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Ratinho Jr. sobre Sergio Moro: “Bem diferente do juiz da propaganda”

Governador acusou ex-juiz de trair o Paraná, o ex-presidente Jair Bolsonaro, o ex-senador Alvaro Dias e a candidata Cristina Graeml

Ratinho Jr. sobre Sergio Moro: “Bem diferente do juiz da propaganda”
Ratinho Jr antes do debate na RPC, na terça-feira (29). Foto: Tami Taketani/Plural

O governador Ratinho Jr (PSD) acusou o candidato do PL ao governo, Sergio Moro, de trair o Paraná, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o ex-senador Alvaro Dias e a candidata Cristina Graeml (PSD) em sua trajetória política. Ao chegar à RPC para o debate entre os candidatos ao governo, na noite desta terça-feira (29), Ratinho disse que mudou de opinião a respeito do ex-juiz.

“Eu não posso reescrever a história, mas posso mudar de opinião. Como boa parte da população do Paraná e do Brasil”, disse o governador. Para ele, a população tinha a imagem de um "juiz que trabalhava representando o Poder Judiciário, julgando os casos”.

“Como político, é bem diferente daquele juiz que se dizia na propaganda."
Ratinho Jr. sobre Sergio Moro

As quatro traições, segundo Ratinho Jr

Ao dizer que Moro cometeu traição, o governador fez referência a quatro fatos. O primeiro, a acusação feita ao então presidente Jair Bolsonaro em abril de 2020. Ao deixar o Ministério da Justiça, Moro afirmou que Bolsonaro tentava interferir na Polícia Federal para proteger seu filho Flávio Bolsonaro em uma investigação sobre a prática de rachadinha na Assembleia Legislativa do Rio.

Os próprios apoiadores de Bolsonaro passaram a tratar Moro como traidor – inclusive muitos que estão na sua coligação atualmente, como o candidato ao Senado Filipe Barros (PL), que chegou a chamar o ex-juiz de Judas.

O segundo fato lembrado por Ratinho Jr foi a filiação de Moro ao Podemos, em novembro de 2021, a convite do então senador Alvaro Dias. Moro deixou o Podemos e se filiou ao União Brasil em março de 2022, partido pelo qual derrotou o próprio Alvaro Dias na eleição para o Senado.

A terceira traição de Moro seria sua tentativa e se candidatar por São Paulo na eleição daquele ano. Ele tentou mudar seu domicílio eleitoral, mas o pedido foi negado pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) em abril, o que foi confirmado posteriormente pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Restou a Moro concorrer pelo Paraná – mas sua mulher, Rosângela Moro, chegou a comer pastel na feira durante a campanha e foi eleita deputada federal por São Paulo.

Por fim, ele lembrou o caso de Cristina Graeml, convidada por Moro no início deste ano para concorrer ao Senado pelo União Brasil. Moro deixou o partido em abril e se filiou ao PL de Flávio Bolsonaro para apoiar Filipe Barros (o mesmo que o chamou de Judas) e Deltan Dallagnol (Novo) ao Senado. Cristina Graeml migrou para o PSD e disse durante a campanha que sentiu abandonada pelo ex-juiz.

“As traições ao Bolsonaro são um fato histórico, as acusações que ele fez contra o Flávio Bolsonaro quando era ministro e quando tentou dar um golpe, inclusive, no Bolsonaro na época", criticou Ratinho Jr ."A traição que ele fez com o Alvaro Dias, a traição que ele fez com a Cristina Graeml, a traição que ele fez com o Paraná quando quis ser candidato em São Paulo".

"Foi enxotado de São Paulo porque mentiu, dizendo que tinha residência em São Paulo. Ele não tinha residência em São Paulo. Eu só falei o que a história conta."
Ratinho Jr. sobre Sergio Moro
A culpa é do Deltan e ele coloca em quem quiser
Deltan, como o bolsonarismo em geral, triunfa no caos. É a desordem que ele queria, para poder se declarar vítima do sistema

Governador nega intenção de ser senador

Ratinho Jr negou a intenção de disputar uma vaga no Senado caso seja necessária a realização de uma nova eleição em função de Deltan Dallagnol. "Não penso e acho que nem vai ter (eleição suplementar), porque a tendência é que tenha dois senadores eleitos pelo Paraná", disse o governador, que criticou a atuação dos três senadores do Paraná (Moro, Flávio Arns, do PSB, e Oriovisto Guimarães, do PSDB). "Nós tivemos um Senado muito fraco nesses últimos anos, (os senadores) pouco ou em quase nada ajudaram o Paraná".

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José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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