Num indicativo de quanto está radicalizada a bancada de direita da Câmara de Curitiba neste novo mandato, sete vereadores se recusaram a votar em Giórgia Prates (PT) para ocupar a quarta secretaria. Era o único cargo que restava na Mesa Diretora depois de seis votações unânimes, e havia um acordo para que todos aprovassem os nomes indicados pelos blocos, mas isso não foi respeitado.
No mandato passado houve cenas parecidas, mas o número de vereadores que aderia era bem menor, jamais passando de dois ou três. Agora, os sete votos negados a Giórgia representam quase um quinto da Câmara. Apesar disso, a vereadora foi eleita para o posto - que na verdade tem pouco ou nenhum poder dentro do Legislativo.
Os sete vereadores radicais que se recusaram a votar em Giórgia foram: Bruno Secco (PMB); Da Costa (União); Eder Borges (PL); Fernando Klinger (PL); Guilherme Kilter (Novo); João Bettega (União); e Olimpio Araújo Junior (PL). Exceto por Eder Borges, estão todos assumindo seu primeiro mandato.
Mais experiente, Pier Petruzziello (PP) chamou a atenção dos colegas da base do prefeito. Disse que também se considera antipetista, mas que havia um acordo e que era preciso respeitar o combinado.
Ao final da votação, possivelmente respondendo a algum comentário de Giórgia fora dos microfones, o vereador Olímpio ainda classificou Giórgia Prates de "racista". Ele havia dito, ao se abster, que não votava na petista em homenagem às suas filhas que, segundo ele, também são negras.
Ao ouvir o comentário de Giórgia, Olimpio, conhecido por seu canal "Mundo Polarizado", disse que a vereadora estava atacando suas filhas e a acusou de racismo. "Não sou racista porque sou preta", disse ela.
Giórgia ainda agradeceu ironicamente aos vereadores que não votaram nela. "Eram votos que eu não queria mesmo", afirmou.
Na escolha da segunda-vice corregedora, três vereadores da direita ainda se recusaram a votar no nome indicado: desta vez, da vereadora Camilla Gonda, do PSB. Bruno Secco, Da Costa e João Bettega se abstiveram para não votar numa candidata de um partido de esquerda.