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Fim do 6º ano nas escolas municipais aumenta até R$ 2,5 mi por ano pagamento a terceirizadas do Parceiro da Escola

Nove dos 30 colégios estaduais mais próximos das 11 escolas municipais estão no Parceiro da Escola, que paga às empresas por aluno. Em 2027, o 6º ano pode render de R$ 476 mil a R$ 660 mil a mais; a partir de 2030, até R$ 2,5 milhões por ano.

Estudantes uniformizados jogam vôlei numa quadra coberta por tela, com prédio escolar ao fundo
Alunos de colégio estadual em imagem divulgada pelo governo do Paraná sobre o Ideb dos colégios do programa Parceiro da Escola | Foto: SEED/AEN
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Cada aluno das 11 escolas municipais de Curitiba que perdem o 6º ao 9º ano e for matriculado num colégio estadual do programa Parceiro da Escola aumenta o pagamento da empresa que administra o colégio. Pelas regras do programa, a Secretaria de Estado da Educação (Seed-PR) paga às empresas um valor mensal por matrícula, que hoje vai de R$ 127,38 a R$ 279,68. Nove dos 30 colégios estaduais mais próximos das 11 escolas estão no programa, administrados pelas empresas Tom, Impulso e Apogeu.

A conta foi feita pela Plural com as regras publicadas pela Seed e o número de alunos de cada escola no Censo Escolar 2025. Se a turma do 6º ano de cada escola municipal for para o colégio estadual mais próximo, as empresas do Parceiro recebem R$ 476 mil a mais já em 2027. Se os alunos forem divididos igualmente entre os três colégios mais próximos, o valor sobe para R$ 660 mil. Quando a transição terminar, em 2030, o acréscimo chega a R$ 1,9 milhão por ano no primeiro caso e a R$ 2,5 milhões no segundo. Somados, os quatro anos de transição rendem de R$ 4,6 milhões a R$ 6,3 milhões. Daí em diante, o valor se repete todo ano enquanto os contratos estiverem em vigor.

Como a Plural mostrou, a Secretaria Municipal da Educação (SME) informou às escolas que não abrirá matrículas no 6º ano em 2027, no 7º em 2028, no 8º em 2029 e no 9º em 2030. A escola estadual de cada aluno só será conhecida em 23 de novembro, quando a indicação aparece na Área do Aluno da Seed-PR. Até lá, não há como saber quantos dos 956 alunos que hoje ocupam o 6º ano das 11 escolas irão para colégios do Parceiro. Por isso, os valores desta reportagem são estimativas, feitas a partir de dois cenários.

Como a empresa é paga

O Parceiro da Escola foi criado pela Lei estadual 22.006, de 2024. Nos colégios do programa, uma empresa privada assume a gestão administrativa: pelo edital, isso inclui recursos financeiros (exceto os repasses federais), limpeza, merenda, secretaria, funcionários e manutenção do prédio. A empresa também contrata parte dos professores, com carteira assinada (CLT). O projeto pedagógico continua com a Seed, e os professores concursados seguem pagos pelo Estado. Pela lei, a remuneração da empresa segue um "custo médio de referência" que leva em conta, entre outros pontos, o porte do colégio e o tipo de oferta.

A Resolução 5.784/2024 da Seed transforma isso em fórmula. O pagamento tem duas partes. A primeira é um valor fixo por aluno, chamado de Custo Referencial I, "multiplicado pelo número de matrículas". A segunda é um valor por hora, multiplicado pela carga horária de aulas que a empresa assume com professores próprios. Merenda, energia elétrica, água e internet continuam a cargo do Estado e não entram no repasse.

O valor por aluno depende do grupo em que o colégio foi classificado e de ele ter ou não tempo integral. A tabela em vigor é a da Resolução 5.519/2025, publicada no Diário Oficial em 6 de outubro de 2025:

Grupo Sem tempo integral (R$ por aluno/mês) Com tempo integral (R$ por aluno/mês)
Grupo 1 172,41 279,68
Grupo 2 142,36 252,04
Grupo 3 127,38 193,32

Fonte: Resolução Seed 5.519/2025.

O edital de credenciamento das empresas, o Chamamento Público 17/2024, detalha o pagamento. Ele é feito todo mês, durante os 12 meses do ano. Dele, 90% são fixos e 10% dependem do desempenho do colégio em frequência, Ideb e Prova Paraná Mais. O número de matrículas usado no cálculo é "atualizado e informado trimestralmente" pela própria empresa e validado pela Seed, a partir do cadastro de alunos da rede estadual. O edital também proíbe a empresa de recusar matrícula ou selecionar alunos.

Em termos práticos, um aluno a mais num colégio do Grupo 3 sem tempo integral, como o Protásio de Carvalho, na Cidade Industrial, rende R$ 1.528,56 por ano à empresa. No Homero B. de Barros, no Capão Raso, que está no Grupo 1 e tem tempo integral, o mesmo aluno vale R$ 3.356,16 por ano.

Os nove colégios

Entre os 30 colégios estaduais que ficam mais perto das 11 escolas municipais (três para cada uma), nove estão na lista oficial do Parceiro da Escola publicada pela Seed em maio de 2026.

Colégio estadual Bairro Empresa Grupo Tempo integral R$ por aluno/ano Mais próximo de
Natália Reginato Cajuru Tom 2 não 1.708,32 Durival Britto (1º), Omar Sabbag (1º)
Olivio Belich Cajuru Tom 3 sim 2.319,84 Durival Britto (2º), Omar Sabbag (2º)
João de Oliveira Franco Fanny Apogeu 1 não 2.068,92 Maria Clara Tesserolli (1º)
Homero B. de Barros Capão Raso não informada 1 sim 3.356,16 Maria Clara Tesserolli (2º)
Maria A. Teixeira Capão da Imbuia não informada 3 sim 2.319,84 Durival Britto (3º)
Algacyr M. Maeder Bairro Alto Impulso 3 sim 2.319,84 Erasmo Pilotto (2º)
Branca do N. Miranda Vila Tingui Impulso 2 não 1.708,32 Erasmo Pilotto (3º)
Santa Gemma Galgani Abranches Impulso 3 sim 2.319,84 Julia A. Di Lenna (2º)
Protásio de Carvalho CIC Impulso 3 não 1.528,56 São Miguel (2º)

Fontes: lista de instituições do Parceiro da Escola (Seed, maio de 2026); empresa por colégio: resultados de Ideb e Saeb do programa (Seed, outubro de 2026); grupo e tempo integral: Chamamento Público 17/2024 e sua republicação de 2025; valores: Resolução 5.519/2025. A posição (1º, 2º, 3º) indica a distância em linha reta até a escola municipal.

A Durival Britto e a Omar Sabbag, ambas no Cajuru, são os casos em que o Parceiro mais pesa. Os três colégios estaduais mais próximos da Durival Britto estão no programa. Os dois mais próximos da Omar Sabbag também, e o terceiro, o Júlio Mesquita, aparece como cívico-militar no cadastro de escolas da Seed. Segundo o Censo Escolar 2025, as duas escolas municipais somam 194 alunos no 6º ano e 689 do 6º ao 9º.

O colégio mais próximo das duas é o Natália Reginato. Se todos esses alunos forem para lá, o colégio recebe 194 estudantes a mais em 2027 e 689 em 2030. No edital de 2024, o Natália Reginato tinha 763 matrículas, ou seja, o número quase dobraria. Só esse colégio somaria R$ 331 mil por ano para a Tom em 2027 e R$ 1,18 milhão por ano a partir de 2030. A Seed não publicou o número de vagas de 6º ano por colégio.

Os dois cenários

Cenário 1: cada turma vai para o colégio mais próximo. Só três escolas municipais têm um colégio do Parceiro como o mais próximo: Durival Britto e Omar Sabbag (Natália Reginato) e Maria Clara Tesserolli (João de Oliveira Franco). Nesse caso, 264 alunos iriam para colégios do programa em 2027 e 1.026 em 2030.

Cenário 2: os alunos se dividem igualmente entre os três colégios mais próximos. Nesse caso, 312 alunos entram em colégios do Parceiro em 2027 e 1.182 em 2030, distribuídos pelos nove colégios.

Ano Séries que deixam de ter matrícula nas municipais Alunos em colégios do Parceiro (cenário 1) Acréscimo no pagamento por ano (cenário 1) Alunos em colégios do Parceiro (cenário 2) Acréscimo no pagamento por ano (cenário 2)
2027 6º 264 R$ 476 mil 312 R$ 660 mil
2028 6º e 7º 493 R$ 893 mil 575 R$ 1,22 milhão
2029 6º ao 8º 761 R$ 1,39 milhão 887 R$ 1,90 milhão
2030 6º ao 9º 1.026 R$ 1,87 milhão 1.182 R$ 2,53 milhões
Total 2027-2030 R$ 4,63 milhões R$ 6,31 milhões

Estimativa da Plural com o número de alunos por série nas 11 escolas no Censo Escolar 2025 e os valores por aluno da Resolução Seed 5.519/2025. Considera só o pagamento por aluno e o valor integral da parte variável.

Os dois cenários não esgotam as possibilidades. Pelo comunicado da SME, a Seed vai indicar o colégio estadual "tendo como referência a localização da escola municipal atualmente frequentada e/ou a residência da família". Alunos que moram longe da escola municipal podem ir para colégios fora dessa lista, com ou sem o Parceiro. As famílias ainda podem pedir troca de escola entre 9 e 14 de dezembro.

O que a conta não inclui

Os valores acima consideram só a parte do pagamento ligada ao número de alunos. A segunda parte, paga por hora de aula dada por professores contratados pela empresa, também tende a crescer: mais alunos significam mais turmas, e mais turmas exigem mais horas de aula. Essa parte não foi estimada, porque depende de quantas turmas serão abertas em cada colégio e de quantas aulas a Seed vai atribuir a professores da empresa. Para comparar: no edital de 2024, essa segunda parte representava cerca de R$ 2,1 milhões por ano só no Natália Reginato, mais que o pagamento por aluno do colégio.

A estimativa também supõe que cada nova turma de 6º ano tenha o mesmo tamanho das turmas de 2025 e que os valores da tabela não sejam reajustados até 2030. Ela considera o pagamento integral da parte variável, que depende das metas: se o colégio não as cumprir, a empresa recebe até 10% a menos.

Dois colégios entraram sem o voto da comunidade

Dois dos nove colégios, o Homero B. de Barros e o Maria A. Teixeira, entraram no Parceiro em 2026 sem aprovação da comunidade escolar. Na consulta pública de 17 e 18 de novembro de 2025, o comparecimento foi de 30,12% no Homero e de 36,27% no Maria A. Teixeira, abaixo do mínimo exigido, que é a maioria absoluta dos eleitores aptos a votar. Pelo Edital 138/2025 da Seed, as duas consultas terminaram com "quórum não atingido". Mesmo assim, o Edital 139/2025 incluiu os dois colégios no programa a partir de 1º de janeiro de 2026, com base em "critérios objetivos": a observação do diretor em sala de aula, no caso do Homero, e a nota na Prova Paraná Mais e a observação do diretor, no Maria A. Teixeira.

Na mesma consulta, quatro outros colégios da lista dos 30 mais próximos rejeitaram o programa: Dirce C. do Amaral, Ernani Vidal, Gelvira Correa Pacheco e Hildegard Sondahl. Os quatro tiveram resultado "não aprovada".

Como foi feito o levantamento

A Plural listou os três colégios estaduais mais próximos, em linha reta, de cada uma das 11 escolas municipais que deixarão de oferecer o 6º ao 9º ano, usando as coordenadas das escolas no Censo Escolar 2025, do Inep. A lista foi comparada com a relação oficial de instituições do Parceiro da Escola, publicada pela Seed-PR em maio de 2026.

O grupo de cada colégio e a existência de tempo integral vêm do Chamamento Público 17/2024 da Seed e de sua republicação de 2025. Os valores por aluno são os da Resolução Seed 5.519/2025, e as regras de cálculo, da Resolução 5.784/2024 e do item 17 do edital. A empresa responsável por cada colégio consta dos relatórios de Ideb e Saeb do programa publicados pela Seed em outubro de 2026.

O número de alunos por série nas 11 escolas é o do Censo Escolar 2025. A estimativa supõe que cada turma que deixa de ser aberta na rede municipal tenha o mesmo tamanho da série correspondente em 2025 e considera só a parte do pagamento calculada por aluno. Os resultados da consulta pública vêm dos Editais 138/2025 e 139/2025 da Seed.

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Rosiane Correia de Freitas

Rosiane Correia de Freitas

Jornalista, mestre em educação e fundadora do Plural

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