Dados do Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran), da Polícia Militar (PM), apontam que entre janeiro e junho de 2026 Curitiba teve 259 registros de acidentes envolvendo ciclistas. O número indica aumento deste tipo de ocorrência em relação ao ano passado, quando houve 261 acidentes em doze meses.
Grande parte dos acidentes que precisam de atendimento médico são encaminhados para o hospital Universitário Cajuru, 100% do Sistema Único de Saúde (SUS). Neste primeiro semestre de 2026 foram atendidos 180 ciclistas. A maioria deles tem entre 15 e 24 anos e é homem.
Em 2026 foram atendidos 142 homens (78,9%) e 38 mulheres no hospital. A faixa etária de 15 a 24 anos concentrou o maior número de atendimento nos dois períodos: 55 em 2025 e 50 em 2026. As ocorrências registradas pelo BPTran em Curitiba envolveram 627 pessoas no primeiro semestre de 2026, deixaram 111 feridos e resultaram em uma morte. No mesmo período de 2025, foram 634 pessoas envolvidas, 125 feridos e um óbito.
A vulnerabilidade do ciclista ajuda a explicar a diversidade e a gravidade das lesões que chegam à emergência. O médico emergencista do Hospital Universitário Cajuru, Guido Bergamin, aponta o traumatismo craniano como uma das principais preocupações, principalmente quando o ciclista não utiliza capacete. Fraturas de mão, antebraço e cotovelo também são frequentes, muitas vezes associadas ao reflexo de apoiar as mãos e os braços durante a queda.

“Há traumas característicos do mecanismo do acidente. O impacto contra o guidão ou o quadro da bicicleta pode atingir as regiões pélvica e púbica, além das regiões genital e perineal. Por isso, entender como o acidente ocorreu é fundamental para identificar possíveis lesões que não são evidentes na avaliação inicial”, explica Bergamin.
Além dos traumas identificados na emergência, o impacto da queda pode provocar diferentes lesões ortopédicas. Segundo o ortopedista dos hospitais Universitário Cajuru e São Marcelino Champagnat, Eduardo Novak, punho, cotovelo, ombro e clavícula estão entre as áreas mais afetadas. “Ao cair, a pessoa tende a colocar as mãos à frente do corpo para se proteger. Nesse movimento, a força do impacto pode provocar lesões no punho, no cotovelo, no ombro e na clavícula”, pontua.
Quando o impacto é mais intenso, as consequências podem exigir cirurgia e uma recuperação mais longa. Fraturas desviadas no punho e lesões no cotovelo, no ombro e na clavícula estão entre os quadros de maior gravidade. “Nos acidentes com veículos de duas rodas, o joelho é o para-choque, que acaba recebendo parte importante do impacto. Dependendo da gravidade, o paciente pode precisar de internação prolongada”, alerta Novak.
