Confiar nas urnas já foi algo perigoso | Jornal Plural
11 nov 2020 - 15h58

Confiar nas urnas já foi algo perigoso

Está chegando a hora do voto: 15 de novembro. Segundo turno? Dia 29 – com máscara, caneta, mas, felizmente, livre de (muitas) trapaças de tempos atrás

Breve diálogo numa fila à espera do busão e, é claro, por conta das batalhas eleitorais em curso:  

– Essa vai ser uma eleição diferente. Tem que usar máscara e, mais importante, levar caneta.  

– Não entendi… Voltamos à cédula de papel?  

– Culpa da tal Covid-19. É pra evitar a propagação do vírus. Nada de chegar lá e pedir emprestado a caneta do mesário ou do vizinho na fila.  

– Ah, tudo bem, sem problema. Eu ainda tenho uma BIC azul em casa… Com um pouquinho de tinta, mas quebra o galho.  

O adeus à caneta tinteiro  

Por conta das eleições e suas formalidades, há quem tenha pesquisado a origem da caneta esferográfica, muito famosa, popular, mas pouco conhecida neste aspecto.  

Foi em 1884 que Lewis E. Waterman patenteou a invenção. As canetas esferográficas, do modelo usado atualmente, surgiram em 1937 graças ao húngaro Lásló Bíró, que se baseou em uma caneta que não borrava e cuja tinta não secava no depósito, como ocorria com a velha caneta-tinteiro.  

O adeus à urna de lona  

As urnas eletrônicas começaram a ser usadas no Brasil em 1996, quando 32% dos eleitores votaram usando o (estranho) equipamento – e, para muitos, altamente suspeito. Quatro anos depois, o país sepultaria de vez as antigas urnas de lona.  

Mas até 1996, a apuração de votos no Brasil era manual – e, conforme o local, o processo consumia horas, dias e até semanas. Como tudo era manual, abundavam erros e trapaças.  

Os principais trambiques, segundo registros da época:  

– Preenchimento de cédulas com votos em branco para beneficiar um candidato.  

 – Votos nulos interpretados ao gosto de quem fazia a leitura, além da subtração e inclusão de cédulas.  

As urnas “emprenhadas”  

Havia ainda o golpe das urnas emprenhadas. Como elas tinham apenas um cadeado e lacres de papel, muitas delas já chegavam grávidas à seção eleitoral, ou seja, recheadas de votos.  

Eleições e políticos na opinião de gente que merece crédito.  

 Carlos Drummond de Andrade:  

– A diferença entre um estadista e um demagogo é que este decide pensando nas próximas eleições, enquanto aquele decide pensando nas próximas gerações.  

Winston Churchill:  

– Se os porcos pudessem votar, o homem com o balde de comida seria eleito sempre, não importa quantos porcos ele já tenha abatido no recinto ao lado.

Orson Scott Card, escritor:  

– O pobre é esquecido pela sociedade, mas bem lembrado em época de eleição.  

Valter Bitencourt Júnior, poeta e escritor baiano:  

– Não há nada de errado com aqueles que não gostam de política, simplesmente serão governados por aqueles que gostam.

Este texto é de responsabilidade do autor/da autora e não reflete necessariamente a opinião do Plural.

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