A Música em alta no Oscar 2019 | Jornal Plural
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25 fev 2019 - 0h00

A Música em alta no Oscar 2019

O colunista Daniel Derevecki analisa os resultados musicais do Oscar 2019

America first? Não, humanity first. Com discursos endereçados ao presidente Trump e sua “Muralha” de Game of Thrones, a cerimônia de entrega do Oscar 2019, ocorrida neste domingo em Los Angeles, mostrou que a arte e os artistas caminham ao lado dos direitos e do respeito às raças, crenças e de tudo aquilo que nos faz humanos. Foi uma noite que consagrou filmes cujas temáticas traziam debates sobre questões raciais, de gênero e sociais. Entre eles: Pantera Negra, Infiltrado na Klan, Bohemian Rhapsody, Roma e Green Book, que levou a estatueta de melhor filme.

Como de costume, o aspecto musical da festa foi grandioso. Ao invés do tradicional monólogo de abertura (confesso que senti falta dos tempos do Billy Crystal), o público vibrou com um show do Queen. Brian May e Robert Taylor mostraram que músicos de ponta só melhoram com o passar dos anos. Adam Lambert ficou com a posição de vocalista, enquanto imagens de Freddy Mercury passavam no telão. Foram duas músicas apenas, We Will Rock You e We Are The Champions. Curto, direto e eficiente.

Durante a cerimônia, a orquestra sob o palco, mostrada de vez em quando na transmissão oficial de tevê, tocou temas consagrados do cinema, como A Pantera Cor de Rosa. Depois, a Filarmônica de Los Angeles, regida pelo venezuelano Gustavo Dudamel, executou um tema de John Williams para homenagear os nomes do cinema que faleceram no último ano.

Melhor Canção

Um dos momentos mais aguardados com relação à música foi a execução da canção “Shallow”, cantada por Bradley Cooper e Lady Gaga e que, mais tarde, seria anunciada como a vencedora do Oscar de Melhor Canção Original. A exibição dos dois foi impecável e a ambientação criada na transmissão televisiva contribuiu para isso.

Normalmente, quando se apresentam as músicas concorrentes, as câmeras mostram a performance no palco colocadas a partir da plateia. Com essa canção não foi assim, o espectador foi posto dentro do palco, numa clara alusão à sensação que o artista tem ao se apresentar diante de uma plateia, com a luz nos olhos e o frio na barriga que se tem ao tocar a primeira música de um show.

Vou descrever o que vi. A cortina se abriu e roadies levaram o piano e os adereços para o palco, tudo isso mostrado por uma única câmera, como se você estivesse andando junto com eles. Ao chegar perto do piano, viu-se o momento em que os dois cantores saíram da primeira fila da plateia e subiram ao palco.

Cooper cantou a primeira parte da música. Ele não é cantor, percebeu-se isso de imediato, mas sua voz não desagradou, muito pelo contrário. Depois, Lady Gaga e seu timbre metalizado encheram o teatro. O ponto alto foi o momento em que ele deu a volta ao redor do piano e sentou ao lado esquerdo dela para fechar o dueto. Só por esses elementos a performance já seria difícil de esquecer, mesmo se o espectador assistisse com o volume baixo.

Melhor Trilha Sonora 

Essa parece ter sido uma disputa difícil, porque havia concorrentes ótimos e com linguagens muito diferentes. No final o prêmio foi para Pantera Negra, trilha composta pelo jovem Ludwig Góransson, de 34 anos, indicado pela primeira vez. Seu trabalho é notável pela mistura perfeita entre os músicos da Orquestra de Londres e os instrumentos étnicos e cantores africanos que gravaram a trilha.

O mundo criado para Wakanda, país fictício altamente desenvolvido por conta do vibranium, casa do rei/herói Pantera Negra, exigia uma trilha sonora que mostrasse toda a sua imponência. Não resta nenhuma dúvida de que Góransson conseguiu esse feito.

E o Queen?

Bohemian Rhapsody faturou dois prêmios importantíssimos quando se fala de um filme que tem a intenção de recriar a trajetória de uma banda e de um cantor sem comparações. Edição de Som (que tem relação com a captura de todo o áudio do filme) e Mixagem de Som (que é a mistura disso tudo) foram merecidamente conquistados.

Como já era de se esperar, Rami Malek não ficou apenas com as próteses dentárias usadas para deixá-lo mais parecido com Freddy Mercury; levou também a estatueta de Melhor Ator.

No mais é só estourar a pipoca, subir o som e curtir essas ótimas trilhas e canções.

Melhor Trilha Sonora (Pantera Negra, de Ludwig Góransson)

Melhor Canção Original (“Shallow” – Nasce Uma Estrela)

Melhor Edição de Som e Melhor Mixagem (Bohemian Rhapsody)

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