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MPPR manda Quatro Barras parar de expor crianças

Ministério Público recomenda suspensão imediata de fotos de alunos em redes sociais em Quatro Barras, enquanto Prefeitura de Curitiba faz pais assinarem, na matrícula, documento que autoriza uso inclusive em redes sociais pessoais

MPPR manda Quatro Barras parar de expor crianças
Foto: Caleb Woods / Unsplash

O Ministério Público do Paraná (MPPR) recomendou que a Prefeitura de Quatro Barras suspenda imediatamente a publicação de fotos e vídeos que permitam identificar alunos da rede municipal em redes sociais públicas. A medida, expedida pela Promotoria de Justiça da comarca, aponta que a prática pode violar direitos fundamentais de crianças e adolescentes e contraria diretrizes recentes de proteção no ambiente digital.

A recomendação estabelece que a Secretaria Municipal de Educação interrompa a divulgação de conteúdos com identificação de estudantes em perfis abertos, considerando as garantias previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e na Lei Federal 15.211/2025, conhecida como ECA Digital. A norma atualiza parâmetros de proteção à imagem, à privacidade, à identidade e à segurança de menores, inclusive diante do chamado “sharenting institucional”, quando órgãos públicos compartilham conteúdos sobre crianças em canais de grande alcance.

Segundo o MPPR, a exposição recorrente de alunos em plataformas digitais deve respeitar o princípio do melhor interesse da criança e a lógica da proteção integral. O órgão também recomendou que registros do cotidiano escolar sejam compartilhados apenas em ambientes restritos, como grupos fechados de pais ou plataformas educacionais, evitando a publicação em perfis públicos.

Além disso, a Promotoria orientou a realização de capacitações com diretores e responsáveis pela comunicação das escolas, com foco nos riscos da exposição digital precoce e nas novas exigências legais. Outra diretriz é a adoção do princípio da minimização, ou seja, o uso de imagens apenas quando estritamente necessário para fins educacionais ou de interesse público, vedando seu uso para promoção institucional.

A Secretaria de Educação de Quatro Barras terá cinco dias úteis para informar se acata a recomendação e quais medidas serão adotadas. O descumprimento pode levar à adoção de medidas judiciais, incluindo ação civil pública para responsabilização de agentes públicos.

Curitiba segue caminho oposto

Enquanto o MPPR atua para restringir a exposição de crianças em Quatro Barras, em Curitiba a prefeitura tenta atua em sentido contrário. Como mostrou o Plural, a gestão do prefeito Eduardo Pimentel obriga pais e responsáveis a assinar uma autorização de uso de imagem ampla na matrícula.

O documento autoriza o uso de imagens de crianças não só pela prefeitura, como a publicação por servidores públicos e outros agentes políticos, como vereadores, comissionados e deputados, inclusive em seus perfis em redes sociais.

A proposta, no entanto, é considerada ilegal por especialistas, já que o consentimento não afasta a necessidade de observância do interesse superior da criança nem elimina os riscos associados à exposição em ambientes digitais abertos. A legislação recente reforça que a proteção deve prevalecer mesmo diante de autorizações formais.

Rosiane Correia de Freitas

Rosiane Correia de Freitas

Jornalista, mestre em educação e fundadora do Plural

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