Assim na terra como no mar | Plural
16 jul 2019 - 7h00

Assim na terra como no mar

Camargo fala sobre os problemas ambientais provocados pelo plástico

Texto de Ana Justi, aqui do nosso Plural, comenta que julho mal começou, “mas talvez você já tenha visto circulando pelas redes sociais a #JulhoSemPlástico. Mundialmente conhecido como Plastic Free July, o movimento global busca conscientizar e diminuir o uso de plástico descartável”. E acrescenta:

– Inspiradas pela ideia, cinco amigas se reuniram para montar um projeto de conscientização. “A ideia era aproximar as pessoas do grande problema ambiental que é o plástico de uso único, mostrando que podem mudar hábitos, enxergando o problema de maneira fácil e sem culpa”, explica Lorena Mello Rodrigues, que tem uma loja de itens alternativos aos descartáveis. Intitulado ECOnveniente, o trabalho busca dar dicas, tirar dúvidas, e trazer informação de confiança sobre o tema”.

Mais plástico do que peixes

A propósito do lixo que nos ameaça, alguém recorreu a outro texto, de Victoria Gill, da BBC News. Trechos:

– A vida moderna é inimaginável sem os plásticos. Eles estão em praticamente todos os produtos tecnológicos que caracterizam a civilização atual. A lista é infindável: computadores, celulares, televisões e até contêineres e assentos de privada, afora produtos descartáveis como talheres, pratos, canudos, garrafas, boias, cordas, embalagens, cotonetes e redes de pesca. Não há dúvida de que é um produto útil, durável e versátil. Mas também é incontestável que os plásticos são uma praga ambiental, que contamina todo tipo de ambiente na Terra. Apenas nos oceanos, estima-se que sejam despejados 8 milhões de toneladas de plástico a cada ano.

– Segundo dados divulgados pela ONU, 80% de todo o lixo marinho é composto por plástico e a estimativa é que em 2050 a quantidade de plásticos na água supere a de peixes. Para se ter uma ideia, hoje a presença de microplásticos nos mares já superam a quantidade de estrelas na galáxia.

– Nas mais diversas plataformas, as pessoas tentam diariamente lembrar e alertar dos riscos desse problema ao meio ambiente, incentivando uma vida mais saudável e uma prática sustentável no dia a dia. Segundo o Greenpeace UK, a cada ano são despejados nos oceanos cerca de 12,7 milhões de toneladas de plástico, desde garrafas e sacos plásticos até canudos. A designer Cristal Muniz, do blog Um ano sem lixo, lembra que o maior impacto negativo dessa poluição é a ingestão desses resíduos pelos animais.

– O consumo dessas embalagens plásticas, como garrafas PET, impede que os animais mergulhem profundamente, impossibilitando-os de caçar e até de comer. “Quando se perde animais de uma cadeia alimentar equilibrada, você aumenta a quantidade de animais que serviam de caça para aquele que diminuiu, consequentemente reduzindo a comida dos predadores”, completa Cristal.

– O cenário ideal, para ela, é uma vida com a produção de menos lixo e a utilização de produtos circulares, ou seja, aqueles que podem ser reutilizados e reciclados, sem virar lixo após o uso. Pequenas mudanças no dia a dia podem representar uma grande melhora no futuro.

– O lixo pode ser dividido em três grandes categorias: reciclável, orgânico e de rejeito. O primeiro é aquele que pode ser transformado em um novo material utilizável e, no caso do plástico, muitos não se enquadram na categoria (caso dos canudos e das sacolas plásticas). Para piorar a situação, atualmente apenas 18% das cidades brasileiras possuem coleta seletiva.

– O orgânico é aquele que deveria ser compostado, ou seja, ser transformado em adubo. Já a última categoria, como o próprio nome já diz, são aqueles que não podem ser reciclados ou compostados de nenhuma maneira, ou seja, são de rejeito. Nessa categoria ficam os adesivos, papel higiênico, absorventes e até as fraldas descartáveis. O único destino desses itens é o aterro sanitário.

O problema é que, apesar da coleta seletiva e da ação de muitas empresas para separar o lixo, a maior quantidade é dividida apenas entre reciclável e de rejeito, tirando, portanto, a possibilidade do reaproveitamento por meio do adubo.

No aterro sanitário, a decomposição dos resíduos orgânicos é inadequada, por ser este um ambiente anaeróbico (sem a presença de oxigênio). Além disso, os aterros contribuem para o risco de contaminação da água e do solo e geram produção do gás metano (um dos responsáveis pelo agravamento do efeito estufa). “Produzir lixo orgânico que vai para o aterro sanitário é tão ruim quanto produzir lixo reciclável que não vai pra reciclagem”, afirma Cristal.

Cristal propõe 5 medidas por parte do governo que ajudariam a melhorar esse cenário:

1. Lei que proíba os plásticos descartáveis, por corresponderem a cerca de 40% de todo plástico já produzido.

2. Incentivos fiscais para o desenvolvimento e a pesquisa de plásticos que não sejam provenientes de petróleo, mas sim compostáveis e biodegradáveis.

3. Melhorar os sistemas de coleta e reciclagem nas cidades.

4. Criar/incentivar sistemas de compostagem nas cidades.

5. Proibir a produção do que não é reciclável/compostável.

 

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