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Bancada do Camburão: dez anos depois, onde estão os deputados da base de Beto Richa

Em 12 de fevereiro de 2015, deputados da base governista andaram em um blindado da Polícia Militar para escapar de servidores em greve

Bancada do Camburão: dez anos depois, onde estão os deputados da base de Beto Richa
Em 12 de fevereiro de 2015, deputados governistas entraram na Assembleia em um blindado para escapar de servidores. Reprodução/APP-Sindicato
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No dia 12 de fevereiro de 2025, 31 deputados estaduais protagonizaram um dos episódios mais vergonhosos da história política paranaense. Eles entraram na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) em um blindado da Polícia Militar, para fugir dos servidores estaduais, que protestavam contra um pacote de medidas enviado pelo então governador Beto Richa (PSDB).

A proposta de Richa, apresentada alguns meses depois de assumir seu segundo mandato como governador, era retirar R$ 8 bilhões do Fundo Previdenciário dos servidores (destinado a garantir aposentadorias futuras) e repassar o valor para o caixa do estado. Os servidores entraram em greve contra a proposta.

A lógica na Assembleia era a mesma de hoje: deputados da base governista apoiavam todo e qualquer projeto enviado pelo Executivo. Na época ainda existia a chamada "comissão geral" – quando todas as comissões permanentes da Casa eram convocadas para o mesmo dia, para aprovar as propostas com mais rapidez.

No dia 11 de fevereiro, o então presidente da Assembleia, Ademar Traiano, convocou uma sessão para o dia seguinte, no restaurante da Assembleia, já que o plenário estava ocupado por servidores em greve. Os trabalhadores também bloquearam as entradas do Legislativo, impedindo os parlamentares governistas de entrarem.

A surpresa foi que os deputados governistas chegaram dentro de um veículo blindado da Polícia Militar. Policiais fizeram um cordão para proteger os parlamentares e serraram as grades da Assembleia para eles entrarem. Depois disso, foram disparadas bombas de gás lacrimogêneo contra os servidores.

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Apesar da manobra, Beto Richa acabou recuando por causa da repercussão e do risco de uma nova invasão, dessa vez do restaurante, e a votação foi adiada. O projeto foi votado no dia 29 de abril, quando ocorreu o episódio que ficou conhecido como "Massacre do Centro Cívico". A Polícia Militar disparou bombas de gás e balas de borracha contra os manifestantes que estavam na frente da Alep. Cerca de 200 pessoas ficaram feridas e o projeto foi aprovado.

O "Massacre do Centro Cívico" foi lembrado em ato realizado nesta quarta-feira (29), dia de paralisação de professores estaduais.

Em março do ano passado, os governistas voltaram a fugir do servidores. Em seus gabinetes, fizeram uma sessão remota para aprovar a terceirização na gestão de escolas, que vai gerar um repasse de R$ 1 bilhão para três grupos privados em quatro anos.

Dos 31 deputados do camburão, onze ainda são deputados estaduais (um deles é Hussein Bakri, do PSD, líder da bancada que apoia o governador Ratinho Júnior); quatro são deputados federais (um deles é Pedro Lupion, o presidente Frente Parlamentar da Agropecuária); dois foram eleitos prefeitos no ano passado (Tiago Amaral e Fernando Scanavaca); dois são secretários estaduais (Guto Silva e Márcio Nunes); um é funcionário da Assembleia e três morreram.

Quem andou no camburão

Alexandre Curi - Presidente da Assembleia Legislativa do Paraná desde fevereiro deste ano. Neto do ex-deputado Anibal Khoury, foi vereador em Curitiba e é deputado estadual desde 2002 (está no sexto mandato). Hoje está filiado ao PSD, partido governador Ratinho Júnior.
Alexandre Guimarães - Foi secretário municipal em Campo Largo e deputado estadual entre 2015 e 2018, pelo PSC. Absolvido de uma acusação de peculato, não concorreu mais a cargos públicos. (Foto: Alep)
André Bueno - Filho de Edgar Bueno, ex-prefeito de Cascavel. Foi deputado estadual por dois mandatos, eleito em 2010 e 2014, pelo PDT. Não conseguiu se reeleger em 2018 e não concorreu mais em eleições. (Foto: Alep)
Artagão Júnior - Está em seu sexto mandato como deputado. Filho do ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Estado Artagão de Mattos Leão, morto em 2023. Artagão Júnior foi eleito pela primeira vez em 2002. Era filiado ao PSB e agora está no PSD. (Foto: Alep)
Bernardo Ribas Carli (PSDB) - Filho do ex-prefeito de Guarapuava Luiz Fernando Ribas Carli, morreu em um acidente aéreo no dia 22 de julho de 2018, aos 32 anos. Estava sem seu primeiro mandato, pelo PSDB. Irmão do também ex-deputado Fernando Ribas Carli, condenado a nove anos e quatro meses de prisão por provocar a morte de duas pessoas em um acidente de trânsito em maio de 2009, em Curitiba. (Foto: Alep)
Claudia Pereira - Foi secretária municipal em Foz do Iguaçu quando seu marido, Reni Pereira, era prefeito da cidade. Eleita em 2014, estava sem seu primeiro e único mandato como deputada estadual, filiada ao PSC. Não conseguiu se reeleger em 2018. (Foto: Alep)
Cobra Repórter - Ex-radialista em Apuracana e ex-apresentador da RIC TV, está em seu terceiro mandato. Foi eleito pela primeira vez em 2014, pelo PSC. Agora é filiado ao PSD. (Foto: Alep)
Cristina Silvestri - Está em seu terceiro mandato e atualmente é a terceira vice-presidente da Assembleia Legislativa. Mulher do ex-deputado, ex-secretário e ex-vice-prefeito de Guarapuava Cezar Silvestri, morto em 2018, e mãe do ex-prefeito da cidade César Silvestri Filho. Eleita no primeiro mandatos pelo PPS, atualmente é filiada ao PSDB. (Foto: Alep)
Dr. Batista - Atualmente está na suplência do União Brasil. Deputado estadual por quatro mandatos, eleito pela primeira vez em 2006, pelo PMN. Também foi vereador em Maringá e candidato a prefeito na cidade. Concorreu novamente a deputado em 2022, mas ficou na suplência. (Foto: Alep)
Elio Rusch - Ocupa o cargo comissionado de assessor administrativo na Ouvidoria Geral da Assembleia Legislativa. Foi vereador em Marechal Cândido Rondon e se elegeu deputado estadual pela primeira vez em 1990, pelo PFL, totalizando sete mandatos, também filiado ao DEM. Ficou na suplência em 2018 e assumiu o mandato no lugar de Fernando Francischini, que foi cassado. Foi filiado ao PFL e ao DEM. (Foto: Alep)
Evandro Júnior - Neto de Hermas Brandão, ex-deputado, ex-secretário estadual e ex-conselheiro do Tribunal de Contas. Foi vereador em Maringá e se elegeu deputado em 2010, pelo PSDB, sendo reeleito em 2014. Ficou na suplência nas eleições de 2018 e não concorreu mais em eleições. (Foto: Alep)
Felipe Francischini - É deputado federal. Filho do ex-deputado Fernando Francischini, que era secretário da Segurança Pública na época do Massacre do Centro Cívico. Felipe foi eleito deputado estadual em 2014, pelo Solidariedade. Eleito deputado federal em 2019 e reeleito em 2022. Chegou a presidir a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados. (Foto: Alep)
Fernando Scanavaca - Atualmente é prefeito de Umuarama pela terceira vez. Prefeito da cidade por dois mandatos, de 1997 a 2044, assumiu como deputado estadual em 2008, no lugar de Edgar Bueno, que deixou o cargo para assumir a prefeitura de Cascavel. Foi reeleito em 2010 e 2014, pelo PDT. No ano passado, foi novamente eleito prefeito de Umuarama, pelo Republicanos. (Foto: Alep)
Francisco Buhrer - Foi vereador e vice-prefeito de São José dos Pinhais e se elegeu deputado estadual em 2002, pelo PSDB. Teve cinco mandatos na Assembleia, até 2022. Thiago Buhrer, seu filho, é deputado atualmente. (Foto: Alep)
Guto Silva - Secretário estadual das Cidades no governo de Ratinho Júnior. Ex-vereador em Pato Branco, foi eleito deputado estadual em 2014, pelo PSC. Reeleito em 2018, assumiu a Casa Civil no governo de Ratinho Júnior em 2019 e ficou no cargo até 2022. Já filiado ao PSD de Ratinho, foi secretário estadual do Planejamento. (Foto: Alep)
Hussein Bakri - É o atual líder da bancada de apoio ao governador Ratinho Júnior na Assembleia Legislativa. Foi prefeito de União da Vitória entre 2001 e 2008. Concorreu a deputado em 2010, mas ficou na suplência e só conseguiu se eleger em 2014, pelo PSC. Está sem seu terceiro mandato, filiado ao PSD. (Foto: Alep)
Jonas Guimarães - Anunciou sua retirada da política em 2023, após quatro mandatos como deputado estadual. É empresário em Cianorte. Irmão do ex-prefeito de Cianorte Edno Guimarães, foi eleito deputado em 2014, pelo PMDB. Em 2019, foi condenado por improbidade administrativa, pelo uso irregular da editora da Assembleia Legislativa. (Foto: Alep)
Luiz Carlos Martins - Deputado por oito mandatos (de 1990 a 2010 e de 2015 a 2023), morreu em julho de 2024, aos 75 anos, em decorrência de um AVC. Radialista popular em Curitiba e empresário, foi fundador e dono da rádio Banda B. Também foi vereador em Curitiba. (Foto: Alep)
Luiz Cláudio Romanelli - Está em seu sexto mandato como deputado, agora filiado ao PSD. Em 2015, era filiado ao PSB. Ex-secretário de Habitação e do Trabalho e ex-presidente da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar). Era o líder do governo de Beto Richa na Assembleia quando houve o Massacre do Centro Cívico. (Foto: Alep)
Márcio Nunes - Nomeado secretário estadual da Agricultura e Abastecimento neste ano. Foi secretário estadual do Desenvolvimento Sustentável e do Turismo no governo de Ratinho Júnior; vice-prefeito e secretário municipal de Agricultura e Meio Ambiente de Campo Mourão; e presidente do Instituto das Águas do Paraná. Foi eleito deputado em 2014, pelo PSC. (Foto: Alep)
Maria Victoria - Sempre filiada ao PP, está em seu terceiro mandato na Assembleia (foi eleita pela primeira vez em 2014). Filha do deputado federal Ricardo Barros e da ex-governadora do Paraná Cida Borghetti. Concorreu à prefeitura de Curitiba em 2016 e em 2024. (Foto: Alep)
Mauro Moraes - Está em seu sexto mandato consecutivo como deputado (foi eleito pela primeira vez em 2002). Também foi vereador em Curitiba e secretário estadual do Trabalho no governo de Ratinho Júnior, entre fevereiro de 2023 e março deste ano. Era filiado ao PSDB em 2015 e hoje é filiado ao União Brasil. (Foto: Alep)
Nelson Justus - Deputado no nono mandato consecutivo, atualmente é o primeiro suplente do União Brasil - na atual Legislatura, ocupou as vagas de Mauro Moraes e do Carmo, nomeados para a Secretaria do Trabalho em 2023 e no início deste ano, respectivamente. Foi presidente da Assembleia Legislativa entre 2007 e 2011. Desde 1990, foi eleito para oito mandatos consecutivos de deputado e ficou na suplência nas eleições de 2022. (Foto: Alep)
Paulo Litro - Deputado federal eleito em 2022 pelo PSD. Foi deputado estadual por dois mandatos, eleito em 2014 e 2018, pelo PSDB. (Foto: Alep)
Pedro Lupion - Deputado federal e presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária na Câmara dos Deputados. Filho do ex-deputado federal Abelardo Lupion e bisneto do ex-governador do Paraná Moisés Lupion. Foi deputado estadual por dois mandatos, entre 2011 e 2018, quando se elegeu deputado federal. Era filiado ao DEM em 2015, passou pelo União Brasil e atualmente está no PP. (Foto: Alep)
Plauto Miró - Foi eleito deputado estadual pela primeira vez em 1990 e teve um total de oito mandatos. Não se reelegeu em 2022. Em 2015, assinou termos de não persecução civil e penal, com o Ministério Público do Paraná, para não responder na Justiça pelo caso em que ele e o então presidente da Assembleia, Ademar Traiano, exigiram propina para renovar o contrato com um prestador de serviços da TV Assembleia. (Foto: Alep)
Ricardo Arruda - Deputado em seu terceiro mandato, foi eleito pela primeira vez em 2014, pelo PSC. Atualmente é filiado ao PL. No ano passado, se tornou réu sob suspeita de desvio de dinheiro público, tráfico de influência e associação criminosa. (Foto: Alep)
Schiavinato - Morreu em abril de 2021, aos 66 anos, vítima da covid-19. Foi prefeito de Toledo por dois mandatos, de 2005 a 2012, deputado estadual de 2015 a 2019 e deputado federal até sua morte. (Foto: Alep)
Tiago Amaral - Atual prefeito de Londrina, eleito em 2024, eleito pelo PSD. Filho do ex-deputado estadual Durval Amaral, atualmente conselheiro do Tribunal de Contas do Paraná. Eleito deputado estadual em 2014, pelo PSB, e reeleito em 2018. Foi líder da base governista de Ratinho Júnior na Assembleia e presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa. (Foto: Alep)
Tião Medeiros - É deputado federal, eleito no ano passado pelo PP. Foi deputado estadual por dois mandatos, eleito em 2014 e reeleito em 2018, ambas as vezes pelo PTB. (Foto: Alep)
Reichenbach - Está em seu terceiro mandato na Assembleia. Foi vereador vice-prefeito e prefeito de Campo Mourão. Em 2015 era filiado ao PSC e hoje está no PSD. (Foto: Alep)

Quem bancou o camburão

Beto Richa - Era o governador na época. Depois do dia 29 de abril de 2015, quando a PM bombardeou servidores, disse que professores "estavam com coquetéis molotov", o que nunca foi comprovado. Eleito deputado federal em 2022. Neste mês, o ex-governador que atacou servidores assinou o requerimento de urgência da proposta que concede "anistia" aos baderneiros que tentaram dar um golpe de Estado em janeiro de 2023. (Foto: AEN)
Fernando Francischini - Era o secretário da Segurança. Deixou o veículo da PM à disposição dos deputados e estava à frente da Segurança no dia em que os servidores foram atacados pela PM, em 29 de abril. Acabou demitido no mês seguinte. Eleito deputado estadual em 2018, teve o mandato de deputado estadual cassado em 2021 por divulgar informações falsas sobre o processo eletrônico de votação em 2018. (Foto: Alep)
Ademar Traiano - Era presidente da Assembleia em 2015 e cabia a ele solicitar reforço de segurança. Naquele mesmo ano, Traiano e o deputado Plauto Miró receberam propina de R$ 200 mil para renovar o contrato de uma empresa com a TV Assembleia. Os dois firmaram acordos com o Ministério Público do Paraná e escaparam de processos na Justiça. Traiano foi presidente da Alep até o ano passado e agora preside a Comissão de Constituição e Justiça. (Foto: Alep)

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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