Dados contabilizados pelo Centro de Controle Operacional (CCO) da Urbanização de Curitiba (URBS) apontam que, em 2025, foram registrados 24 casos de importunação sexual em linhas de ônibus da capital paranaense. Já entre os meses de janeiro e março de 2026, foram registrados 8 casos.
Além dos dados da URBS, a Guarda Municipal informou que, em 2025, registrou 43 casos de importunação sexual no transporte coletivo. Já em 2026, foram registradas 10 ocorrências e realizada duas prisões.
Na última semana, o Plural recebeu o relato de Ana (nome fictício), uma passageira do transporte público que sofreu assédio dentro do ônibus da linha Centenário–Campo Comprido, por volta das 21h30, quando voltava da faculdade.
No relato, a jovem conta que um homem sentou ao seu lado e começou a passar a mão em sua perna. Num primeiro momento, Ana não entendeu o que estava acontecendo, mas ao perceber a ação pediu que o homem se afastasse. Diante do incômodo da passageira, outros usuários interferiram e ajudaram a jovem. Ana relata que apenas os passageiros a auxiliaram e que, mesmo diante da confusão, o motorista não interferiu no que ocorria dentro do ônibus.
Ao Plural, a URBS informou que todos os ônibus da frota dispõem de um botão, de uso exclusivo do motorista, que deve ser acionado quando ele identifica uma situação de importunação sexual. A solicitação é atendida diretamente por um agente de fiscalização lotado no posto avançado da URBS no CCO da Muralha Digital, sendo posteriormente tratada pela Guarda Municipal.
Além da falta de auxílio durante o episódio, a jovem disse ter enfrentado dificuldades para registrar um boletim de ocorrência, já que não sabia os dados de seu assediador. Mesmo tendo gravado o ocorrido em vídeo e tirado uma foto do agressor, Ana afirma que não conseguiu formalizar a denúncia por não saber o nome dele.
O caso de Ana, não é um registro isolado do que mulheres sofrem dentro do transporte coletivo pelo Brasil. A pesquisa ‘Percepções e experiências das mulheres quando se deslocam pelas cidades’ realizada pelo Instituto Patrícia Galvão e Locomotiva, com apoio da Uber, aponta que 3 a cada 4 mulheres relatam já terem sofrido assédio ou importunação sexual em algum meio de transporte.
Como denunciar
A Polícia Militar do Paraná orienta que, em casos de assédio ou violência, a ocorrência deve ser comunicada imediatamente pelo telefone 190 ou diretamente a uma equipe policial presente no local. A denúncia pode ser feita tanto pela vítima quanto por testemunhas.
Se o fato for constatado posteriormente, a vítima deve procurar uma delegacia para registrar o boletim de ocorrência ou utilizar o Aplicativo 190, disponível para Android e iOS.
A PMPR reforça que é importante registrar o caso mesmo sem os dados do agressor, acionando a Polícia Militar ou comparecendo a uma delegacia da PCPR.
A Guarda Municipal orienta que a vítima comunique imediatamente o motorista ou cobrador para que acionem o botão de emergência. Os ônibus da capital são equipados com um dispositivo de importunação sexual no console do motorista, que deve ser utilizado quando houver assédio nos veículos.
A GM destaca ainda a importância de acionar as autoridades policiais pelo telefone 153 (Guarda Municipal) ou 190 (Polícia Militar), registrar boletim de ocorrência, identificar testemunhas e pedir apoio a outros passageiros para confirmar a situação.