Alunos do curso de medicina da Universidade Positivo (UP), de Curitiba, atacaram colegas que votaram em Lula por meio de mensagens preconceituosas, ofensivas e elitistas em grupo de aplicativos de mensagens. A instituição disse, por meio da assessoria de imprensa, que “repudia qualquer tipo de preconceito”.
As ofensas foram feitas no dia 25 de outubro, logo depois da vitória de Lula (PT) contra Flávio Bolsonaro (PL). Uma estudante comemorou o resultado e a partir de então começou a ser alvo de ofensas.
“Como uma pessoa dessa vai ser médica?”, diz uma mensagem. Outra: “Vc é burra”, “Faz medicina e manda isso!!!” e “Te falta muita inteligência querida”. Outro aluno pergunta como ela vai ser médica e completa que ela “vai matar todos os pacientes”.
Há também mensagens que torcem para que ela não termine o curso. “Até 2030 essa não chega”, diz uma. “Ela não chega até lá. Se Deus quiser”, responde outra. Uma terceira deseja que ela perca a bolsa do Prouni. Os prints ainda registram palavrões e ofensas de cunho sexual dirigidas à estudante.
Renda, peso e bandidos
Parte das mensagens ataca a origem social de quem votou em Lula. “Nossos pais tem [sic] dinheiro e não precisa de ex presidiário pra bancar faculdade”, escreve um aluno, com diversos erros gramaticais. Outro manda “Lembrem do amor de vcs / Pra atender pobre”. Em outro grupo, uma estudante avisa a uma colega: “Vc tá na particular só pra te avisar”, depois de dizer que quem quiser militar deve ir para uma universidade federal.
Uma aluna pergunta “para que ela recebe o Bolsa Família dela” e compartilha uma montagem com uma casa de taipa e a frase “20 anos votando no PT”. Um aluno escreve que petistas costumam “roubar o celular junto”. Outro diz que a “comunidade do lado da UP” soltou “fogos de comemoração (vulgo tiros)” e critica colegas por terem “orgulho de estar do mesmo lado de bandidos”.
As ofensas também miram o corpo das alunas. “As gorda [sic] achando que vai ter bolsa monjaro kkkkkkkkk” recebeu cinco reações de risada. Um meme compartilhado no grupo diz que a pessoa “já estaria magra” se treinasse com a mesma intensidade com que defende Lula.
Votos de morte ao presidente
O presidente também é alvo. “Em breve ele infarta”, escreve um aluno, mensagem que recebeu três reações de mãos em prece. Outro compara Lula a uma “bactéria resistente” que “não morre nunca”. Um terceiro diz que “de dentro do caixão” ele vai parar de prejudicar o país, “que assim seja kkkkk”.
Num dos grupos, um aluno avisa a uma das estudantes que ela deve preparar dinheiro porque “vai chegar um processo” para ela. Os prints não mostram que processo seria esse.
O caso foi encaminhado para o Ministério Público do Paraná (MPPR), por meio de uma denúncia anônima. A coordenação do curso e a universidade também foram acionadas, mas estudantes ouvidos pelo Plural relatam delonga na tomada de alguma atitude.

Em nota, a Universidade Positivo falou que “até o momento, não recebeu relatos sobre o caso por seus canais oficiais e, para que os fatos possam ser formalmente apurados, convida quem tiver informações a registrá-las”. A informação, todavia, não procede, já que a coordenação do curso recebeu um email sobre a situação no dia 3 de novembro às 10h15, conforme confirmado pelo Plural.
A UP destacou ainda que “está à disposição para acolher e orientar os estudantes que se sentirem afetados pela situação”.
A instituição afirmou ainda que “repudia qualquer forma de discriminação, intolerância ou desrespeito e tem como compromisso um ambiente plural, pautado pelo respeito às diferenças, à diversidade de pensamento e à convivência democrática”.
A Universidade também está à disposição para acolher e orientar os estudantes que se sentirem afetados pela situação.
Veja os prints:















Outros casos
Em Maringá alunos do curso de medicina da UniCesumar também usaram grupos de WhatsApp para ofender eleitores do presidente Lula. Neste caso, foram enviadas mensagens de conteúdo nazista, no dia 25 de outubro.
Diferente do que ocorreu na UP, já no dia 30 de outubro a UniCesumar concluiu a sindicância e expulsou quatro alunos, além de advertir e suspender outros “de acordo com a gravidade de cada conduta apurada”, conforme explicou por meio da assessoria de imprensa.
A instituição também afirmou que tem “compromisso com a ética, a responsabilidade, o respeito à vida e os valores que orientam a formação de seus estudantes” e que “repudia veementemente qualquer forma de discriminação ou preconceito”.
