Alexandre Curi (Republicanos) e Deltan Dallagnol (Novo) disputam voto a voto a atenção dos paranaenses no Google, muito à frente dos outros sete candidatos ao Senado. Mas interesse de busca não é intenção de voto — e boa parte da procura por nomes de projeção nacional, como Gleisi Hoffmann, pode nem ser sobre a corrida estadual.
O Paraná elege dois senadores em 2026, e nove nomes estão na disputa. Para medir quem desperta curiosidade, a Plural levantou o volume de buscas de cada candidato no Google Trends, restrito ao estado, nos últimos três meses. O índice vai de 0 a 100 e é relativo: mostra quem é mais procurado em relação ao topo, não o número absoluto de buscas.
No acumulado do trimestre, Curi aparece no teto da escala (100) e Deltan logo atrás (88) — um empate técnico na liderança, já que a diferença cabe dentro da margem de ruído desse tipo de medição. Depois vem um segundo bloco, bem abaixo: Gleisi Hoffmann (43), Cristina Graeml (33) e Filipe Barros (26). Mais atrás aparece o ex-deputado Dr. Rosinha (16), e, com procura mínima no estado, Marcelo Marcelino (PCO), Karen Guerreiro (Missão) e Joaquim, do MLB (UP).
| Candidato | Partido | Índice de busca (3 meses) |
|---|---|---|
| Alexandre Curi | Republicanos | 100 |
| Deltan Dallagnol | Novo | 88 |
| Gleisi Hoffmann | PT | 43 |
| Cristina Graeml | PSD | 33 |
| Filipe Barros | PL | 26 |
| Dr. Rosinha | PT | 16 |
| Marcelo Marcelino | PCO | 8 |
| Karen Guerreiro | Missão | 4 |
| Joaquim (MLB) | UP | ~0 |
Todo mundo em alta — porque a campanha começou
A leitura mais reveladora não está no ranking, e sim no formato da curva. Até o fim de julho, praticamente ninguém buscava esses nomes no Paraná: as linhas ficam coladas no chão. É a partir de agosto — quando a propaganda eleitoral começa e o dinheiro dos fundos cai nas contas — que a procura dispara para todos ao mesmo tempo.
Na subida, Curi e Deltan têm a inclinação mais forte e se descolam do pelotão nas últimas semanas. Mas o movimento é geral: Gleisi, Graeml e Filipe Barros também sobem, só que mais devagar. Ou seja, o que o gráfico mostra não é um candidato "estourando", e sim o despertar tardio de uma campanha que, no buscador, só existe de fato há poucas semanas.
O que a busca não mede
O dado precisa ser lido com cuidado, e por mais de um motivo. O primeiro: procurar um nome no Google não é votar nele. O Trends capta quem gera notícia e curiosidade — inclusive negativa —, não quem tem preferência do eleitor.
Isso fica evidente quando se filtra a busca por termos de intenção eleitoral. Ao acrescentar a palavra "senador" ao nome, o ranking vira de cabeça para baixo: quem mais aparece é Gleisi Hoffmann, seguida de Filipe Barros e Deltan — enquanto Curi, líder isolado na busca pelo nome cru, praticamente some. É um indício de que boa parte da procura por "Alexandre Curi" tem a ver com sua atuação como presidente da Assembleia Legislativa, não com a candidatura ao Senado.
O mesmo vale para os nomes de projeção nacional. Gleisi Hoffmann é ministra das Relações Institucionais e ex-presidente do PT; Deltan ficou conhecido como procurador da Lava Jato. Muitas dessas buscas nascem de fatos da política federal, sem relação com a disputa paranaense — o buscador não distingue o eleitor decidido do internauta que só viu o nome no noticiário.
Há ainda um sinal mais próximo da decisão de voto: a busca por "nome + número" — o gesto de quem quer descobrir o número para digitar na urna. O volume é pequeno, porque a dois meses da eleição pouca gente já foi ao Google decidir voto. Mas o pouco que existe é eloquente: "Deltan número" lidera com folga, seguido de "Gleisi número"; para todos os outros — inclusive o líder da busca crua, Curi — o volume é zero. Entre os paranaenses que já procuram o número para votar, quem aparece é Deltan, não Curi.
Ficha técnica
Dados do Google Trends coletados em 2 de setembro de 2026, com filtro geográfico para o Paraná (BR-PR), na janela de três meses. O índice de 0 a 100 é relativo ao candidato mais buscado e não representa número absoluto de pesquisas. Como o Trends compara no máximo cinco termos por vez, os nove candidatos foram medidos em grupos com um nome-âncora comum e reescalados para uma tabela única. Foram testadas variações de grafia para evitar subestimar nomes (por exemplo, "Dr Rosinha" no lugar de "Dr. Rosinha"), além de termos de intenção eleitoral — "nome + senador" e "nome + número". O gráfico agrega a série diária por semana para reduzir ruído.