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O primeiro ato das escolas cívico-militares em Curitiba: a covardia de Pimentel

Num ato de covardia, Pimental deixa projeto na gaveta para prefeito em exercício sancionar, se escondendo mais uma vez atrás dos outros quando precisa exercer os atos mais desagradáveis de sua gestão

O primeiro ato das escolas cívico-militares em Curitiba: a covardia de Pimentel
Foto: Tami Taketani/Plural

O projeto que permite a transformação de escolas da rede municipal de Curitiba em cívico militares foi sancionado na última terça-feira, dia 23, pelo prefeito em exercício, vereador Leonidas Dias (Pode), marcando mais um momento de covardia do prefeito Eduardo Pimentel (PSD). O prefeito deliberadamente deixou um dos principais projetos de sua gestão, ponto central na política defendida por sua base na Câmara, ser sancionado por outra pessoa.

Os indícios de que Pimentel fugiu de sancionar o texto são claros. O projeto foi aprovado no último dia 17. No dia 20 (sábado), Dias assumiu a prefeitura e Pimentel viajou para a Europa. Ele reassume o cargo na quinta-feira, dia 25. O prefeito não quis colocar sua assinatura no texto que autoriza a entrada de policiais militares e guardas municipais aposentados sem qualificação na área da educação em escolas com crianças a partir de 6 anos (embora a lei fale em implantação apenas a partir do sexto ano, todas as escolas municipais com os anos finais do Ensino Fundamental também têm os anos iniciais).

Ao contrário do governador, Ratinho Junior (PSD), que fez das escolas cívico-militares seu principal projeto educacional no estado, Pimentel nunca assumiu publicamente seu apoio a ele. Na realidade, ele negou ter interesse em implantar o sistema na cidade a ponto da sua assessoria cobrar que o Plural apagasse uma menção sobre isso de um artigo.

Parece que falta ao prefeito coragem para assumir suas próprias políticas. Se ele não queria as escolas cívico-militares, poderia impor sua vontade e barrar o projeto numa Câmara na qual detém a absoluta maioria. Se quer implantar o projeto, que apresentasse pela Prefeitura um texto que poderia pelo menos passar pela Secretaria Municipal de Educação. Que assumisse o projeto, assinando sua sanção.

Mas ao contrário de seu antecessor, Pimentel não tem nem personalidade, nem convicções. Portanto não surpreende ninguém que ele não tenha coragem de assumir uma posição. Até o momento, Pimentel assumiu de forma diletante a pauta da extrema direita. Lançou uma tola "caça às bruxas" contra o aborto. Se fez filmar acompanhado de guardas fortemente armados cobrando que de pessoas sem moradia, que dormem nas ruas, expostas ao frio e à chuva, que arrumem emprego.

É uma posição de conveniência, não de convicção. Isso deixa claro que o eleitor curitibano elegeu uma bolota de argila para governar a cidade. Como tal, a gestão de Pimentel vai tomando as formas que são impostas porque grita mais alto, que aplica mais força. E explica porque a maior parte das ações da prefeitura não são PELA população de Curitiba, mas sim CONTRA seus membros mais frágeis.

A falta de personalidade e convicção em uma administração pública é uma combinação perigosa que dá espaço para o fortalecimento do radicalismo. Por outro lado, a covardia de Pimentel aponta para a população e para a oposição qual o caminho a seguir: o prefeito tem medo de confronto, então quem quiser ser ouvido vai precisar encontrar formas mais eficazes de aplicar pressão. A luta contra as escolas cívico-militares, meus caros, está apenas começando.

Rosiane Correia de Freitas

Rosiane Correia de Freitas

Jornalista, mestre em educação e fundadora do Plural

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