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Escolas que vão perder o 6º ano têm mais alunos da educação especial que os colégios de destino

Nas 11 escolas municipais de Curitiba que vão perder o 6º ano, 8% dos alunos dos anos finais são da educação especial; nos 30 colégios de destino, 5,8%.

Escolas que vão perder o 6º ano têm mais alunos da educação especial que os colégios de destino
Foto: Alex Gallegos / Unsplash

As 11 escolas municipais de Curitiba que vão deixar de oferecer o 6º ao 9º ano atendem, proporcionalmente, mais alunos da educação especial do que os colégios estaduais apontados como destino. Segundo o Censo Escolar 2025, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), 296 dos 3.706 alunos dos anos finais das 11 escolas são da educação especial, categoria que reúne estudantes com deficiência, com transtorno do espectro autista (TEA) e com altas habilidades ou superdotação. São 8% das matrículas. Nos 30 colégios estaduais mais próximos delas, são 698 de 12.051, ou 5,8%. Comparando cada municipal com as três estaduais mais próximas, a municipal tem a proporção maior em 31 dos 33 pares.

Os colégios de destino oferecem mais atendimento educacional especializado (AEE) que as municipais, mas têm menos acessibilidade física. Dez dos 30 não têm banheiro acessível a pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, e seis não declaram nenhum recurso de acessibilidade nas áreas de circulação, como rampa, corrimão, piso tátil ou elevador. Todas as 11 municipais têm banheiro acessível.

Como a Plural registrou em 30 de outubro, a Secretaria Municipal da Educação (SME) não apresentou plano específico para os alunos com deficiência, TEA ou altas habilidades das 11 escolas.

Quem são os alunos

Pelo plano da prefeitura, quem já está matriculado entre o 6º e o 8º ano continua na escola municipal até concluir o 9º ano. Os primeiros atingidos são os alunos que hoje estão nos anos iniciais e chegariam ao 6º ano a partir de 2027. Em 2025, as 11 escolas tinham 238 alunos da educação especial em turmas comuns do 1º ao 5º ano. O Censo não informa a série de cada um, por isso não é possível dizer quantos chegam ao 6º ano em cada ano da transição.

A presença desses alunos cresceu. Nas 11 escolas, contando todas as etapas, as matrículas da educação especial passaram de 539 em 2021 para 695 em 2025, alta de 29%, enquanto o total de alunos caiu 13%, de 9.354 para 8.118. A participação subiu de 5,8% para 8,6%. Nos 30 colégios de destino, a educação especial também cresceu, de 745 para 1.331 matrículas, e chegou a 6,1% do total.

O Censo Escolar não separa, por escola, quantos desses estudantes têm deficiência, quantos têm TEA e quantos têm altas habilidades.

Seis das 11 escolas também mantêm classes especiais, turmas formadas só por alunos da educação especial. Em 2025, elas reuniam 122 estudantes, todos nos anos iniciais.

Atendimento especializado de um lado, acessibilidade do outro

O Censo registra se a escola oferece AEE e se tem sala de recursos multifuncionais, o espaço onde esse atendimento costuma ser feito. Nos dois quesitos, as estaduais de destino aparecem mais equipadas:

11 municipais 30 estaduais de destino
Alunos da educação especial nos anos finais 296 (8,0%) 698 (5,8%)
Oferecem AEE na própria escola 4 28
Têm sala de recursos multifuncionais 5 23
Têm banheiro acessível 11 20
Não declaram nenhum recurso de acessibilidade na circulação 0 6
Docentes com formação continuada em educação especial 15,1% 6,4%

Fonte: Censo Escolar 2025 (Inep). A formação dos docentes conta todos os professores de cada escola.

Dois colégios de destino não oferecem AEE nem têm sala de recursos: o Dirce C. do Amaral, na Cidade Industrial, a 411 metros da Albert Schweitzer, e o Olivio Belich, no Cajuru, que aparece entre os três mais próximos da Omar Sabbag e da Durival Britto e Silva.

O caso mais delicado é o da Julia A. Di Lenna, no Barreirinha, que tem o maior número de alunos da educação especial nos anos finais entre as 11 escolas: 36. A escola oferece AEE e tem sala de recursos. Dos três colégios estaduais mais próximos, só um tem sala de recursos, dois não têm banheiro acessível e dois não declaram nenhum recurso de acessibilidade na circulação. A Escola Estadual Maria P. Martins, também no Barreirinha, não tem nem uma coisa nem outra.

Escola Alunos da educação especial nos anos finais % das matrículas dos anos finais Destinos sem banheiro acessível (de 3) Destinos com sala de recursos (de 3)
Julia A. Di Lenna 36 8,6% 2 1
Omar Sabbag 35 7,7% 0 2
Maria Clara B. Tesserolli 33 9,8% 2 1
São Miguel 33 7,4% 0 3
Cândido Portinari 32 5,7% 1 3
Novo CAIC 30 9,9% 0 3
Albert Schweitzer 27 11,9% 1 2
Papa João XXIII 24 8,5% 1 2
Herley Mehl 18 7,3% 1 3
Durival Britto e Silva 16 6,8% 0 2
Erasmo Pilotto 12 6,1% 2 3
Total 296 8,0%

Fonte: Censo Escolar 2025 (Inep). Destinos são os três colégios estaduais com anos finais mais próximos de cada escola municipal.

Na Albert Schweitzer, na Cidade Industrial, quase 12% dos alunos dos anos finais são da educação especial, a maior proporção entre as 11. O colégio estadual mais próximo, o Dirce C. do Amaral, tem 4,4% e é um dos dois destinos sem AEE.

Turmas maiores

A mudança também mexe no tamanho das turmas. Como a Plural mostrou, os 30 colégios estaduais de destino têm hoje 25,8 alunos por turma de 6º ano. Se receberem os 956 alunos de 6º ano das 11 escolas sem abrir turmas novas, a média sobe para 34,5.

Como esta reportagem foi produzida

Os dados vêm dos microdados do Censo Escolar do Inep de 2021 a 2025. A educação especial, como o Censo a define, reúne alunos com deficiência, com transtorno do espectro autista e com altas habilidades ou superdotação. Os números de anos finais e anos iniciais contam só as matrículas em turmas comuns, porque as 11 escolas não têm classes especiais nos anos finais. A série de 2021 a 2024 conta a escola inteira, porque os microdados desses anos não separam a educação especial por etapa. A formação continuada em educação especial é a de pelo menos 80 horas, como o Censo a registra. Oferta de AEE, sala de recursos e acessibilidade são declarados pela própria escola ao Censo e valem para o prédio de cada escola. O Censo não mostra se um aluno recebe AEE em outra unidade. Os colégios de destino são os três colégios estaduais com anos finais mais próximos de cada escola municipal, pela distância em linha reta; como alguns se repetem, são 30 colégios em 33 pares.

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Rosiane Correia de Freitas

Rosiane Correia de Freitas

Jornalista, mestre em educação e fundadora do Plural

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