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Servidores de Araucária mantêm ocupação na prefeitura em greve contra mudanças no FPMA

Categoria passa a noite no gabinete do prefeito Gustavo Botogoski e contesta nota oficial da administração que aponta ilegalidade da paralisação

Servidores de Araucária mantêm ocupação na prefeitura em greve contra mudanças no FPMA
Cerca de mil trabalhadores seguem ocupando o estacionamento da prefeitura | Foto: Julia Sobkowiak / Plural
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Em greve desde a última terça-feira (29), servidores do quadro geral e do magistério de Araucária ocuparam o gabinete do prefeito Dr. Gustavo Botogoski (PSD) e passaram a noite na prefeitura na tentativa de dialogar com a administração municipal. Na manhã desta quinta-feira, parte dos servidores deixou o local para se agasalhar e se alimentar, enquanto outros permanecem no gabinete. Cerca de mil trabalhadores seguem ocupando o estacionamento da prefeitura, que está esvaziada sem a presença de funcionários da administração.

A greve é motivada por mudanças na Lei Orgânica que impactam diretamente o Fundo de Previdência Municipal de Araucária (FPMA), além de alterações na organização sindical e no conselho municipal de saúde. Bruno Garcia, dirigente do Sindicato dos Servidores de Araucária (SIFAR), afirmou: “O prefeito fez um projeto de lei que permite a ele colocar a mão na nossa aposentadoria, no dinheiro do nosso futuro que é o que a gente chama de fundo de previdência. Tem uma estimativa de que haja R$ 2,3 bilhões nesse fundo, então é muito dinheiro e está crescendo o olho desse prefeito. Ele fez um projeto e mandou para a Câmara sem discutir com ninguém e já foi aprovado em primeira votação. Nosso pedido é que ele retire o projeto e fale com a categoria para que possamos voltar a focar na saúde e na educação.”

Segundo relatos do Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal de Araucária (SISMMAR), o secretário-geral da administração teria afirmado não haver possibilidade de negociação. “Nós não temos um aceno de negociação, estamos na busca de um dialogo para podermos diminuir esses problemas que estão acontecendo e aí sim vamos recuar da nossa greve”, disse Simeri Ribas Calisto, coordenadora-geral do SISMMAR. Uma reunião prevista para às 9h desta quinta-feira não ocorreu devido à ausência de representantes do Executivo.

A segunda votação do projeto está marcada para o dia 13 de outubro na Câmara de Vereadores. De acordo com os sindicatos, a greve pode ser mantida até a data caso a prefeitura insista em não abrir diálogo.

Prefeitura de Araucária

Em nota, a Prefeitura Municipal de Araucária alegou que a paralisação era ilegal e afirmou estar aberta ao diálogo. O comunicado informa que o Tribunal de Justiça do Estado do Paraná (TJPR) manteve ordem contra greve sem plano de atendimento e elevou a multa para R$ 50 mil por dia. As sanções são relativas à paralisação promovida pelo SISMMAR.

Por meio de decisão liminar no processo nº 0137941-63.2026.8.16.0000, o desembargador Leonel Cunha elevou a multa diária de R$ 5 mil para R$ 50 mil pelo descumprimento da ordem judicial, já que a categoria iniciou o movimento sem apresentar plano concreto de manutenção das atividades essenciais na educação.

A prefeitura destacou que a paralisação causou sérios prejuízos à população, especialmente na educação, onde 60 das 74 escolas tiveram atendimento comprometido, além de impactos em CMEIs e CMAEEs. Na saúde, cerca de 600 servidores aderiram ao movimento, prejudicando o atendimento em algumas unidades. Em outros setores, os impactos foram mínimos ou inexistentes.

A administração também esclareceu que o projeto de lei em análise propõe reestruturação interna e adequações à legislação federal sobre a Conferência Municipal de Saúde. Em relação à previdência, ressaltou que a Emenda nº 59/2026 blinda totalmente o FPMA contra atos do gestor municipal, mantendo a gestão sob responsabilidade exclusiva dos conselheiros eleitos pelos servidores.

Contestação dos sindicatos

Ao portal Plural, o advogado Ludimar Rafanhim, representante do SISMMAR, afirmou que a greve é legal e que o sindicato cumpriu todas as exigências. Segundo ele, “o município entrou com uma ação judicial na sexta-feira à tarde, mas sequer pediu a ilegalidade da greve, o pedido era pela suspensão por falta de plano de contingência. O desembargador deu a liminar só sobre este item, não entrou na discussão de legalidade ou ilegalidade. O que foi posto é que se a greve continuasse sem esse plano haveria multa de R$ 5 mil por dia. A greve aconteceu e a prefeitura informou isso à justiça e a multa aumentou para R$ 50 mil, mas o plano já foi apresentado. Até este momento o sindicato não recebeu notificação pessoal da determinação do desembargador. Então não há nada de ilegalidade.”

Rafanhim acrescentou que a Justiça pode ser peça-chave para criar espaço de diálogo entre prefeitura e servidores. “Nós pedimos que haja uma audiência de mediação e o desembargador entendeu que é importante. Tanto que pediu para a prefeitura se manifestar se há interesse ou não. Até agora não houve resposta, mas nós queremos muito essa audiência porque na presença de um desembargador podemos achar uma solução.”

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Julia Sobkowiak

Julia Sobkowiak

Formada em jornalismo pela PUCPR.

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