Um grupo de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tentou realizar uma vigília na Igreja São Francisco de Paula, no Centro de Curitiba, na noite desta terça-feira (25). O ato pela anistia de Bolsonaro e outros condenados por tentativa de golpe de Estado foi convocada por Cristina Graeml, candidatura à Prefeitura de Curitiba no ano passado. Os manifestantes discutiram com o padre e sugeriram que ele descumprisse uma ordem do arcebispo de Curitiba.
Horas antes, o arcebispo dom José Antônio Peruzzo havia determinado que as igrejas não permitissem a realização da manifestações políticas. Embora não haja um documento formal com a proibição, a ordem dada foi para que nenhuma outra paróquia acolhesse eventos semelhantes. O Plural entrou em contato com a Cúria Metropolitana de Curitiba nesta quarta-feira (26), mas não houve retorno, e fica à disposição de um eventual posicionamento.
Um vídeo feito pelo repórter fotográfico Luís Pedruco mostra o momento em que o padre fecha o portão. Um homem sugere que alguém irá "para o inferno" por causa de decisão de fechar a igreja e em seguida tenta "explicar" ao pároco o que é o catolicismo. Uma apoiadora do Bolsonaro diz que, depois das "mortes de cristãos na Nigéria", os fiéis agora são impedidos de entrar na igreja. Outra diz que o padre deveria descumprir a ordem do arcebispo. Veja o vídeo:
Bolsonaristas sugerem que padre descumpra ordem do arcebispo de Curitiba | Vídeo: Luís Pedruco
Outras imagens mostram os bolsonaristas orando com a presença de Cristina Graeml. A pré-candidata, que tenta impulsionar seu nome entre a extrema direita para disputar uma vaga no Senado em 2026 pelo União Brasil, convocou a vigília na segunda-feira (24), nas redes sociais. para pedir anistia aos golpistas e baderneiros condenados pela tentativa de golpe de Estado após a vitória do presidente Lula (PT) nas eleições de outubro de 2022, que culminou com a depredação das sedes do três Poderes em Brasília no dia 8 de janeiro de 2023.
Ela parece ter se inspirado na ideia do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que convocou uma vigília que seria realizada na frente da casa do pai, em Brasília. A convocação de Flávio Bolsonaro e a violação da tornozeleira eletrônica por Jair Bolsonaro levaram a Polícia Federal a pedir a prisão do ex-presidente, cumprida na manhã de sábado (24) por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Na noite de terça-feira, a Primeira Turma do STF seguiu a posição de Moraes por unanimidade e encerrou o processo, sem a possibilidade de novos recursos. Com isso, Bolsonaro passou a cumprir a pena em uma sala na Superintendência da Polícia Federal em Brasília.
Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por participação em organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado, além de dano ao patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.
As sentenças do deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), do ex-ministro Anderson Torres e do ex-comandante da Marinha Almir Garnier também transitaram em julgado na terça-feira. Condenado a 16 anos e um mês de prisão, Ramagem (que foi chefe da Agência Brasileira de Informação, a Abin, no governo de Bolsonaro) está foragido nos Estados Unidos.