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Sem reposição da inflação desde 2017, professores estaduais fazem paralisação nesta terça-feira (29)

Ato também lembrará os dez anos do "Massacre do Centro Cívico", quando manifestantes foram atacados pela PM na frente da Assembleia

Sem reposição da inflação desde 2017, professores estaduais fazem paralisação nesta terça-feira (29)
Servidores definiram data da paralisação em assembleia realizada no dia 12 (Foto: Gelinton Cruz/APP-Sindicato/Divulgação)
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Professores da rede estadual do ensino farão uma paralisação nesta terça-feira (29) para cobrar a reposição integral das perdas causadas pela inflação, o que não ocorre desde 2017. Aprovado em assembleia realizada pelo APP-Sindicato no dia 12 deste mês, o ato também vai lembrar os dez anos do episódio conhecido como “Massacre do Centro Cívico”, quando a Polícia Militar atacou servidores em greve com bombas e tiro de borracha, durante o governo de Beto Richa (PSDB).

A última vez que o governo cumpriu a data-base foi em 2016, ainda durante a gestão de Richa. Além de cobrar a reposição, os educadores reivindicam o pagamento do piso nacional do magistério, com aplicação na tabela do plano de carreira; abertura de novas vagas para o Programa de Desenvolvimento Educacional (PDE); a equiparação salarial para professores e funcionários de escola com as tabelas de servidores de outras categorias; e a isenção do desconto previdenciário para valores abaixo do teto do INSS.

Livro traz novos relatos sobre o “Massacre do Centro Cívico”, em abril de 2015
Jornalista Louize Lazzarim ouviu 21 pessoas, entre elas o ex-governador Beto Richa, sobre o episódio que deixou mais de 200 pessoas feridas

O governador Ratinho Júnior (PSD) e deputados de sua base têm dito que o estado passa por um bom momento financeiro, mas em relação à educação a lógica é de privatização e precarização. Em dezembro, um decreto do governador estabeleceu novas regras para o pagamento da Gratificação de Tecnologia e Ensino (GTE), o que afastou os professores ainda mais do piso nacional da categoria. 

Também no ano passado, o governo aprovou a terceirização da gestão de 82 escolas estaduais, possibilitando que as empresas contratem professores no regime CLT. O programa Parceiro na Escola prevê o repasse de mais de R$ 1 bilhão para três grupos privados nos próximos três anos.

A Secretaria de Estado da Educação (Seed) informou que não vai se manifestar sobre a paralisação da categoria.

Ato

Professores e servidores se reunirão na Praça Tiradentes, no Centro de Curitiba, a partir das 9 horas desta terça-feira (29), para relembrar o “Massacre do Centro Cívico”, e irão em passeata até a praça Nossa Senhora de Salete, no Centro Cívico.

Em 29 de abril de 2015, cerca de 200 pessoas ficaram feridas durante uma manifestação contra o pacote de medidas proposto pelo governo de Beto Richa, que incluía cortes de gastos e mudanças no fundo de previdência dos servidores. A PM usou bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha contra os manifestantes que estavam na frente da Assembleia Legislativa do Paraná. 

“A gente está em mais um período difícil, em que a mão do governo tem pesado sobre nossa categoria nas escolas, mas estamos de pés aqui firmes e fortes para enfrentar. A terça-feira será mais um desses momentos”, disse a presidente da APP, Walkiria Mazeto. A mobilização também terá a participação de servidores do interior do estado, que virão em caravanas até Curitiba.

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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