Moradoras do bairro Sítio Cercado, na região Sul de Curitiba, aproveitaram a presença do prefeito Eduardo Pimentel (PSD) na inauguração do novo Hospital do Bairro Novo, na noite de terça-feira (31 de março), para protestar contra a terceirização dos serviços da Unidade de Saúde Sambaqui, que passou a ser administrada pela Fundação Estatal de Atenção à Saúde (Feas) no fim de 2025.
Segundo elas, os servidores que estavam há anos na comunidade foram substituídos após a terceirização dos serviços e a qualidade no atendimento caiu – como previu o Sindicato dos Servidores Municipais de Curitiba (Sismuc) em novembro do ano passado.
Ângela Maria Fernandes, Lúcia Adélia Fernandes e Ângela Dias da Silva levaram cartazes até a porta do Hospital do Bairro Novo, mas foram impedidas de chegar perto do prefeito Eduardo Pimentel, que participava da inauguração ao lado do governador Ratinho Jr (PSD) e secretários de Estado.

"Não estamos sendo atendidos como nós éramos atendidos antes. Há mais de 18 anos a gente tinha nossos enfermeiros, nossos médicos ali", disse Lúcia Adélia Fernandes. "Saíram todos. Não reduziu o número, só que eles não têm a mesma prática. Antes, conheciam a comunidade, tinham vínculo com a comunidade".
Segundo Lúcia Adélia Fernandes, representantes da comunidade procuraram a Regional de Saúde do Bairro Novo e o Conselho Municipal de Saúde, mas não foram ouvidos. "Tem muitas reclamações. Nós fizemos um abaixo-assinado, mas impediram a gente de colher assinaturas no posto. Expulsaram a gente nosso do próprio posto de saúde".
Ângela Dias da Silva disse que há uma grande rotatividade de funcionários. "Ontem eu descobri que tocaram de médico também. Sem comunicarem a gente".

Em novembro, a A Prefeitura informou que os servidores da Unidade Sadmbaqui seriam remanejados para outras unidades e substituídos por profissionais contratados pela Feas. A Associação de Moradores do Sambaqui acusou a Prefeitura de desrespeitar a Lei de Licitações e a obrigatoriedade de concurso público para contratações.
"Este modelo precariza o atendimento, compromete direitos dos trabalhadores e coloca em xeque a segurança jurídica do serviço público de saúde, expondo os curitibanos aos riscos de um atendimento cada vez mais fragilizado", afirmou a Associação em nota.
A Feas administra três Unidades de Saúde (Rio Bonito, Caiuá e Pilarzinho), quatro UPAs, o Complexo Regulador, a Central de Transporte Sanitário, a Central Saúde Já Curitiba, o Samu e o Centro Curitibano de Atenção Especializada (CCAE).
Segundo o Sismuc, a Unidade Sambaqui faz em média de 150 consultas médicas por dia e 70 a 120 acolhimentos de enfermagem, entre outros procedimentos. A unidade mantém programas de acompanhamento de gestantes, crianças, hipertensos e diabéticos.
