Integrar - para não entregar | Plural
9 jul 2019 - 7h00

Integrar – para não entregar

Camargo fala do atual retrocesso ambiental no país para lembrar que em um passado recente houve avanços sociais na região amazônica

Como foi noticiado, o desmatamento da Floresta Amazônica cresceu mais de 88% em junho na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o segundo mês consecutivo de aumento do desmate no governo Jair Bolsonaro. Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o desmatamento totalizou 920 quilômetros quadrados.

Ainda das proezas do governo: os dados que apontam aumento de 88,4% são preliminares, mas indicam que a cifra anual oficial, baseada em imagens mais detalhadas e mensurada durante os 12 meses transcorridos até o final de julho, está a caminho de superar o número do ano passado. O desmatamento já atingiu 4.565 quilômetros quadrados nos 11 primeiros meses, um aumento de 15% em relação ao mesmo período de 2018.

Depois de ler a notícia, há quem, estarrecido com as façanhas do supremo mandatário, tenha puxado pela memória, voltando no tempo: em 2010, um comercial da Caixa Econômica na TV mostrava, entre outras imagens, uma embarcação. Cena rápida, mas o suficiente para chamar a atenção. Qual a razão da presença daquele vagaroso barco na propaganda? O pioneirismo.

A Caixa anunciava que os clientes que viviam em localidades às margens do Rio Solimões passariam a ser atendidos por uma embarcação. E foi em Manaus o lançamento da primeira agência bancária flutuante do país, para cobrir uma área de 124 quilômetros quadrados às margens do Solimões, entre a capital do Amazonas e a cidade de Coari. A agência da Caixa Econômica Federal passaria, no trajeto, pelos municípios de Iranduba, Manaquiri, Manacapuru, Anamã, Beruri, Anori e Codajás, que somavam 253 mil ribeirinhos.

O objetivo da agência itinerante da Caixa era prestar atendimento a populações com dificuldades de acesso a serviços básicos e, assim, promover desenvolvimento socioeconômico e inclusão bancária. Além de oferecer todos os serviços bancários, a agência daria suporte a ações nas áreas de saúde, educação e proteção ambiental.

Mais: o barco agência foi batizado com o nome do seringueiro e ativista ambiental Chico Mendes. A agência, com capacidade para 65 funcionários, contava com infraestrutura de iluminação, ar condicionado, comunicações, manutenção e segurança, incluindo o monitoramento de imagens e sistema de localização e rastreamento.

Era o primeiro passo, já que a Caixa utilizaria os dados da experiência para expandir o atendimento flutuante a outras áreas da Amazônia. Com esse objetivo, estudos diagnosticaram 15 calhas de rios, nos diferentes estados da Bacia Amazônica, que futuramente também seriam atendidas pela agência itinerante.

 

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