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Projeto da Prefeitura abre caminho para terceirização da gestão de escolas em Curitiba

Possibilidade foi negada por Eduardo Pimentel na campanha eleitoral de 2024

Projeto da Prefeitura abre caminho para terceirização da gestão de escolas em Curitiba
Foto: Luiz Costa/ SME

A gestão do prefeito Eduardo Pimentel (PSD) enviou para a Câmara Municipal de Curitiba um projeto de lei que pode abrir o caminho para a terceirização de serviços na rede municipal de ensino, como ocorreu no governo de Ratinho Jr (PSD). O projeto, que tramita em regime de urgência, institui o Programa de Parcerias Estratégicas do Município de Curitiba e altera uma lei de 2002 que impedia a delegação de serviços de escolas para a iniciativa privada.

Na campanha eleitoral de 2024, Pimentel disse que não havia nenhum projeto para terceirizar serviços de escolas. O então candidato foi questionado sobre o assunto devido à polêmica envolvendo o projeto Parceiro da Escola, do governo do Paraná, que gerou uma greve de professores em junho daquele ano. A Assembleia Legislativa do Paraná teve as galerias ocupadas por servidores, mas os deputados aprovaram o projeto – e garantiram o repasse de aproximadamente R$ 1 bilhão para três grupos privados em três anos.

Na justificativa do projeto, a Prefeitura afirma que a lei 2006, que instituiu o antigo Programa Municipal de Parcerias Público-Privadas, é obsoleta e foi publicada "em momento em que a estruturação de projetos dessa modalidade no Brasil ainda era incipiente". O projeto cita a criação da PARS, estatal municipal criada no ano passado para estruturar projetos de concessões e Parcerias Público-Privadas (PPPs).

O projeto em análise na Câmara altera a Lei nº 10.506, de 27 de junho de 2002. O artigo 1 autorizava o Poder Executivo a "outorgar permissão ou concessão de uso de bens públicos destinados a implantação, operação, manutenção ou exploração, do mobiliário urbano, do sistema de transporte de passageiros de alta capacidade e dos equipamentos urbanos, excetuadas creches, escolas e unidades de saúde".

Com a alteração (caso o projeto venha a ser aprovado pela Câmara), a Prefeitura poderá "outorgar permissões, concessões de uso, delegar a prestação de serviços e a celebrar as demais modalidades de parcerias estratégicas" nas seguintes áreas:

Para o Sismmac, o sindicato de trabalhadores e trabalhadoras do magistério municipal, o projeto remove a proteção às escolas e abre as portas para a terceirização de serviços. "A manobra central está no artigo 30, que altera a Lei Municipal 10.506/2002. A legislação atual é categórica ao dizer que creches, escolas e unidades de saúde não podem ser privatizadas. Já o novo Projeto de Lei remove essa proteção e inclui nominalmente educação e saúde no rol de equipamentos que podem ser repassados à iniciativa privada", afirmou o sindicato.

O Sismmac avalia ainda que o projeto poderá reduzir o controle sobre a aplicação dos recursos públicos. "É um modelo parecido com o que o governo Ratinho Jr. vem aplicando no estado, onde empresários recebem fortunas sem trazer melhorias reais para as escolas. Diante da possibilidade real de perder o governo estadual nas eleições de outubro, o mesmo grupo político corre para replicar o modelo em Curitiba antes que o controle do Estado mude de mãos. A urgência é eleitoral e oportunista. Passar a boiada antes que a janela se feche".

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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