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Vereadora Camilla Gonda vai denunciar Kilter ao Conselho de Ética por invasão da UFPR

Vereador forçou entrada no prédio histórico mesmo com palestra cancelada. Depois, provocou e xingou estudantes

Vereadora Camilla Gonda vai denunciar Kilter ao Conselho de Ética por invasão da UFPR
Guilherme Kilter na Praça Santos Andrade: vereador chamou estudantes de "bandidos" enquanto defendia liberdade para condenados / Foto: Tami Taketani/Plural
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A vereadora Camila Gonda (PSB) anunciou nesta quarta-feira (10) que protocolará uma representação por quebra de decoro parlamentar na Câmara Municipal de Curitiba contra Guilherme Kilter (Novo), por invasão do prédio histórico da UFPR e ofensas proferidas contra estudantes na noite de terça (9). 

Kilter e o advogado bolsonarista Jeffrey Chiquini tiveram uma palestra cancelada pela Faculdade de Direito e foram orientados a não entrar no prédio, ocupado por estudantes. Mesmo assim, segundo nota da Faculdade de Direito da UFPR, os palestrantes “forçaram sua presença em adentrar o espaço”. Com a confusão, uma estudante de Filosofia foi atingida por balas de borracha disparadas pela Polícia Militar e um estudante de Ciências Sociais foi preso.

O Plural acompanhou o momento em que Kilter e Chiquini tentaram acessar o Salão Nobre do prédio histórico, ocupado por estudantes contrários à realização da palestra sobre supostos abusos cometidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no processo contra suspeitos de tentar um golpe de Estado no país. O vereador forçou sua entrada, provocou os manifestantes e ofereceu o rosto para ser agredido – o que não aconteceu.

Depois de se refugiarem na sala dos professores do curso de Direito, Kilter e Chiquini, protegidos pela PM, passaram a gravar vídeos e dar entrevistas na Praça Santos Andrade. Kilter (que estava na UFPR para defender condenados e réus pelo crime de tentativa de golpe) xingou estudantes de “bandidos” e correu atrás deles (ao lado de viaturas da PM), como mostram vídeos publicados nas redes sociais. Na sessão desta quarta-feira da Câmara, disse que quem estava na universidade era “bandido”, “vagabundo”, “marginal” e “delinquente”.

Kilter entrou no prédio mesmo com recomendação contrária da direção da Faculdade de Direito / Foto: Tami Taketani

“Um parlamentar entrar na Universidade Federal do Paraná, chama os nossos estudantes de bandidos, de vagabundos. Corre atrás dos nossos estudantes, chama para a briga, pede para que os estudantes batam no rosto dele. Será que essa é a forma de correta de um vereador se comportar diante de uma opinião contrária?”, questionou Camilla Gonda.

“Será que quando a gente discordar dele por qualquer outro motivo a reação será a mesma? Será que ele vai chamar a gente para a briga ou falar que a gente é bandido ou coisa do tipo?”
Camilla Gonda, vereadora

Para a vereadora, um parlamentar de oposição nessa situação correria um sério risco de ter seu mandato cassado. “Se fosse eu, se fosse algum vereador da oposição, indo atras de estudantes, pedindo para que estudantes venham para a briga, a gente já estaria há muito tempo com um pedido de cassação nas nossas costas. Há muito tempo os nossos mandatos já estariam sendo colocados em risco. Essa é a diferença, o que a gente ve aqui na Câmara dos Vereadores são dois pesos e duas medidas”.

Outro vereador do Novo, Rodrigo Marcial, também provocou os manifestantes e chamou os policiais militares, que estavam na Praça Santos Andrade, para a escadaria da UFPR. "São esses aqui que vocês querem encontrar?", perguntou o vereador para os manifestantes, se referindo aos policiais. Depois disso a PM entrou na universidade, mesmo sem ter jurisdição sobre prédios federais, e utilizou bombas de efeito moral, gás e balas de borracha contra os manifestantes. A estudante Ana Clara Cabral Nunes, de 22 anos, ficou ferida na perna direita.

Rodrigo Marcial disse que manifestantes queriam encontrar a polícia / Foto: Tami Taketani/Plural

Em nota, a Faculdade de Direito da UFPR afirmou que não acionou a PM. Os policiais foram acionados pelos vereadores e por pessoas que os acompanhavam, como constatou a reportagem do Plural.

Guilherme Kilter não respondeu aos questionamentos do Plural nesta quarta-feira.

Protesto em igreja foi punido com cassação

Em agosto de 2022, o então vereador Renato Freitas (PT) teve seu mandato na Câmara de Curitiba cassado, sob a acusação de invadir a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, no Centro Histórico de Curitiba durante um protesto contra o racismo. O padre Luiz Haas, que conduzia uma missa no mento do ato, foi contrário à cassação. Freitas reverteu a cassação na Justiça.

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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