerir crises de comunicação e “desinformação”

Com apenas três integrantes, o secretário da Comunicação e dois diretores da Secom, o grupo pode coordenar as respostas institucionais da prefeitura

Palácio 29 de Março, sede da Prefeitura de Curitiba. (Foto: Tami Taketani/Plural.)
Palácio 29 de Março, sede da Prefeitura de Curitiba. (Foto: Tami Taketani/Plural.)

A Prefeitura de Curitiba oficializou a criação do Comitê Permanente de Gestão de Crises de Comunicação da Prefeitura de Curitiba com a publicação da Portaria nº 7 da Secretaria Municipal da Comunicação Social (Secom) na última quinta-feira (3). As atribuições são coordenar as respostas institucionais da gestão em situações “com potencial de afetar a população, a prestação dos serviços públicos, a imagem institucional ou a confiança na Administração”, como casos envolvendo “conduta de agentes públicos”, “informações falsas” e “desinformação”, além de definir porta-vozes, fluxos para validação e para o compartilhamento das informações, e formatos (nota, entrevista, pronunciamento, atualização periódica ou correção).

Os integrantes desse colegiado são apenas três e todos da Secom: Marc Emmanuel Mendes Marcelino de Sousa, secretário da pasta; Guilherme Luis Voitch, diretor de jornalismo; e Carlos Augusto Schinemann Junior, diretor de comunicação digital. 

A abrangência das ações do Comitê recai sobre as áreas da saúde, da educação, da segurança, da infraestrutura, do meio ambiente, da mobilidade, da assistência social e dos serviços públicos em geral. Também é determinado no texto que as informações sejam obtidas nas áreas técnicas e verificadas antes da divulgação, mantendo a competência técnica dos órgãos das áreas. 

Mas alguns pontos não estão especificados na Portaria. Não há descrição de qualquer critério objetivo do que pode ser considerado desinformação, muito menos se os jornalistas poderão procurar diretamente os servidores ou como será comunicado para o público que o tema está sob coordenação do Comitê. Ainda não está explícito se, nestes casos, agentes públicos serão penalizados por manifestações individuais (nem de que forma). 

Na prática, a atuação dos três integrantes do grupo pode organizar respostas e fluxos. Entretanto, também pode reduzir o contato da imprensa com fontes técnicas, centralizar ou atrasar a divulgação de informações, e definir pela Secom uma versão oficial para fatos.

Pimentel acusa Plural de fake news e erra dado sobre escolas
Prefeito disse que apenas 1500 alunos da rede municipal poderão estudar em escolas cívoc-militares em Curitiba. Na realidade, são 7,8 mil crianças em onze unidades, quase metade das quais com menos de 12 anos

A reportagem do Plural questionou o Comitê Permanente de Gestão de Crises de Comunicação da Prefeitura de Curitiba sobre quem define o que é desinformação, o que são as condutas de agentes públicos enquadradas na Portaria, se os jornalistas poderão continuar falando diretamente com os servidores e sobre punições para quem falar sem ser porta-voz. O jornal também perguntou se a iniciativa segue os princípios de legalidade e transparência da gestão pública e se o Comitê já foi acionado desde 3 de setembro. Até a publicação deste texto, não houve resposta. O espaço continua aberto.

Luciana Nogueira Melo

Luciana Nogueira Melo

Jornalista apaixonada por cultura, moda e turismo. Cursou publicidade, letras, um pedaço de artes cênicas e outro de produção cênica. Já trabalhou com publicidade, produção, como locutora e na TV.

Todas as reportagens

Gostou desta reportagem?

Considere pagar um café para Luciana Nogueira Melo e apoiar o jornalismo independente do Plural. Aponte a câmera do seu banco para o QR Code ou faça um Pix de qualquer valor para a chave abaixo.

32885173000120
Assuntos: Curitiba

Mais em Curitiba

Ver todos

Mais de Luciana Nogueira Melo

Ver todos

Conteúdo de parceiros