O ex-procurador e ex-deputado federal Deltan Dallagnol (Novo) disse que poderá apoiar a candidatura ao Senado de sua mulher, Fernanda Dallagnol, caso tenha o registro indeferido pela Justiça Eleitoral. Em entrevista ao podcast Tia Pod, no YouTube, Dallagnol disse que outra opção para o Senado poderá ser o vice-prefeito de Curitiba, Paulo Martins (Novo).
"Se eles me tirarem antes da eleição, eu vou colocar no meu lugar ou o Paulo Martins ou a minha esposa. São duas possibilidades. Ou o Paulo Martins, que é alguém que eu gosto, bom, ponta firme, fantástico. Ou a minha esposa, ela não quer. Eu acho que eu não vou conseguir convencer ela. Mas seria uma possibilidade simplesmente para dizer que o sistema não vai vencer", disse o pré-candidato ao Senado.
O ex-procurador disse não ver problema caso seja eleito em outubro e tenha o registrado cassado após as eleições – como aconteceu após as eleições de 2022. "O que que vai acontecer? Vai entrar o próximo da fila? Não, vai ter uma nova eleição. E a gente vai eleger alguém de direita. Necessariamente alguém de direita. Então, risco para a sociedade, risco para a eleição, risco para os nossos valores, para aquilo que a gente defende, não existe".
Dallagnol teve o mandato de deputado cassado em 2023 pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com base na Lei da Ficha Limpa, por ter pedido exoneração do Ministério Público Federal (MPF) quando respondia a 15 administrativos. Se fosse condenado em algum deles, estaria inelegível. A Justiça Eleitoral não declarou a inelegibilidade de Deltan, mas não afirmou que ele pode concorrer – o que dará aos adversários a possiblidade de questionar a situação do ex-procurador.
O ex-procurador ressaltou os cerca de 344 mil votos que teve em 2022, mas parece ignorar os 1.697.962 de votos dados a Paulo Martins na disputa pelo Senado naquele ano. Tratado como "reserva" no Novo, Martins ficou à frente de Alvaro Dias (então filiado ao Podemos) e foi derrotado por Sergio Moro. Desprestigiado no PL, que optou por apoiar a candidatura do deputado federal Filipe Barros ao Senado neste ano, o vice-prefeito de Curitiba migrou para o Novo.
Nos últimos meses, o Novo moveu pelo menos 18 ações na Justiça Eleitoral para impedir que políticos e comunicadores questionassem a elegibilidade de Dallagnol. Neste mês, o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) decidiu que declarações sobre a cassação e a inelegibilidade do ex-procurador não configuram desinformação eleitoral nem propaganda antecipada negativa.
Em dez das ações julgadas por Gisele Lemke, a juíza multou os representados em R$ 5 mil, por publicarem que Deltan Dallagnol está inelegível – o ex-procurador e chefe da força-tarefa da operação Lava Jato teve o mandato de deputado federal cassado com base na Lei da Ficha Limpa em 2023. Uma das sentenças do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) foi anulada na segunda-feira (11) pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino (leia mais abaixo).
(0:33) Então, risco para a sociedade, risco para a eleição, risco para os nossos valores, para aquilo que a gente defende, não existe. (0:40) Segundo ponto, se eles me tirarem antes da eleição, eu vou colocar no meu lugar ou o Paulo Martins ou a minha esposa. (0:49) São duas possibilidades.
Ou o Paulo Martins, que é alguém que eu gosto, bom, ponta-cabeça, fantástico. (0:55) Ou a minha esposa, ela não quer. Eu acho que eu não vou conseguir convencer ela.
(1:01) Mas seria uma possibilidade simplesmente para dizer, o sistema não vai vencer.