Um homem, uma mulher e a esperança | Plural
6 jun 2019 - 11h24

Um homem, uma mulher e a esperança

Marcelo Almeida fala sobre dois livros do casal Obama e recomenda: compre já!

Olá!

Escrever sobre livros é muito gostoso pois é uma maneira de compartilhar algo pessoal e até íntimo, já que nossas leituras dizem muito sobre nós. Hoje não vou falar de um livro só, mas vou recomendar logo dois títulos, já que estamos no Plural… Eu li o primeiro deles em 2007 e até hoje trago aprendizagens maravilhosas.

A Audácia da Esperança é a história da trajetória pessoal e da carreira política do ex-presidente americano Barack Obama até sua chegada ao Senado. Para mim, é um livro que mostra como podemos começar o processo de mudança da nossa política e da nossa vida cívica.

Obama fala sobre a adrenalina do debate, o calor humano da multidão e a experiência do aperto de mãos entre desconhecidos. Lembro de um trecho que vale a pena compartilhar com você: ele vai até uma agência de marketing político; o publicitário, numa altura da reunião, recomenda que Obama não tente sair candidato à presidência dos Estados Unidos e enumera três razões para convencê-lo:

  • Você é meio americano e meio africano;
  • A cor da sua pele;
  • Seu nome lembra o nome do terrorista que foi mentor do 11 de Setembro.

Osama bin Laden… De fato, Osama e Obama são nomes muito parecidos.

Graças a Deus o publicitário era – na minha opinião – de segunda linha e tinha uma visão míope da política e até do eleitor americano.

Sempre tive comigo que Barack Obama foi o maior estadista do mundo neste começo do século XXI. Agora tenho mais certeza ainda. No fim do mês de maio, tive a oportunidade de ouvi-lo falar por uma hora para uma plateia de dez mil pessoas, em São Paulo. Quando ele entrou no palco e o vi pessoalmente, pensei que é possível, sim, ter a audácia da esperança. Me emocionei por estar ali, diante de um ser iluminado. Ele é educado desde a forma de andar. Seu corpo fala, acredite!  É um líder de pessoas e de sonhos.

Era um bate-papo. Obama respondeu 12 perguntas durante 60 minutos.

O entrevistador perguntou: Qual foi o seu pior dia como presidente? Barack Obama respondeu que foi quando ele soube de um atentado em que muitas crianças foram mortas por um atirador. Ele sabia que precisava ir até lá para oferecer apoio às famílias. A situação o perturbava muito por duas razões: a idade das vítimas era próxima da idade das filhas dele e ele sabia que, mesmo com a força da presidência, só podia oferecer um abraço quando o que ele queria mesmo era oferecer o banimento das armas. Porém tinha consciência de que o Congresso e boa parte da opinião pública americana são a favor do armamento.

Foi uma fala linda.

Outra resposta que me impressionou foi à pergunta sobre uma professora que o marcou. Ele disse que teve uma professora importantíssima. Quando voltou aos Estados Unidos depois de morar algum tempo na Indonésia, tudo nele dizia que era um estrangeiro, da roupa que vestia ao jeito que comia. Então uma professora passou a orientá-lo na readaptação para que ele deixasse de ser o “patinho feio”, para que se reintegrasse e desenvolvesse seu potencial.

Outra fala que me impressionou foi sobre a mãe dele, Ann Dunhann. Obama disse que ela foi a pessoa mais importante da vida dele. “Eu não tive meu pai por perto. Minha mãe sempre me disse que eu podia me tornar o que quisesse e acreditei nisso. Tive minha mãe e tive muita sorte na vida, por isso que me tornei presidente.”

Ele contou que se preocupou muito com as filhas, que cresceram dentro da Casa Branca. Se perguntava se o poder, o glamour e a blindagem em torno da família presidencial iriam influenciar as meninas. Hoje ele está convencido de que elas se tornaram mulheres maravilhosas, educadas e felizes. Elas têm uma vida tranquila e normal, o que o faz crer que a experiência de estar no centro do poder não afetou Malia e Sasha.

A outra resposta que me marcou foi sobre educação. Obama disse sonhar que o ensino nos Estados Unidos e no Brasil também fosse como na Finlândia, onde é dificílimo se tornar professor. Mas um professor na Finlândia ganha mais que um médico. Achei isso muito bacana.

Por fim, como estava falando em um evento de tecnologia da informação, ele disse que e-commerce, aplicativos e outras novidades são muito bacanas, mas que temos que ter em mente que vão gerar desemprego e não podemos virar as costas para isso.

O segundo livro do casal Obama que eu recomendo é Minha História, a autobiografia da Michelle. Vá comprar agora! Com ele, eu consegui entender o peso e a influência que ela tem na vida desse homem que eu admiro. A autobiografia é um livro irretocável do ponto de vista da estrutura e da linguagem. Michelle fala de uma maneira tão simples e contagiante que dá vontade de telefonar para ela e convidá-la para passar um dia conosco aqui em Curitiba. Dá vontade de encher a plateia do Guairão ou do Teatro Positivo, entregar o palco para ela e pedir que semeie esse “jeito Obama” de ser.

A Audácia da Esperança. Barack Obama. Editora Larousse do Brasil, 400 págs. R$ 50.

Minha História. Michelle Obama. Editora Objetiva, 464 págs, R$ 100.

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