O deputado estadual Renato Freitas (PT) disse na tarde desta sexta-feira (21 de novembro) que se envolveu em uma briga na manhã de quarta (19) para defender a companheira, que está grávida. Na quinta, o advogado Jeffrey Chiquini, que assumiu a defesa do manobrista Weslley de Souza Silva, divulgou vídeos que mostram uma agressão anterior, que teria partido do deputado e de seu assessor.
O vídeo que circulava nas redes até então mostra Weslley de Souza dando um tapa na cabeça de Renato, que reage com chutes. O deputado foi acertado no nariz e deu sequência à briga, que foi interrompida por outras pessoas.
Na quinta, vídeos divulgados por Chiquini mostram que Renato e sua companheira, que está grávida de nove semanas, andavam na calçada da Rua Visconde do Rio Branco, no Centro de Curitiba. Eles voltavam de um exame médico. Weslley deixa a garagem em um carro e faz uma manobra por cima da calçada, passando perto do casal, até estacionar em outra garagem ao lado. No vídeo não fica claro se houve agressões verbais.
Em seguida, imagens captadas por outra câmera mostram que Weslley deixa o veículo correndo e volta para a calçada. Na imagem seguinte, Renato Freitas e seu assessor atravessam a rua e seguem em direção ao manobrista, que é encurralado. Segundo Chiquini, seu cliente foi espancado pelos dois.
De acordo com Freitas, apenas seu assessor agiu no primeiro momento. "Alguém faz uma manobra imprudente, de direção perigosa, e o carro aparece já sobre nós. Eu olhei para o lado, falei 'respeita o pedestre' e continuei andando", disse. "Ele me encarou, abaixou o vidro e me xingou, me injuriou. Ele me xingou, proferiu várias injúrias, me chamou de 'lixo' e de 'nóia'".

O deputado afirmou que atravessou a rua quando viu o manobrista correndo na direção deles. "Eu não deixei que ele atravessasse a rua para iniciar um conflito físico ao lado da minha companheira grávida. Porque com certeza ela ia tentar interferir, separar, ia ficar nervosa. E poderia ser ferida, as consequências poderiam ser as piores", disse. "Meu amigo estava nos esperando, próximo ao carro, e já interveio. O rapaz já tentou dar um soco nele. Eles já começaram a meio que se embolar. A gente deu um 'abafa' ali".
Depois disso, o deputado, a companheira e seu assessor entraram no carro e pararam na esquina. Segundo Freitas, o veículo foi cercado no sinal fechado por Weslley e outras duas pessoas. O manobrista negou e disse que correu atrás do carro para anotar a placa. Freitas e seu assessor teriam deixa o veículo neste momento. As cenas que aparecem primeiro vídeo divulgado, que mostram o deputado sendo atingido no nariz, teriam ocorrido em seguida.
Processos
Em entrevista coletiva na tarde desta sexta, Jeffrey Chiquini disse que este é o "fim da linha" para Renato Freitas. "Ele será cassado. Ser deputado não é emprego. Será cassado, será punido criminalmente por improbidade administrativa e terá que indenizar este jovem, porque é um agressor. Renato Freitas inicia as agressões, chega dando uma 'voadora' no Weslley, e criou a falsa narrativa para tentar ser vítima". O advogado vai solicitar informações sobre o assessor de Freitas e sobre o carro utilizado pelo parlamentar.
Weslley disse que foi agredido ao deixar a garagem. "O primeiro contato que eu tive com ele foi quando estava saindo de carro. Falei que lá não era faixa de pedestre", afirmou. "Já sei como é briga de trânsito, só balancei a cabeça e estacionei o carro. Quando ele viu, a própria imagem já mostra ele e o outro rapaz vindo para cima de mim. Ele me acertou com uma voadora e dois socos, daí o outro rapaz que estava com ele me derrubou no chão. Aí começaram as agressões".

O manobrista nega que tenha cercado o carro e diz que seguiu o veículo para anotar a placa. Segundo ele, as outras duas pessoas citadas por Renato Freitas são vendedores que ficam na esquina entre as ruas Visconde do Rio Branco e Vicente Machado. "Em momento algum Weslley se aproxima de Renato Freitas de seu assessor e sua mulher. Esse confronto só acontece porque Renato Freitas cruza a rua e passa às agressões", disse Jeffrey Chiquini.
Pedidos de cassação
O presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), Alexandre Curi (PSD), informou nesta sexta que recebeu cinco representações contra Renato Freitas. Chiquini disse que protocolará outro pedido de cassação na segunda-feira (25). O caso será encaminhado à Comissão de Ética da Alep.
"Percebi que ele (Curi) fez uma cena para a população mais conservadora, no sentido de que eu deveria ser julgado com maior rigor e com maior celeridade. Eu fico espantado, porque ele mesmo ficou em silêncio absoluto frente às acusações e às comprovações de corrupção nessa Casa", disse Renato Freitas.