O prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD), disse na tarde desta quinta-feira (25 de junho) que as comunidades decidirão sobre a implantação das escolas cívico-militares na cidade. O projeto foi aprovado na semana passada pela Câmara Municipal – apesar das negativas da prefeitura no início do ano, o prefeito deixou claro nesta quinta que a implantação dependerá apenas da aprovação de responsáveis por alunos e funcionários de escolas.
Questionado sobre o assunto no evento sobre o Natal de Curitiba, nesta quinta, Pimentel criticou o Plural, segundo ele um jornal "que tem uma ideologia na sua informação" e garantiu que o modelo só será adotado em escolas com crianças com mais de 11 anos – o que não exatamente verdade.
"Eu sabia que o Plural, que tem uma ideologia na sua informação, viria dentro do evento do Natal. Não há problema nenhum na pergunta e eu não tenho problema nenhum em responder. O que eu sempre falei no período eleitoral é que eu não deixaria as ter concessões na área pedagógica da educação, o que eu reafirmo, e também falei que escola cívico-militar para crianças dessas idades do primeiro ano do ano não irá acontecer. O que irá acontecer com o jornalismo com responsabilidade trata a informação sem desinformação. E a desinformação quem faz é o sensacionalismo".
Eduardo Pimentel (PSD), prefeito de Curitiba
Escolas têm alunos de 6 a 10 anos
Eduardo Pimentel não explicou (até porque a entrevista foi encerrada para o prefeito atender influencers digitais) como uma mesma escola terá duas gestões diferentes, a militarizada e a convencional.
O projeto aprovado pela Câmara prevê que turmas do Ensino Fundamental II (do 6º ao 9º ano) poderão ser incluídas non programa. As 11 escolas de Curitiba que ofertam o Ensino Fundamental II em Curitiba, no entanto, também têm turmas do Ensino Fundamental I, do 1º ao 5º ano. Isso significa que a Prefeitura poderá militarizar escolas com alunos a partir de 6 anos de idade – o modelo estadual, adotado pelo governo de Ratinho Jr (PSD), abrange apenas estudantes 6º ao 9º ano.
"Curitiba tem 140 mil alunos na rede municipal de Educação. Esse projeto que foi aprovado na Câmara Municipal, de autoria de vereadores, é para 11 escolas, em torno de ser 1.500 alunos do 6º ao 9º ano. E não sou eu que vou dizer se vou implementar ou não, é a comunidade escolar, porque precisa passar por uma votação dos pais e mestres. Se for aprovado, não vai ficar na história quem aprovou o projeto ou quem sancionou, quem implementará. E se a comunidade escolar aprovar, eu vou implementar".
Eduardo Pimentel (PSD), prefeito de Curitiba
Em fevereiro, o secretário municipal da Comunicação, entrou em contato com o Plural e garantiu que não havia nenhum projeto para a implantação de escolas cívico-militares na cidade. "Não existe qualquer proposta nesse sentido. Nosso compromisso é com a proteção integral, dentro da lei e com responsabilidade. Qualquer informação diferente disso não corresponde à realidade", disse Marc Souza. "O Plano de Governo não tem nada de escola cívico-militar".

Pimentel disse que "não vai ficar na história quem aprovou o projeto ou quem sancionou" porque estava fora de Curitiba quando o projeto foi sancionado, como mostrou o Plural nesta quarta-feira. O responsável pela sanção foi o quarto na linha de sucessão municipal, o vereador Leonidas Dias (Podemos), que assumiu interinamente a prefeitura enquanto o prefeito estava em viagem oficial a Londres. O vice-prefeito, Paulo Martins (Novo), e o presidente da Câmara, Tico Kuza (PSD), também estavam em viagem.
Estaduais têm denúncias de assédio sexual
Outro ponto que Eduardo Pimentel poderá explicar é se a Prefeitura terá alguma iniciativa para prevenir casos de assédio moral e assédio sexual em escolas militarizadas. Desde que foram implementados no Estado, os colégios cívico-militares têm pelo menos sete denúncias de assédio sexual cometidos por militares que atuam como monitores, além de inúmeros casos de assédio moral.
Na semana passada, o monitor militar do Colégio Cívico-Militar Castelo Branco, em Cascavel, no Oeste do Paraná, foi afastado após denúncias de assédio sexual. Duas estudantes relataram que foram tocadas pelo militar, um bombeiro da reserva. O afastamento foi confirmado pelo Núcleo Regional de Educação (NRE) de Cascavel. Em fevereiro deste ano, a BBC News Brasil informou que pelo menos quatro casos de abusos registrados nesse tipo de instituição resultaram em investigações policiais, que seguem sob sigilo.
Escolas que podem ser militarizadas
EM Albert Schweitzer
EM Bairro Novo Caic Guilherme L. B. Sobrinho
EM Cândido Portinari (CAIC)
EM Cel. Durival Britto e Silva
EM Prof. Erasmo Pilotto
EM Prof. Herley Mehl
EM Papa João XXIII
EM Julia A. Di Lenna
EM Maria Clara B. Tesserolli
EM Pref. Omar Sabbag
EM São Miguel
