O deputado estadual Renato Freitas (PT) chamou o governador Ratinho Júnior (PSD) de “assassino” e “corrupto” na sessão desta segunda-feira (19) e enfrentará um novo processo no Conselho de Ética da Assembleia Legislativa do Paraná. Freitas falava sobre as mortes cometidas por policiais militares no estado e afirmou ainda que o governador “é cúmplice” e “tem sangue nas mãos”.
A determinação dada na semana passada pelo presidente da Assembleia, Alexandre Curi (PSD), é para encaminhar os casos de ofensas ou possível quebra de decoro parlamentar diretamente para o Conselho de Ética, sem passar pela Mesa Executiva. A ideia é mudar o regimento interno. Após a fala de Renato Freitas, a deputada Flávia Francischini (União), que presidia a sessão, anunciou que a ata da sessão seria encaminhada em seguida ao Conselho de Ética.
O pronunciamento do deputado gerou um bate-boca durante a sessão. Líder da base governista, Hussein Bakri (PSD) pediu um aparte, que foi negado por Freitas. Em seguida, o deputado chamou Bakri de “mimado” e os dois discutiram:
Bakri – Peço um aparte.
Freitas – Quando for o seu momento, o senhor está inscrito. Agora não. O senhor me respeite, por favor.
Bakri – Eu só pedi um aparte
Freitas – Não dou. Não dou. Não dou. Não dou. Se puder congelar o meu tempo, ou pelo menos me repor o tempo, porque eu tive que lidar com pessoas mimadas que não sabem ouvir não.
Bakri – Mimado é você.
Freitas – Mimado é coronelzinho que nunca ouviu um não na vida. Coronel herdeiro, tá bem alimentado.
Bakri – Mau caráter.
Freitas – Bem vivido, bem alimentado.
Bakri – Mau caráter.
Freitas – Engordou com emendas parlamentares.
Flávia Francischini restituiu o tempo a Freitas e Bakri disse que o deputado terá que provar que Ratinho Júnior é corrupto. Em seu pronunciamento, Bakri disse que Freitas “não tem moral” para falar sobre o governador.
“Me enoja muito ver um membro do PT, que nem aquele cara que tá ali (Renato Freitas), vir chamar alguém de corrupto. Que falta de vergonha na cara, onde estava você rapaz, ou você não participava da política quando colocaram dinheiro na cueca, dinheiro na mala? O Ratinho Júnior nunca foi preso, o Ratinho Júnior responde processo. Lave a boca para falar do Ratinho, rapaz. Você não tem moral para falar do Ratinho”, criticou o líder governista.
Líder da oposição, Arilson Chiorato (PT) disse em seguida que Freitas tem o direito de se pronunciar livremente. "As medidas devem ser iguais para todos os deputados. Eu, como presidente do PT no Paraná, também não posso ficar admitindo os xingamentos que tem ao partido aqui nessa Casa. O deputado Renato Freitas tem o direito de se expressar. Se ele cometeu alguma transgressão, vai ter um processo. Mas não podemos ter aqui deputado que não é a presidência querer censurar outro deputado".
Chiorato afirmou que Bakri e Ricardo Arruda (PL) ofenderam o petista, mas que não foi tomada nenhuma medida. "O Arruda, no momento em que o Hussein abriu a palavra, falou também e também ofendeu e não foi tomada a mesma medida. Pau que bate em Chico bate em Francisco. Vai ser feita a mesma coisa. Tratamento igual para todos e todas", afirmou. "Ou a Comissão de Ética só vale para o PT? Nós não vamos aceitar isso."
O anúncio de Alexandre Curi, na semana passada, foi feito um dia depois de Ricardo Arruda atacar a ministra Gleisi Hoffmann, chamar a deputada Ana Júlia (PT) de "pessoa que tem problema cognitivo” e sugerir que a primeira dama Janja Lula da Silva viajou para a Rússia para levar “malas de dinheiro” desviado do esquema do INSS. O caso também foi encaminhado para o Conselho de Ética.
Para Requião Filho (PDT), atacar Renato Freitas "dá likes". "Bater de frente com o Renato Freitas gera like, gera conteúdo de internet, gera discurso de nicho. E vários deputados fazem isso seguidamente. Já quando, do outro lado, sobe o nosso colega missionário Arruda, não gera tanto like na rede deles. Independente do que o Ricardo fale, eles se calam."
Mudança no Regimento Interno
O deputado Marcio Pacheco (PP), vice-presidente da Comissão de Ética, disse que está em andamento um processo de aprimoramento do Regimento Interno da Casa. Nos próximos dias, os parlamentares deverão receber um esboço do novo regimento. “Sem essa atualização, torna-se praticamente impossível aplicar punições proporcionais às condutas dos deputados”, afirmou Pacheco. O esboço está sendo preparado a pedido do presidente da comissão, deputado Delegado Jacovós (PL).