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Coletivo com 74 entidades cobra prefeitura de Curitiba sobre corte de árvores na Arthur Bernardes

Entidades pedem cópia de licenças para corte, inventário florestal, cronograma da obra e atas de reuniões com a comunidade

Coletivo com 74 entidades cobra prefeitura de Curitiba sobre corte de árvores na Arthur Bernardes
Prefeitura de Curitiba cortou mais de 100 árvores no fim de semana: Foto: colaboração
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Um coletivo com 74 organizações da sociedade civil e movimentos sociais encaminhou à prefeitura de Curitiba dez questionamentos a respeito do corte de 105 árvores na parque linear da Avenida Arthur Bernardes no último fim de semana. O ofício foi enviado pelo Instituto SustentAção para a secretária do Meio Ambiente, Marilza Dias, presidente do Conselho Municipal do Meio Ambiente.

O SustentAção destaca que moradores dos bairros Santa Quitéria, Vila Izabel e Seminário, além de entidades de defesa ambiental, tentaram dialogar com a prefeitura e o IPPUC desde 2024, a fim de debater alternativas para a obra do Novo Inter 2. A entidade define como "autocrática" a postura da gestão de Eduardo Pimentel (PSD), que reiniciou os corte no último sábado (16 de maio).

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"O sentimento de traição foi amplamente repercutido pela imprensa local, que noticiou como o poder municipal agiu 'em cima da hora', valendo-se de liberações de última hora da Secretaria do Meio Ambiente para efetuar os cortes sem qualquer aviso prévio ou respeito ao compromisso de transparência com as lideranças comunitárias", diz o ofício.

As entidades solicitaram o envio de cópias de atas de reuniões com a comunidade, licenças de supressão vegetal, inventário florestal, autorização no sistema do Ibama e relação nominal dos responsáveis da prefeitura e das empreiteiras responsáveis pela intervenção. O prazo para o encaminhamento das respostas é de 20 dias, conforme a Lei de Acesso à Informação.

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O documento cita ainda respostas contraditórias por parte da prefeitura, o que revelaria falta de planejamento. Em resposta a um pedido de informação, a prefeitura afirmou que "as obras do canteiro central e do parque linear serão realizadas e concluídas simultaneamente ao cronograma do atual pacote", sem citar necessidade de nova licitação. Em outra resposta, informou que "as obras do canteiro central e do parque linear serão licitadas no 2º semestre de 2026".

"Essa contradição oficial escancara uma grave falta de planejamento: árvores maduras estão sendo sacrificadas neste exato momento para a implantação de um 'Parque Linear' que sequer possui processo licitatório aberto", diz o ofício encaminhado à Secretaria Municipal do Meio Ambiente. "A supressão antecipada deixará um rastro de destruição e um 'vazio urbano' por tempo indeterminado". A prefeitura se comprometeu a plantar 8,4 mil mudas no novo parque linear.

Os pedidos

Seguem os pedidos feitos pelas 74 entidades à prefeitura de Curitiba:

1 - Atas de Diálogo com a Comunidade: cópia integral de todas as atas e as listas de presenças de reuniões, conversações, audiências públicas ou encontros oficiais realizados entre esta Secretaria;

2 - Licenças de Supressão Vegetal: cópia de todas as Autorizações para Supressão de Vegetação (ASV), licenças ambientais e laudos técnicos que embasaram e autorizaram a derrubada das árvores iniciada no sábado;

3 - Processos no Sinaflor: cópia integral de todos os processos e registros inseridos no sistema Sistema Nacional de Controle da Origem dos Produtos Florestais (Sinaflor), do Ibama. O Sinaflor é uma plataforma para controle, autorização e rastreamento de corte e supressão de vegetação;

4 - Inventário Florestal: cópia do inventário florestal detalhado de todas as árvores que já foram cortadas (incluindo as do fim de semana) e das que têm o corte previsto;

5 - Responsabilidade Técnica e Gestão: relação nominal, cargos, e dados de contato profissional dos responsáveis técnicos, gestores e fiscais da prefeitura e das empreiteiras terceirizadas envolvidos em cada etapa da intervenção;

6 - Esclarecimentos sobre o Cronograma e Licitação do Canteiro Central/Parque Linear: por qual razão a supressão do canteiro central está sendo executada imediatamente, se o projeto de revitalização sequer teve seu edital de licitação publicado; cópia do cronograma físico-financeiro atualizado que demonstre o nexo temporal entre as obras viárias atuais e as futuras intervenções paisagísticas; qual empresa/consórcio possui a outorga legal e contratual para intervir no do canteiro central;

7 - Esclarecimentos à Comissão de Acompanhamento e aos Consegs (Conselhos Comunitários de Segurança) Seminário, Vila Izabel e Santa Quitéria, membros da Comissão de Acompanhamento das Obras do Lote 1, sobre os bloqueios e intervenções ambientais com impacto direto nos bairros;

8 - Balanço de GEE e Estudo Climático: apresentação do cálculo técnico contendo o balanço de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) e a relação entre carbono e oxigênio decorrentes da supressão do maciço arbóreo em todos os trechos das obras, incluindo modelagem de projeção e mitigação solicitada em audiência pública para os cenários de 2030 e 2050;

9 - Intervenção em Áreas de Preservação Permanente (APP): apresentação das licenças ambientais específicas, estudos topográficos e laudos técnicos que autorizaram intervenções e corte de vegetação no raio de restrição (30 a 50 metros) dos cursos d'água presentes no canteiro central; apresenteação de laudo que comprove se houve supressão de espécies legalmente protegidas;

10 - Rastreabilidade, Transporte e Destinação Final da Madeira Suprimida: Apresentação de cópia integral das licenças e guias de transporte florestal emitidas (Documento de Origem Florestal - DOF ou Guia de Transporte de Produtos Florestais - GTPF) indicando o volume exato mensurado em metros cúbicos extraído da via, a identificação das empresas ou veículos responsáveis pela remoção e o relatório informando o destino final legal dado a toda a madeira.

Quem assina o ofício

1 – Instituto SustentAção

2 – BrCidades

3 – Comissão Nacional dos Direitos Humanos, Minorias, e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados

4 – SOS Arthur Bernardes

5 – Coletivo 1 milhão de árvores

6 – Instituto Nhandecy

7 – Frente das Organizações de Proteção Animal do Paraná

8 – Tecnosfera/UFPR - Laboratório de Pesquisas em Espaço, Tecnologia e Sociedade

9 – Máquina de Ativismos em Direitos Humanos (UFPR)

10 – Observatório de Justiça e Conservação - OJC

11 – REA PARANÁ - Rede de Educadores Ambientais do Paraná

12 – Associação de Ciclistas do Alto Iguaçu

13 – CEPPUR/UFPR - Centro de Estudos em Planejamento e Políticas Urbanas

14 – PLANTEAR/UFPR - Planejamento Territorial e Assessoria Técnica Popular

15 – Centro de Estudos Musseque Brasil-Angola para o Direito à Cidade

16 – MTD-Curitiba

17 – FOPS/PR

18 – Associação Amigo Animal

19 – Assemente - Associação Semente Para Todos

20 – Instituto Salve Abelhas

21 – AMP - Articulação Mobilidade Popular

22 – Instituto Aumigão

23 – Associação Adote Com Consciência

24 – Instituto Socioambiental Fica Comigo

25 – Instituto Lixo Zero

26 – Grupo de Pesquisa Direito à Cidade, Gestão Democrática

27 – Fórum de Defesa dos Direitos dos Animais

28 – Movimento SOS BICHO de Proteção Animal

29 – AMA-JB - Associação dos Moradores do Jardim Botânico

30 – Associação de Moradores e Guardiães das Nascentes do Rio Pequeno

31 – ARUA - Associação Ritmo Urbano e Arte

32 – Grupo de Estudos e Pesquisa GENTES/UTFPR: Educação, Tecnologia Social e Formação de Educadores

33 – Grupo de Estudos e Pesquisa em Trabalho, Educação e Tecnologia/UTFPR

34 – LADIME/UFPR - Laboratório Dinâmicas Metropolitanas

35. Coletivo Advogadas e Advogados pela Democracia (CAAD)

36 – Marcha Mundial das Mulheres do Paraná

37 – CEFURIA - Centro de Formação Urbano Rural Irmã Araújo

38 – Coletivo Soylocoporti

39 – Levante Popular da Juventude

40 – Associação da Comunidade Ecológica Chácaras Graciosa

41 – Desmilitariza - Filhos Roubados, Mães Dizimadas

42 – Mais Respeito, Menos Violência!

43 – Observatório do Uso de Agrotóxicos e Consequência para a Saúde Humana e Ambiental no Paraná

44 – APP/PR Sindicato

45 – Aporãete/Coletivo Território Sagrado

46 – Tekoa Ywy Djú/Território Sagrado Floresta Estadual Metropolitana de Piraquara

47 – Instituto Internacional ARAYARA

48 – Coletivo de Luta Popular de Londrina

49 – Paraná Lixo Zero

50 – LABOGEO/UFPR - Laboratório Pedagógico de Geografia

51 – Associação Recreativa Cultural Assistencial e Educacional - Amigos do Garibaldis e Sacis

52 – Observatório das Metrópoles - Núcleo Curitiba

53 – Grupo de Pesquisa e Combate ao Karoshi/UTFPR

54 – LABOCLIMA/UFPR - Laboratório de Climatologia

55 – IDP - Instituto Democracia Popular

56 – Rede Curitiba Climática (RECC)

57 – Instituto Jaguarapira

58 – Coletivo Khubata de Desenvolvimento Sustentável para Comunidades de Terreiro

59 – Comitê Verde de Curitiba

60 – Mater Natura - Instituto de Estudos Ambientais

61 – NESC/UFPR - Núcleo de Estudos em Saúde Coletiva da UFPR

62 – Belahortinha

63 – Coletivo EKOA

64 – MUSA - Movimento Urbano Sócio Ambiental

65 – Associação Global Shapers Hub Curitiba

66 – Daniele Biondo Crocetti - Conselheira Estadual do Meio Ambiente pela Sociedade Civil e Conselheira FNMA - Fundo Nacional do Meio Ambiente/Região Sul

67 – CEDEA - Centro de Estudos Defesa e Educação Ambiental

68 – EKOA - Núcleo de Pesquisa e Extensão em Direito Socioambiental da UFPR

69 – Instituto Iguassu Ambiental

70 – Laboratório de Natureza, Sociedade e Desenvolvimento da UFPR

71 – PPGMADE/UFPR - Programa de Pós-Graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento da UFPR

72 – LAHURB/UFPR - Laboratório de Habitação e Urbanismo da UFPR

73 – AMAR - Associação de Defesa do Meio Ambiente de Araucária

74 – TOXISPHERA - Associação de Saúde Ambiental

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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